Capítulo 5 — As Regras do Inimigo

597 Palavras
A saída da festa foi silenciosa demais. O estacionamento estava parcialmente vazio, iluminado por postes frios que projetavam sombras longas no chão. Dominic caminhava à sua frente, atento a cada detalhe, enquanto dois homens surgiam dos cantos como se sempre tivessem estado ali. — Entrem — ele ordenou, abrindo a porta traseira do carro. Você hesitou por um segundo, mas entrou. Assim que a porta se fechou, o mundo lá fora desapareceu. O carro arrancou suave demais para uma situação tão tensa. — Dominic… — você começou. — Não agora — ele disse, sem olhar para você. — Estou decidindo o quanto devo te contar. Isso deveria soar ofensivo. Mas não soou. Soou… honesto. Alguns minutos depois, o carro parou diante de uma casa grande, isolada, cercada por muros altos e portões de ferro. Segurança em cada canto. — Bem-vinda — Dominic disse — ao lugar onde ninguém entra sem permissão. — Incluindo eu? — você perguntou. Ele virou-se para você, sério. — Você entrou comigo. Isso muda as coisas. Lá dentro, a casa era silenciosa, elegante e fria. Tudo parecia sob controle demais. — Sente-se — ele disse, indicando o sofá. Você obedeceu. Dominic ficou de pé à sua frente, tirando o paletó lentamente, como se cada gesto tivesse peso. — O homem que tentou se aproximar de você — começou — não estava ali por acaso. — Eu imaginei. — Ele trabalha para Lorenzo Vitale. O nome caiu pesado. — Antigo aliado — Dominic continuou. — Atual inimigo. — O que ele quer? — você perguntou. — Me provocar — respondeu. — Me fazer cometer um erro. Mostrar que ainda tenho pontos fracos. O olhar dele caiu sobre você. — E eu sou um deles? — você perguntou, sentindo o coração acelerar. — Está se tornando — ele respondeu, direto demais para ser confortável. O silêncio se estendeu. — Dominic… — você respirou fundo. — Eu não pedi para entrar nisso. Ele se aproximou devagar. — Eu sei — disse. — Por isso preciso que você entenda as regras antes de decidir se fica. — Regras? — Primeira — ele disse. — Aqui, você não anda sozinha. — Segunda — continuou —, você não confia em ninguém que eu não autorizar. — Terceira… — Ele parou à sua frente. — Se alguém te ameaçar, você me diz. Não reage. Não foge. Você ergueu o olhar. — E a quarta? Os olhos dele escureceram levemente. — Você não brinca com sentimentos em um mundo onde emoções matam. Seu peito apertou. — Dominic… isso parece uma prisão. — Não é — ele respondeu. — É sobrevivência. Você se levantou, ficando frente a frente com ele. — E você? — perguntou. — Você segue regras? Ele inclinou o rosto, muito perto agora. — As minhas. O silêncio entre vocês era intenso. Carregado. — Lorenzo vai continuar tentando — Dominic disse, mais baixo. — E enquanto fizer isso… você fica comigo. — Como proteção — você disse. — Como escolha — ele corrigiu. Seu coração disparou. — E se eu decidir ir embora amanhã? Dominic sustentou seu olhar por um longo momento. — Então eu vou te escoltar pessoalmente para fora desse mundo — disse. — Mas enquanto estiver aqui… ninguém toca em você. Ninguém te ameaça. Ninguém te usa. — Nem você? Ele sorriu de lado. Pela primeira vez, havia algo quase humano ali. — Especialmente eu. Você percebeu, naquele instante, que não estava apenas sob a proteção de Dominic Moretti. Você estava ligada a ele. E Lorenzo Vitale sabia disso. O jogo tinha começado de verdade.
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