E L E N A S T A R K
O mês passou de forma rápida, embora alguns acontecimentos tenham o tornado tumultuado. Após Thor salvar minha vida, tenho estado mais poderosa. Quando chego perto de algo eletrônico, a coisa liga ou desliga — ou entra em curto. Coisas difíceis da vida mutante, mas Reed e Cho estão estudando a melhor maneira para que eu consiga controlar meus poderes.
Como posso controlar algo que nem sequer entendo?
Depois do ocorrido na Quinta Avenida, o mundo quer saber quem é essa nova h*****a que ajudou o Quarteto Fantástico e os Vingadores, já que meu pai distorceu todas as imagens de segurança das câmeras do local.
Lembram daquela repórter metida da Vanity Fair? Pois então, a filha da mãe divulgou uma imagem minha, bem do meu rosto e, agora, estou presa em casa.
Agora, passo o dia todo jogada no sofá, comendo porcaria e vendo televisão. Às vezes, sozinha. Quando o grupo tá em casa, alguns me acompanham.
Como agora, por exemplo. Estou esparramada no ombro do Thor, comendo pipoca, tomando refrigerante e assistindo o filme Hércules.
— Fala sério. — Thor resmungou — Esses filmes são patéticos.
— Sh! Eu gosto. — falei com a boca cheia
— Elena, você não cansa de comer, não? — Sam me olhou
— Não posso ir lá fora, agora, vai me proibir de comer? — resmunguei
— Ai, gente! Cala a boca. — Wanda resmungou pegando um pouco de pipoca do balde
— Queria um chocolate quente. — Nat resmunga
— Ai, eu também, Nat. — a olhei
— O chocolate quente da Wanda é ótimo. — tenta
— Nem adianta jogar indiretas, Romanoff. Não estou afim de levantar.
— Por favor, Wanda. — fiz bico
— Você não cansa, Elena? — Thor me olhou
— Shh! Você também come muito. — ri e enfiei um punhado de pipoca na boca dele
— Eu sou um deus, criatura. — ele riu com a boca cheia
— Um deus que perderia pro Hulk. — Nat implicou
— Não me confunda com meu irmão.
— Ah, esqueci que ele é digno. — ri
— Blá blá blá. — Sam jogou a almofada nele
— Elena! — vi meu pai chegar, ao lado de um cadeirante
— Ah, oi. — sorri fraco, sacudindo o cabelo e vendo algumas pipocas caírem do mesmo
— Esse é Charles Xavier. — ele aponta para o homem na cadeira de rodas — Podemos conversar?
A tensão tomou conta do meu corpo quando ouvi aquele nome. Ele era o líder da nação mutante e, provavelmente estava ali por minha causa.
Suspirei pesado e me levantei, seguindo meu pai pelos corredores do complexo até chegarmos em seu escritório. Ao chegar lá, me sentei e meu pai ficou de pé, encostado em sua mesa.
— Olá, meu nome é Charles Xavier. — ele me estendeu a mão, para me cumprimentar
— Elena Stark. — notei meu pai sorrir pensativo, enquanto eu o cumprimentava
— Reed me deu os resultados do seu exame. — meu pai roubou minha atenção
— E aí? — perguntei nervosa
— Seus genes mutantes estão muito mais ativos. Parece que se multiplicaram. — eu parei pensativa, absorvendo as informações — Suas células envelhecem 95% mais devagar que a de um humano comum.
— Isso quer dizer que...? — franzi o cenho
— Que quando você tiver a idade do seu pai, ainda vai aparentar ter bem menos idade. — Xavier explicou — As mudanças que seu pai comentou comigo, com relação ao seu físico agora, podem ter a ver com o conflito de poderes entre Thor e você. Em palavras mais simples, é como se o poder dele estivesse alimentando o seu e, então, o seu está alimentando você.
— Quer dizer que eu vou ficar enorme, igual a ele? — franzi o cenho, pensativa
— Pegou a linha de raciocínio. — meu pai comenta
— Bom, não vou envelhecer. Isso é esteticamente bom. — fiz graça, tentando não ver o lado ruim
— Seus poderes estão avançando, filha. Charles acha que pode ajudar você.
— Não só acho, como tenho certeza. — ele me olhou
— Eu sei que o senhor entende muito sobre isso. — comento — Inclusive, minha mãe pesquisou na sua tese, quando descobriu minha mutação. Ela se achava culpada, no começo.
— Na verdade, se for pensar em culpa, a culpa é do Tony. Em anos de pesquisa, descobri que o genes mutante vem do macho, na procriação. — eu olhei meu pai
— Aí, ô cadeirante! — meu pai franze o cenho — Sabia que eu estou tentando me dar bem com ela? — eu ri fraco e voltei a olhar o Charles
— Diga o que pode me oferecer.
— Treinamento, conhecimento, amizade. — diz paciente — Posso lhe oferecer muitas coisas que irão te ajudar a controlar o que tem dentro de você. E, o mais importante, vão te ajudar a compreender.
— O que você acha? — meu pai me olhou
— Isso seria ótimo. — sorri esperançosa
— É, só que, pra isso, você precisa ir para o Instituto Xavier – Para Jovens Superdotados. — eu olhei para meu pai — Em Westchester. — arregalei os olhos
— Isso quer dizer, me mudar do Complexo? — arregalo os olhos — Não. Eu perdi minha mãe há pouco mais de dois meses, nós ainda estamos nos conhecendo, eu m*l me adaptei aqui.
— Pense que é algo temporário. — Xavier tentou me confortar — Algo que te fará muito bem.
— Eu... — pisco atônita — Eu não sei, eu preciso pensar. — suspiro nervosa — Eu acabei de voltar pro meu pai. Foram dezessete anos.
— Elena, isso será bom para você. — Xavier insiste — E, além do mais, Tony pode ir lá quantas vezes quiser. E você também poderá vir passar os finais de semana.
Eu suspirei. Era muita coisa pra decidir. Sim, eu precisava de ajuda e não podia desperdiçar essa chance. Não, eu não queria me separar do meu pai e dos meus novos amigos.
Eram muitas coisas a serem consideradas. Apesar que, pela gravidade das minhas mudanças, eu vou precisar de apoio. Apoio sério, de gente que entende.
— Ela vai, Charles. — meu pai garante e eu o olho
— Já quer se livrar de mim?
— Tony, lá é como um grupo de apoio. Só fica lá, quem realmente quer estar lá.
— E ela vai querer. — ele me olhou — Filha, sabe que é o melhor a ser feito. Além do mais, será ótimo à você e eu vou te visitar sempre. — diz sério — E eu prometo que não haverão outros dezessete anos.
Temerosa, o encaro, vendo sua expressão de apoio. Não posso negar que Tony não pode me ajudar com essa parte, apesar de todos os seus esforços. Todos os dias saindo cedo e chegando tarde, enfiado em laboratórios e desperdiçando rios de dinheiro para pesquisas. Não há como me controlar sem entender o que eu tenho, o que eu sou. Isso o preocupa, pois posso vir a ser um risco não só aos outros, mas à mim mesma.
Suspiro pesado.
— Ok! — concordo — Então eu vou.
***
Anthony estava planejando uma mega festa! Festa é com ele mesmo. Seria para comemorar meu aniversário e se despedir da mascote da equipe — que, no caso, sou eu mesma. Seria um baile à fantasia. Valia tudo, mas a regra era: nenhum herói poderia se vestir de herói. Eu não sabia direito o que ia vestir, mas também não fazia ideia de como comprar, já que a imprensa está martelando atrás de mim e eu não posso desfilar tranquilamente pelas ruas sem causar alvoroço.
— Bom dia, família. — eu sorri entrando na cozinha
— Todo mundo, vai! Parabéns, pra você... — Wanda puxou e Pepper colocou um bolo de chocolate com duas velinhas rosa acesas em cima do balcão
— Elena! Elena! Elena! — vi o grupo gritar animado, batendo palmas e eu assoprei as velas
— Feliz aniversário, princesa. — meu pai me abraçou e beijou minha testa
— Eu que fiz o bolo. Espero que esteja bom. — Pepper me abraçou
— Se não foi a Nat, com certeza tá bom. — Steve riu e a ruiva bateu em seu ombro
— Eu tenho a melhor família do mundo. — sorri com os olhos marejados — A melhor madrasta, os melhores amigos...
— Um pai que tenta. — Tony fez graça, nos fazendo soltar gargalhadas
— Certo. O que vai usar essa noite? — Nat me olhou enquanto sentávamos à mesa e Pepper trazia o bolo
— Não sei. — puxei uma das velinhas apagadas e lambi seu fundo — Vale lembrar que não saí de casa desde que a loira azeda contou pro mundo que fiz um bico de h*****a. — dei de ombros
— Já dei um jeito nela. — meu pai diz passando o dedo na calda do bolo e colocando na boca — Essa mulher sempre me causa problemas. Ela levou o acidente com os disjuntores da Torre para o mundo inteiro.
Oops!
O apagão na Torre dos Vingadores. Eu ainda não havia tido a oportunidade de expressar minha culpa por isso.
— Ah, pai... Sobre isso... —cocei a cabeça e todos me olharam — Meio que... Fu eu. — ofeguei sem graça
— Você apagou a Torre? — Rhodes me olha
— Por que? — Steve franze o cenho
— Aquele peituda da recepção me tratou muito m*l quando te procurei. Não era minha intenção ferrar com o reator.
— Você não ferrou com o reator, mas foi uma atitude meio radical, não é? — ele me olhou
— Foi m*l. — sorri sem graça, pegando meu pedaço de bolo
— O que você queria, quando foi lá? — ele me olha
— Pra ser sincera, não sei. — mordo meu pedaço de bolo — Achei que ia simplesmente entrar e falar com você.
— Lena, você já terminou de fazer suas malas? — Pepper trocou o assunto e eu a olhei
— Nem comecei. — ri
— Não n**a de quem é filha. — Sam murmura
— Ei, eu sou mega organizado. — meu pai se defendeu
— Você não é organizado, Tony. — Nat implicou
— Nem mega organizado. — Rhodes riu
— Elena, você se muda amanhã. — ela me lembra — Pretendia arrumar isso quando?
— É que eu tô com preguiça. E minhas roupas não estão cabendo direito em mim.
— Comendo feito louca. Deve ter engordado. — Sam deixou escapar
— Samuel! — esbravejei e joguei um pãozinho nele
— Natasha e Wanda irão ao centro hoje. Pode ir com elas e comprar roupas novas. — meu pai disse comendo
— Com que dinheiro? — franzo o cenho, de boca cheia
— Não precisa disso, quando se é um Stark. — Pepper diz
— Já posso sair na rua sem ser incomodada?
— Eu calei a boca dela. — ele deu de ombros — Ela retirou a publicação. Claro que existem curiosos, mas ninguém vai ter coragem de perturbar você.
— Deus seja louvado! — ergo as mãos
— Uhuul! Vamos às compras! — Nat comemorou — Vou te ajudar a renovar seu guarda-roupas.
— Se for pra ela usar coisas similares ao que você usa, prefiro que a Pepper a ajude. — Tony implica
— Sai fora, Tony. — se defende — Tenho estilo.
***
O dia foi repleto de muita loucura. Pepper, Wanda, Nat e eu zoamos muito em todas as lojas da Quinta Avenida e arredores. Almoçamos num restaurante comum por ali e, depois, continuamos a passear. Hap já deveria estar exausto. A limusine estava cheia de sacolas de um bando de lojas. Tivemos um dia de princesa.
Ao lado de Nat e Wanda, horas depois, passei pelos paparazzi e pela fila de repórteres no tapete vermelho, do lado de fora da Stark Enterprises. Wanda, estava vestida de camponesa e Nat de colombina.
— Vai parar pra falar? – Nat me olhou
— É claro que não. — digo rindo
— Bela fantasia! — ouvi alguém gritar
Assim que cruzei a porta do salão, todos nos olharam e sorriram. Olhei para todos e fui notando aos poucos quem estava lá. Reconheci meu pai de Sherlock Holmes, Pepper de Mulher-Gato, Sam de Gavião Arqueiro, Rhodes de pirata e... Ah, Deus!
Combinamos a fantasia. Steve era um capitão do exército americano, com seu antigo uniforme e honrarias. Já eu usava a fantasia de uma melindrosa, como as mulheres que divertiam os clubes masculinos daquela época se vestiam.
Juro que não combinamos.
Ele me olhou e sorriu, um pouco sem jeito, me fazendo rir também.
— Juro que não sabia que você ia se vestir como... — pensei no que dizer — Como você se vestia, antigamente. — ri me aproximando
— Você está linda. — me elogia — E me fez relembrar muita coisa.
— É. Sei bem o que deve ter lembrado, seu p********o. — meu pai falou e nós rimos
— Thor de Pequeno Polegar? Fala sério! Agora, você que tá patético. — ri olhando-o
Ficamos rindo e conversando, até que começou a tocar um remix da música da campanha de guerra do Capitão América. Ri olhando Steve e o puxei para perto de mim, vendo o mesmo ficar vermelho.
Comecei a balançar o corpo e a lembrar das aulas de dança que eu fazia com a mamãe.
— Vamos, Steve. — ri mexendo a cintura e segurando sua mão — Me diga que se lembra da letra, por favor.
— Eu já não dançava antes, Elena, imagine agora. — ele diz rindo
— Vai, por favor!! — insisti — Quando o Capitão América lança o seu poderoso escudo... — canto o olhando, o encorajando a continuar
— Todos que optam por se opor, devem se render. — ele revira os olhos, mas ri
Em poucos instantes, já estávamos dançando e cantando juntos, roubando a cena no salão. Estávamos nos divertindo do nosso jeito desengonçado, mas era muito divertido.
***
— Vou sentir saudades. — Steve me abraçou — Obrigado por ontem. — ele sorriu e me soltou
— Disponha. — sorri — A intenção era fazer você se sentir em casa. Não o homem perdido no tempo, só um rapaz jovem com seus amigos.
— Eu não sou mais tão jovem assim, mas obrigado. — sorriu — Você conseguiu fazer eu me sentir menos deslocado.
— Conte comigo sempre, Capitão Rogers.
Fiquei um pouco sem jeito, o olhando nos olhos. Os olhos de Steve eram enigmáticos e, depois de um tempo, fiquei até intimidada. Desviei o olhar e cocei a cabeça, sem jeito.
— Certo, galera! — Tony se aproximou — Chega de melodrama. Minha vez de me despedir da minha menina.
— Ué, Tony, você não vai com ela? — Rhodes o olhou
— Não. — n**a — Ross quer falar comigo. Hap irá levá-la. — ele me abraçou apertado — Prometo que vou te ver no final de semana.
— Prometo mandar email todo dia. — sorri e beijei seu rosto
— Bom, também darei tchau. — Thor apareceu no hall de entrada, com seu martelo em mãos
— Vai embora? — eu o olhei
— Preciso voltar pra Asgard e minhas buscas. — suspira — Ainda tenho coisas pra resolver.
— Ah, vou sentir sua falta. — o abracei apertado — Tem email lá? — ele riu
— Prometo te enviar um todo dia. — diz rindo
— Você tem computador? — pergunto surpresa
— Não, pra quê? — franziu o cenho
— Deixa pra lá. — digo rindo — Me manda um corvo.
Nunca pensei que seria tão doloroso dar tchau. Em tão pouco tempo, eu já sinto tanta coisa por eles. E meu pai, então? Aquele corôa já me ganhou inteira.
Olhei pela janela, enquanto Happy dava partida com o carro e suspirei. Vou sentir saudade até das implicâncias matinais.
— Eles vão sentir saudades, senhorita. — Happy disse e eu suspirei novamente
— Eu também, Hap. — murmuro — Eu também.