A saída da festa foi silenciosa demais.
O estacionamento estava parcialmente vazio, iluminado por postes frios que projetavam sombras longas no chão. Dominic caminhava à sua frente, atento a cada detalhe, enquanto dois homens surgiam dos cantos como se sempre tivessem estado ali.
— Entrem — ele ordenou, abrindo a porta traseira do carro.
Você hesitou por um segundo, mas entrou.
Assim que a porta se fechou, o mundo lá fora desapareceu. O carro arrancou suave demais para uma situação tão tensa.
— Dominic… — você começou.
— Não agora — ele disse, sem olhar para você. — Estou decidindo o quanto devo te contar.
Isso deveria soar ofensivo. Mas não soou. Soou… honesto.
Alguns minutos depois, o carro parou diante de uma casa grande, isolada, cercada por muros altos e portões de ferro. Segurança em cada canto.
— Bem-vinda — Dominic disse — ao lugar onde ninguém entra sem permissão.
— Incluindo eu? — você perguntou.
Ele virou-se para você, sério.
— Você entrou comigo. Isso muda as coisas.
Lá dentro, a casa era silenciosa, elegante e fria. Tudo parecia sob controle demais.
— Sente-se — ele disse, indicando o sofá.
Você obedeceu.
Dominic ficou de pé à sua frente, tirando o paletó lentamente, como se cada gesto tivesse peso.
— O homem que tentou se aproximar de você — começou — não estava ali por acaso.
— Eu imaginei.
— Ele trabalha para Lorenzo Vitale.
O nome caiu pesado.
— Antigo aliado — Dominic continuou. — Atual inimigo.
— O que ele quer? — você perguntou.
— Me provocar — respondeu. — Me fazer cometer um erro. Mostrar que ainda tenho pontos fracos.
O olhar dele caiu sobre você.
— E eu sou um deles? — você perguntou, sentindo o coração acelerar.
— Está se tornando — ele respondeu, direto demais para ser confortável.
O silêncio se estendeu.
— Dominic… — você respirou fundo. — Eu não pedi para entrar nisso.
Ele se aproximou devagar.
— Eu sei — disse. — Por isso preciso que você entenda as regras antes de decidir se fica.
— Regras?
— Primeira — ele disse. — Aqui, você não anda sozinha.
— Segunda — continuou —, você não confia em ninguém que eu não autorizar.
— Terceira… — Ele parou à sua frente. — Se alguém te ameaçar, você me diz. Não reage. Não foge.
Você ergueu o olhar.
— E a quarta?
Os olhos dele escureceram levemente.
— Você não brinca com sentimentos em um mundo onde emoções matam.
Seu peito apertou.
— Dominic… isso parece uma prisão.
— Não é — ele respondeu. — É sobrevivência.
Você se levantou, ficando frente a frente com ele.
— E você? — perguntou. — Você segue regras?
Ele inclinou o rosto, muito perto agora.
— As minhas.
O silêncio entre vocês era intenso. Carregado.
— Lorenzo vai continuar tentando — Dominic disse, mais baixo. — E enquanto fizer isso… você fica comigo.
— Como proteção — você disse.
— Como escolha — ele corrigiu.
Seu coração disparou.
— E se eu decidir ir embora amanhã?
Dominic sustentou seu olhar por um longo momento.
— Então eu vou te escoltar pessoalmente para fora desse mundo — disse. — Mas enquanto estiver aqui… ninguém toca em você. Ninguém te ameaça. Ninguém te usa.
— Nem você?
Ele sorriu de lado. Pela primeira vez, havia algo quase humano ali.
— Especialmente eu.
Você percebeu, naquele instante, que não estava apenas sob a proteção de Dominic Moretti.
Você estava ligada a ele.
E Lorenzo Vitale sabia disso.
O jogo tinha começado de verdade.