Você sentia o peso daquela noite mesmo quando se afastava do salão principal. O som distante das conversas, o tilintar de taças, as risadas calculadas — tudo parecia abafado pelo que ainda queimava em sua mente.
O olhar dele.
Você tentou se convencer de que era só nervosismo. Um homem poderoso, perigoso. Nada além disso. Ainda assim, seus passos vacilaram quando percebeu que não estava sozinha naquele corredor lateral.
— Fugindo da própria festa?
A voz veio baixa, firme. Inconfundível.
Você se virou devagar.
Dominic Moretti estava ali, apoiado despreocupadamente na parede de mármore, como se aquele espaço lhe pertencesse. O paletó agora estava aberto, o vinho já não visível, mas a presença dele… ainda mais intensa.
— Só precisava de ar — você respondeu, mantendo o queixo erguido.
Ele inclinou a cabeça levemente, analisando cada microexpressão sua. Não era curiosidade. Era avaliação.
— Pessoas como você costumam precisar — disse. — Este lugar sufoca quem ainda sente demais.
Você franziu a testa.
— “Pessoas como eu”?
Um canto da boca dele se ergueu, quase imperceptível.
— Não pertence a este mundo — afirmou, aproximando-se um passo. — E ainda assim… caminha por ele com coragem.
Seu coração acelerou, mas você não recuou.
— Coragem ou imprudência?
— As duas coisas — Dominic respondeu, agora perto o suficiente para que você sentisse o perfume amadeirado dele. — E ambas são perigosas.
O silêncio entre vocês era denso. Carregado.
— Você costuma falar assim com todas as mulheres? — você provocou, antes que pudesse se conter.
Ele soltou uma breve risada, baixa.
— Não. Só com as que não abaixam os olhos quando deveriam.
A frase atingiu você como um desafio direto.
— E eu deveria? — perguntou.
Dominic se inclinou levemente, sua voz descendo a um tom mais grave.
— Sim. — Pausa. — Mas gosto que não o faça.
O comentário fez sua respiração falhar por um segundo.
— Isso é um aviso? — você perguntou.
— É um fato.
Ele estendeu a mão, segurando delicadamente seu pulso. O toque não foi brusco, mas foi firme. Controlado. Como se cada movimento fosse calculado.
— Aqui — ele disse, guiando sua mão até uma taça sobre a mesa ao lado. — Você vai beber devagar. Vai sorrir quando olharem para você. E vai voltar para o salão comigo.
Você engoliu em seco.
— E se eu disser não?
Os olhos dele escureceram levemente, não de raiva, mas de algo muito mais perigoso: interesse.
— Então eu respeitaria — disse. — Mas ainda assim… ficaria atento. Porque mulheres que dizem “não” ao chefe da família Moretti costumam mudar de ideia quando percebem o quanto o mundo pode ser c***l sem proteção.
A forma como ele disse proteção soou mais como posse.
— Você é sempre tão… controlador? — você perguntou, tentando recuperar o equilíbrio.
— Apenas quando algo me interessa.
Ele soltou seu pulso, mas a ausência do toque pareceu ainda mais perturbadora.
— Venha — Dominic disse, estendendo a mão novamente. — Antes que alguém perceba que estou monopolizando você.
Você hesitou por apenas um segundo antes de aceitar.
Quando seus dedos se entrelaçaram aos dele, ficou claro:
aquilo não era apenas uma paquera.
Era o início de um jogo perigoso.
E Dominic Moretti não costumava perder.