O Thomas passou a semana sem falar mais comigo. Me aproximei bastante do Diego, ficante do Gaby e meu gerente. Acabei contando a ele um pouco sobre minha infância. Ele disse que o tio dele poderia investigar para mim e tentar me ajudar a descobrir o paradeiro do meu irmão. De repente meu coração se encheu de esperanças novamente. Eu já havia desistido de encontrar ele, sofri tanto que meio que bloquiei meus pensamentos quando o assunto era ele. Não que eu não me importasse mais, claro que me importo, e não há nada no mundo que eu deseje mais do que ver meu irmão novamente, é que foi tanto sofrimento, tantas esperanças frustradas, tantas tentativas que não deram em nada, que agora já nem tentava mais. Mas de repente esse desejo tão grande voltou a queimar dentro de mim, e eu iria até onde pudesse agora.
Na sexta combinei com o Gaby e o Diego de irmos até a casa dele, para que eu pudesse contar minha história ao tio dele, com quem ele morava.
Estava com o Diego indo para o estacionamento quando ouvi alguém me chamando, me virei e era o Thomas.
- O que você está fazendo aqui?!
- Preciso falar com você Lorena.
- E por que não tentou ligar, mandar mensagem...?
- O que eu tenho para te falar tem que ser olhando nos olhos.
- Acontece que agora eu não posso. Tenho um compromisso e já estamos atrasados.
O Diego me falou que tudo bem, que se eu quisesse marcavamos para outro dia.
Na verdade eu queria muito saber o que ele tinha pra falar, então fui.
Entrei no carro e perguntei para onde íamos, ele disse que tinha uma festa em uma chácara, e que podíamos ir lá. Fiquei meio assim, Disse que não sabia, que não estava vestida para uma festa, estava cansada e queria algo mais tranquilo. Mas ele insistiu, então acabei concordando.
Já estávamos a mais de uma hora na estrada, e nunca chegávamos a bendita chácara. Ele quase não conversava comigo, estava com o som bem alto e só respondia o que eu perguntava. Comecei a ficar com medo. Estava noite, meu celular já não tinha mais sinal, não se via nada a não ser quilômetros de Mato em qualquer direção que eu olhasse.
Eu já estava com medo, então perguntei para ele que lugar era esse que nunca chegava.
- você já foi em uma festa rave?
Respondi que não.
- Então se prepara para conhecer a mais top da sua vida. Essa festa fazemos uma vez ao ano, só tem a galera do alto escalão. Hoje estou de folga, podemos curtir muito, e vou te explicar algumas coisas também.
- Olha, sobre o que aconteceu na última vez que nos vimos, quero deixar claro que não quero ser sua dona. Só me senti m*l por você ter mentido para mim.
- E quem disse que eu menti Lorena?
Quando ele falou isso, avistei um lugar enorme, cheio de luzes. Vendo minha admiração, ele disse.
- É para lá que estamos indo, você vai gostar.
Levamos quase duas horas para chegar, era um lugar bem bonito. Tinha muita, muita gente mesmo lá. As luzes eram improvisos em árvores, som altíssimo, muitos panos coloridos espalhados por todo o local, vi até algumas bandeiras com o símbolo do nazismo, e outros que não sei o que eram. Ele me apresentou a um cara muito m*l encarado, e a mesma moça que estava com ele na noite em que ele me deixou. Era o chefe dele, e a namorada do chefe. Foram simpáticos comigo, mas logo nos afastamos e ficamos sozinhos. Aí ele começou a falar.
- te trouxe aqui porque quero que você entenda. Eu faço tudo o que meu chefe manda. Se ele me manda para o baile como guarda costas da namorada dele, eu tenho que ir, e ir para trabalhar, não para arrumar distrações. Você seria uma distração naquela noite, por isso te dispensei. Mas isso não significa que eu não sinto nada por você, eu sinto. Esse mundo em que vivo é complicado demais para você.
- Tudo bem Thomas. Me desculpe, eu não vou mais questionar suas atitudes, vou respeitar seu espaço, e vamos deixando rolar.
Nos beijamos e ficamos um tempo sozinhos, curtindo. Logo chegou mais uma galera perto de nós. Eles estavam tomando alguma coisa e passando de um por um, mas tinha um copo só das mulheres e um só dos homens, quando chegou minha vez, eu não quis beber, mas eles ficaram insistindo tanto, que fingi tomar um gole, e assim fiz as outras vezes que me ofereceram. As meninas estavam muito chapadas, os caras erguiam suas saias, tocavam em seu corpo, na verdade eu estava achando aquilo tudo muito nojento. Perguntei a ele onde era o banheiro, ele foi me acompanhar.
Pedi para o Thomas me acompanhar até o banheiro, no caminho encontramos um cara que mais parecia estar abusando de uma garota do que namorando, fiquei abismada olhando, ele tocando ela e ela toda Chapada, o Thomas segurou meu braço e disse que era melhor não se meter, que ali cada um cuidava do seu. Me senti m*l por ver aquela cena e não fazer nada, fiquei imaginando aquela garota no dia seguinte, depois que passasse o efeito de sei lá o que que ela havia usado, sem provavelmente ter ideia do que aconteceu ali, do que fizeram com ela, me senti uma pessoa h******l, mas não fiz nada. Fui até o banheiro, lavei o rosto, tentei mandar mensagem para o Gaby, dizer que estava bem, mas estava sem sinal.
Demorei um pouco no banheiro, estava me sentindo péssima e totalmente deslocada. Quando sai o Thomas estava sentado no chão, fumando, me aproximei e ele me ofereceu, logo vi que não era cigarro.
- Da um trago aí ruiva, vai ajudar a relaxar, você está muito tensa.
- Não sei, nunca usei essas coisas. Nao quero acabar como aquela mina ali. (Disse isso apontando na direção onde estavam os dois)
Estávamos em um local mais afastado, não tinham muitas pessoas por ali, a chácara era muito grande, então o pessoal se espalhava bastante.
Ele prosseguiu...
- É maconha, não faz m*l algum, só ajuda a relaxar, te garanto que você não vai ficar sem controle, mas se resolver ficar, prometo que cuido de você.
- Não quero ficar sem controle, não quero ser estuprada atrás de uma árvore.
Disse isso e fui saindo, ele veio atrás de mim, disse que ia me levar para casa, que ali não era lugar para mim mesmo, que eu era muito patricinha e careta para um lugar daquele. Fiquei brava por que ele estava sendo e******o, disse que não queria ir para casa, que agora eu iria ficar ali e mostrar para ele que de patricinha e careta eu não tinha nada, só que eu não concordava em ficar Chapada e ser estuprada por um bando de aproveitadores. Discutimos alto, algumas pessoas que estavam mais próximas deram algumas olhadas, mas como ele já havia falado antes, ali era cada um na sua, ninguém se mete.
Voltei para onde estávamos antes, tinham algumas meninas com quem estava conversando, fiquei com elas, até tomei alguns goles do que elas estavam bebendo. Elas também estavam fumando Narguile, me falaram que era maconha e ofereceram pra mim, como estava com muita raiva do que o Thomas havia falado, dei um trago. Não senti nada, achei que ia ficar tonta ou algo assim, mas não senti nada. Ele só ficou me olhando de um canto, não saiu de lá. Como não estava sentindo nada, continuei fumando com as garotas, ja estava mais alegre e descontraída, quando chegou um outro cara, com outro Narguile e ofereceu para as meninas, duas delas pegaram, uma foi passar para mim, quando peguei, o Thomas tomou da minha mão.
- Agora já chega Lorena, já provou que não é tão careta assim como eu pensava. Isso aí é ópio, não maconha como o que você estava fumando. Nem precisa me agradecer.
Falou isso e saiu.