Capítulo 3 — Sob Proteção

566 Palavras
O retorno ao salão não passou despercebido. Você sentiu os olhares antes mesmo de vê-los. Sussurros discretos, pausas longas demais nas conversas. Dominic caminhava ao seu lado como se o mundo abrisse passagem — e, de certa forma, abria. Não havia toque entre vocês, mas a proximidade dizia tudo. — Relaxe — ele murmurou, sem olhar para você. — Quem observa não morde. Quem morde… eu já conheço. Você engoliu em seco. — Está todo mundo olhando — sussurrou de volta. — Estão tentando entender por quê — respondeu. — E isso os incomoda. Vocês pararam perto de uma mesa onde homens mais velhos bebiam em silêncio. Um deles, de cabelos grisalhos e olhar afiado, encarou você por tempo demais. — Domenico — disse ele, a voz arrastada. — Não sabia que madrinhas faziam parte das negociações agora. Dominic virou-se lentamente, o sorriso sumindo por completo. — Não fazem — respondeu, frio. — E é exatamente por isso que não é da sua conta. O homem estreitou os olhos. — Cuidado. Pessoas fora da família costumam ser… vulneráveis. Você sentiu o ar mudar. Dominic deu um passo à frente, colocando-se sutilmente à sua frente. O gesto foi pequeno, mas definitivo. — Se alguém tocar nela — disse, em tom baixo e perigoso — eu pessoalmente me encarrego de ensinar o significado de vulnerabilidade. O silêncio caiu como uma lâmina. O homem ergueu as mãos em rendição disfarçada. — Foi apenas um comentário. — Comentários matam — Dominic respondeu. — Às vezes, mais rápido que balas. Ele segurou seu cotovelo e a afastou dali sem pedir permissão. Você não resistiu. Não conseguia. — Isso foi necessário? — perguntou quando chegaram a um canto mais afastado. — Foi um aviso — ele disse. — Para você… e para eles. — Aviso de quê? Dominic inclinou-se levemente, os olhos fixos nos seus. — Que você não está sozinha. Antes que pudesse responder, um dos seguranças de Dominic se aproximou, claramente tenso. — Chefe… — ele murmurou algo no ouvido dele. O rosto de Dominic endureceu. A mudança foi imediata. O homem que flertava minutos antes deu lugar ao chefe da máfia. — Onde? — ele perguntou. — Estacionamento. Um dos convidados… não é da lista. Dominic fechou os olhos por um segundo e depois voltou-se para você. — A partir de agora, você não sai do meu lado. — O quê? Por quê? — Porque alguém decidiu testar limites — ele respondeu. — E você acabou no meio. — Isso tem a ver comigo? — Tem a ver com o fato de que olharam para você do jeito errado. Ele fez um gesto curto, e dois homens se posicionaram discretamente perto. — Dominic, eu não pedi isso — você disse, tentando manter a calma. — Eu sei — ele respondeu, mais baixo agora. — Mas a máfia não espera convites. Ele aproximou-se o suficiente para que só você ouvisse. — Enquanto estiver aqui, você é minha responsabilidade. Minha proteção. Seu coração batia forte. — E se eu não quiser? Os olhos dele suavizaram por um segundo — não muito, mas o suficiente para você perceber. — Então eu vou proteger mesmo assim. Lá fora, sirenes distantes ecoaram brevemente. O clima da festa nunca mais foi o mesmo. E você entendeu, naquele instante, que não era apenas atração. Era perigo real. E Dominic Moretti não protegia ninguém sem um motivo.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR