Lunara Tokatli Eu acordo como se estivesse emergindo de um lugar muito fundo. Não é um despertar suave. É pesado. Meu corpo inteiro parece afundado no colchão, como se eu tivesse dormido dias seguidos e, ainda assim, não fosse suficiente. Há um torpor estranho nos músculos, uma lentidão que não combina com a quantidade de horas que, em teoria, eu dormi. Abro os olhos com dificuldade. A luz que entra pela janela é clara demais. O dia já começou há algum tempo. Eu sei disso sem olhar o relógio, porque o silêncio da manhã já passou, esse silêncio quase sagrado que existe antes da casa acordar por completo. Respiro fundo. Meu peitö sobe devagar, como se até respirar exigisse esforço. Há uma confusão dentro de mim. Uma sensação de descanso excessivo misturado com uma exaustão que não vai

