Capítulo 8 — O Quebrar de Tudo

615 Palavras
O telefone tocou antes do amanhecer. O som seco ecoou pela casa silenciosa como um presságio. Dominic atendeu no primeiro toque. Você soube, no instante em que viu o rosto dele endurecer, que algo tinha dado errado. Muito errado. — Onde? — ele perguntou, a voz controlada demais. Você se levantou devagar, o coração batendo no ouvido. Dominic desligou sem dizer adeus. — É a Elisa — você disse, antes mesmo que ele abrisse a boca. Ele fechou os olhos por um segundo. — Lorenzo mandou um recado — respondeu. — Dessa vez… claro demais. O mundo pareceu inclinar. — O que aconteceu com ela? — sua voz saiu trêmula. — Está viva — Dominic disse rápido. — Mas ferida. O suficiente para você entender. Você sentiu as pernas falharem e se apoiou na mesa. — Isso é culpa minha — você sussurrou. — Não — ele respondeu, firme. — É culpa minha por ter deixado você visível demais. — Então por que eu ainda estou aqui?! — você explodiu. — Por que você me trouxe pra esse inferno?! O silêncio caiu pesado entre vocês. Dominic passou a mão pelo rosto, claramente lutando contra algo interno. — Porque eu fui egoísta — ele disse, finalmente. — Porque quis você perto mesmo sabendo o preço. As palavras doeram mais do que o ataque. — Você me usou — você disse, o peito apertado. — Me colocou como escudo. — Nunca — ele rebateu, dando um passo à frente. — Eu tentei te proteger. — Proteger? — você riu sem humor. — A Elisa está em um hospital por minha causa! Dominic parou. Algo mudou em seu olhar. Algo escuro. Antigo. — Você quer a verdade? — ele perguntou, a voz baixa. — A verdade que eu escondi de você? Você assentiu, mesmo com medo. — Lorenzo não começou essa guerra agora — Dominic disse. — Ele começou quando eu mandei executar o irmão dele. O ar saiu dos seus pulmões. — O quê…? — O homem era inocente — ele continuou. — Estava no lugar errado. Com o nome errado. E eu autorizei mesmo assim. Você levou a mão à boca, chocada. — Você… sabia? — Eu desconfiava — ele respondeu. — Mas escolhi acreditar que poder justificava silêncio. As palavras caíram como lâminas. — Então é isso — você disse, dando um passo para trás. — Esse é o homem que está me protegendo? Dominic se aproximou, desesperado. — Eu não sou mais aquele homem. — Mas foi — você cortou. — E isso muda tudo. O telefone tocou novamente. Dominic ignorou. — Se você ficar comigo agora — ele disse —, não há volta. Lorenzo não vai parar. Ele vai continuar usando quem você ama. Você sentiu o nó se fechar no peito. — Então eu não posso ficar — você disse, as lágrimas finalmente caindo. — Porque eu não vou assistir mais ninguém sangrar por mim. — Se você sair — Dominic disse, a voz quebrando pela primeira vez —, eu não vou conseguir te proteger lá fora. — Talvez você nunca devesse ter tentado — você respondeu. O silêncio entre vocês não era mais tensão. Era ruptura. Você pegou suas coisas com mãos trêmulas. Dominic não tentou impedir. Não tocou em você. Não ordenou nada. — Isso é um adeus? — ele perguntou. Você parou na porta. — Não — respondeu. — É o fim de uma escolha errada. Quando a porta se fechou atrás de você, Dominic ficou sozinho no centro da casa. Lorenzo tinha conseguido. Ele não destruiu Dominic com balas. Destruiu com consequências. E você, do lado de fora, ainda não sabia… …que Lorenzo não tinha terminado.
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