Capítulo 4 — A Escolha que Não se Pode Desfazer

650 Palavras
A música continuava tocando no salão, mas agora soava errada. Alta demais. Alegre demais. Como se zombasse da tensão que se espalhava invisível entre os convidados. Dominic não soltou você. Não de forma óbvia — não havia mãos entrelaçadas, nem braços ao redor da sua cintura. Era pior do que isso. Ele caminhava sempre um passo à frente, o corpo formando uma barreira natural. Qualquer um que se aproximasse demais recebia apenas um olhar dele. E isso bastava. — Você está exagerando — você murmurou, quando ele a guiou para uma área mais reservada do salão. — Não — respondeu, seco. — Estou sendo rápido. — Rápido com o quê? Ele parou. Virou-se para você com uma calma assustadora. — Com decisões. Antes que pudesse insistir, um homem se aproximou. Jovem demais para aquele ambiente. Terno barato demais. Olhar inquieto demais. — Desculpa incomodar — disse ele, fingindo um sorriso. — Só queria cumprimentar a madrinha. Dominic deu um passo à frente imediatamente. — Não queria — corrigiu. — Queria se aproximar. O homem riu, nervoso. — É só uma conversa… — Não — Dominic repetiu, a voz baixa, firme. — É uma tentativa. Você sentiu o arrepio subir pela espinha. — Dominic… — tentou intervir. Ele ergueu a mão, sem tirar os olhos do homem. — Vá embora — disse. — Agora. — E se eu não for? — o homem provocou, talvez achando que coragem se fingia. O silêncio que se seguiu foi pesado. Dominic inclinou a cabeça levemente, os olhos frios como aço. — Então você não vai sair andando. O sorriso do homem desapareceu. Ele olhou ao redor, percebeu tarde demais que não tinha apoio algum. — Eu… desculpa — murmurou, afastando-se rapidamente. Quando ele sumiu, você soltou o ar que nem percebeu que prendia. — Isso foi uma ameaça — você disse. — Foi uma promessa evitada — Dominic respondeu. Ele se aproximou de você, mas dessa vez o olhar não era duro. Era intenso. Profundo. Controlado com esforço. — Estão testando meus limites — ele disse. — E usando você como isca. — Eu não sou um objeto — você rebateu. — Eu sei — ele respondeu imediatamente. — É por isso que estou irritado. Você o encarou, o coração acelerado. — O que exatamente está acontecendo? Dominic demorou a responder. Quando falou, foi em um tom mais baixo. — Alguém quer provocar uma reação minha. Mostrar que ainda consegue me atingir. — E você… está reagindo — você disse. — Estou — ele admitiu. — Mais do que deveria. Ele deu um passo ainda mais perto. — É por isso que preciso que você confie em mim agora. — Confiar como? — Indo comigo. Seu estômago se revirou. — Indo… embora? — Indo para um lugar seguro — ele corrigiu. — Longe daqui. Longe deles. — Dominic, eu m*l te conheço. Ele segurou seu queixo com dois dedos, firme, mas sem machucar. Fez você olhar diretamente para ele. — E mesmo assim, sabe que eu não estou pedindo isso levianamente. O toque fez seu coração falhar uma batida. — Se ficar — ele continuou —, você corre perigo. Se for comigo… entra no meu mundo. Você engoliu em seco. — E se eu entrar… tem volta? Dominic não desviou o olhar. — Não. A música explodiu em aplausos no salão. Risos. Brindes. E ali, naquele canto silencioso, você percebeu: não estava escolhendo apenas ir embora de uma festa. Estava escolhendo Dominic Moretti. — Tudo bem — você disse, finalmente. — Eu vou. Algo mudou nos olhos dele. Não vitória. Algo mais sério. — Então fique perto de mim — disse. — Muito perto. Ele soltou seu queixo, mas a presença dele parecia ainda mais forte. Naquele momento, você deixou de ser apenas a madrinha de um casamento perigoso. Você se tornou a mulher sob a proteção do chefe. E isso… mudava tudo.
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