O Ponto Fraco de Um Stark

2809 Palavras
T O N Y    S T A R K Eu já estava quase abrindo um buraco no chão, de tanto que andava de um lado para o outro, naquela ala do Complexo. É claro que me assustei com o ato de Elena, mas cobraria explicações assim que ela acordasse. Aliás, já faziam quase uma hora e meia que ela estava desmaiada. Chamei Cho às pressas e, por sorte, ela estava aqui em Nova York e não em uma conferência. — Seus sinais vitais estão ótimos, Tony. Ela só está dormindo. — Helen tentou me acalmar, mas isso não me impediu de continuar meu pequeno trajeto de ida e volta. Da cama dela, até a porta — Ai, Tony, chega! Está me deixando tonta. — Nat Resmungou, jogada no sofá, ao lado de Thor — Então pode ir. — disse indiferente, continuando meu trajeto — Acha mesmo que vou perder a explicação para aquilo que rolou lá fora? Não mesmo. — ela disse com seu ar de fofoqueira, mas eu nem dei bola — Eu vi o raio que nos atingiria. Sinceramente, ainda não acredito que escapamos. — Steve disse já de banho tomado, de braços cruzados, nos pés da cama — Simples, a garota tem poderes. — Sam simplificou tudo — Precisamos saber como ela os adquiriu. — Wanda o olhou — E se foi exposta à algum tipo de radiação? Como Banner, por exemplo. — Rhodey sugeriu e vi Natasha se mexer, desconfortável — Só vamos descobrir quando ela acordar. — disse Visão — Que, por sinal, tá rolando agora. — Nat disse e eu parei meu trajeto no meio do caminho, virando a cabeça para encontrá-la. Seus olhos pareciam pesados, mas logo estavam bem abertos. Eu me virei, fazendo o caminho de volta e parei ao lado — Oi. — ela disse baixo, piscando um pouco, por conta da luz — Oi. — eu disse de volta, olhando-a — Que belo susto, Bela Adormecida. — ela riu fraco e eu ajustei a cama, para que se sentasse — Aposto que querem explicações. —ela disse baixo, olhando as mãos em seu colo — Primeiro, preciso saber como se sente. — Cho se aproximou dela com um analgésico e um copo d'água em mãos — Uh, eu estou bem. Eu acho. Só uma dor de cabeça. — ela olhou confusa para Helen, que lhe entregou o comprimido e o copo — Isso acontece quando se usa muita força. — Cho explica — Elena, essa é Helen Cho, nosso plano de saúde. — digo — Ah, oi. — ela sorriu fraco e bebeu o remédio — Isso vai te ajudar, um pouco. — Helen retribuiu o sorriso — Ok, agora, pode falar. — Pepper disse curiosa — Certo. Hum... — ela pareceu pensar — Eu nasci normal, eu acho. Tudo na minha vida era normal, embora nunca fosse de ficar doente. Até que, uma consulta no pediatra, mudou tudo. Eu morava no Bronx, tinha seis anos e o estetoscópio grudou no meu peito. — pisquei e cruzei os braços no peito, tentando assimilar cada palavra dita por ela — Minha mãe se assustou e a médica saiu para chamar outros médicos. Então, minha mãe me pegou no colo e me levou para casa. Tomei um banho morno, que fez o metal gelado soltar e eu me acalmar. Dias se passaram e tentamos esquecer, mas as coisas tremiam quando eu me irritava com algo, a eletricidade oscilava. Por exemplo, quando Nathan se gabava por ser mais velho e não me deixava assistir algo por implicância, as luzes apagavam, os metais balançavam. Tudo que era afetado por eletricidade estática, parecia ainda mais afetado quando eu estava brava. Elena fez uma pausa, com um suspiro forte, que foi acompanhado por mim. Notei que todos na sala a olhavam, bem atentos. Todos famintos por respostas. Vi minha filha baixar o olhar novamente e continuar. — Minha mãe fez pesquisas, encontrou as teses de Charles Xavier na internet, comprou livros. Eu nasci com o genes mutante ativo. Não sei bem o porquê. — dá de ombros — Minha mãe fez eu me desenvolver um pouco e, logo me ensinou a controlar, com calma. Disse que eu nunca poderia me revelar em público, pois tinha medo que me tirassem dela. Só que a vizinhança ficou sabendo do caso do estetoscópio e nós nos mudamos para o Brooklyn. — suspira — Num passeio da escola, o ônibus bateu e o motorista se prendeu nas ferragens. Com minha eletricidade, consegui tirar as peças de metal que o prendiam. Nos mudamos para o Queens, onde um incidente fez eu me revelar para Ashley. Ela ia cair no fosso de um elevador com as portas abertas, mas eu a segurei. — Como? — Steve a perguntou, fazendo ela encará-lo — Todo ser humano tem uma áurea elétrica em torno de si. Todos temos energia. — o gênio em mim, respondeu de forma rápida, enquanto meus olhos ainda olhavam minha herdeira — Exato. — ela sorriu fraco ao me olhar — Eu posso torná-la visível. Aí eu puxei seu corpo para cima. — Não se mudou mais? — Nat indagou, curiosa — Não. Ashley prometeu que não contaria e, cumpre essa promessa há quase onze anos. — Elena à olhou para respondê-la — Sua mãe sabia de tudo e não me contou? — eu continuei olhando-a Elena encontrou meus olhos e baixou o olhar novamente. Se sentia culpada e, talvez, exposta. Deve ter passado a vida toda com medo. Ela perdida, sem respostas e eu aqui, com tudo o que poderia lhe responder, todos os recursos necessários para cuidar dela, de seu autocontrole, de sua autoconfiança. Me senti um nada, mais uma vez. — Várias vezes perguntei à minha mãe se você podia ajudar, mas ela dizia que você não poda saber da minha existência. Que talvez, a odiasse. — ela suspirou — Mas quando fiz treze anos, fui eu quem escolheu não procurar por você. — assume a responsabilidade — Olha, eu sei que é muito. Se vocês quiserem, vou embora. Eu... — ela foi interrompida por uma frase minha — Tá brincando comigo, né? — ela me olhou confusa — Nós temos um maluco com um martelo, uma louca com ferrões, um fortão com um frisbee, uma maconha em forma de garota, dois imbecis com roupa de lata, um n***o com asas e, você acha, que uma garota enguia elétrica será demais para a família? Me poupe, Elena. Sua falta de fé em nós, chega a ser ofensiva. Nesse momento, vi seus olhos brilharem e eu sorri, despertando um sorriso nela também. A abracei apertado, sentindo seus braços envolverem meu corpo e sua cabeça recostar em meu peito. Beijei sua testa de forma carinhosa e fechei os olhos, ignorando todos os presentes. — Eu sou a maconha em forma de garota? — ouvi a voz de Wanda — Por que eu não ganhei um apelido? — ouvi Visão contestar E L E N A     S T A R K Me encarei no espelho, pensando seriamente em desistir. Os Vingadores foram para uma missão em Cuba e eu fiquei sozinha nesse imenso Complexo. No momento, Pepper está na Stark Enterprises, resolvendo algumas pendências. Eu tô me encarando, pronta para ir clandestinamente em um pub numa área mais isolada de Nova York. Não queria fazer isso. Ash disse que eu precisava relaxar e tentar esquecer um pouco a dor. Não faríamos nada demais. Apenas tomaríamos refrigerante, ouvindo um pouco de rock ao vivo. Que m*l tem? Há uma semana que estou trancada nesse Complexo gigante, sem interagir com mais ninguém além dos Vingadores. Eu vou sim. Por mais que seja errado e meio perigoso, agora que o mundo todo me conhece. Passei as palmas das mãos na calça, tentando evitar o suor de culpa e saí deixando um bilhete, dizendo a Pepper que Ash havia vindo passar uns dias em Nova York com a avó e que eu não iria demorar a voltar. Quando o táxi estacionou na porta do pub, eu desci do carro torcendo para não ser reconhecida, já que agora eu sou uma personalidade pública. Soube que tem uma galera se matando pra ter uma foto minha e que tem um povo pagando milhares de dólares por isso. Eu estava nervosa, quase desistindo, quando avistei Ashley e Nathan do outro lado da calçada, caminhando até mim. Eu franzi a testa, tentando imaginar o que meu primo universitário estava fazendo com minha amiga do colégio, mas sorri assim que os dois me abraçaram em conjunto. — Vamos nos divertir um pouco. — Nathan sorriu e nós entramos, sem esforço algum, no pub perto do Bronx O som estava alto e um cara fazia um solo de guitarra no pequeno palco. A galera estava agitada. Pegamos refrigerantes e ficamos apenas ouvindo o som, dançando e sorrindo. As vezes, berrava as letras das músicas. Outras vezes, apenas balançava a cabeça, no ritmo. — Vou pegar mais refri pra gente. — Nathan gritou para que nós escutássemos e saiu — Vamos no banheiro comigo? — Ashley disse perto do meu ouvido — Ah, mas eu amo essa. — disse quando ouvi os primeiros acordes de You Could Be Mine, do Guns N'Roses, começando — Ok. — ela ri —Eu preciso muito fazer xixi. Quando Nathan voltar, avise que fui. — saiu, me deixando ali, sozinha Fechei os olhos e levantei os braços, berrando a letra da música. Comecei a gostar da banda quando ainda era jovem, minha mãe era apaixonada por eles. Me lembro de ter lido em um diário antigo que ela era apaixonada pelo Guns e Tony apaixonado por AC/DC. Ali dizia que isso os unia ainda mais. Senti braços envolverem minha cintura e me virei rápido, tendo a visão do loiro que estava atrás de mim, com um sorriso b***a na cara. Respirei aliviada por ser alguém conhecido, mas fechei a cara. — Eu disse que a gente ia se esbarrar, Stark. — gritou para mim — O que você quer, Storm? — gritei brava, querendo que Nathan chegasse logo — Só vim te cumprimentar. Hoje, eu vim sozinho. Não sabia que você curtia um rock. — ele disse em meu ouvido para que eu escutasse, mas sabia que também estava me provocando — Não devia saber nada mesmo. — rebato — Pensei que você fosse menor de idade. — ele pegou na minha cintura, ao se aproximar mais — Sai, Johnny. — o empurrei fraco — Só quero ouvir música. — Vamos comigo até a frente do palco. O cabeludo tá arrasando na guitarra. — Outro dia, quem sabe. — sorri forçado e me virei para frente, de novo, curtindo o show — Ok! — sorri — EI, SEGURANÇA! TEM UMA PIRR... — eu me virei as pressas, tampando sua boca com a mão e contendo seus movimentos — Jogo sujo, Johnny. — o olhei brava e o soltei — Vamos. — ele foi me puxando e eu apenas fui com ele — Quer beber algo? — Meu primo foi buscar um refrigerante. — Fala sério, Stark. Beba algo decente. — ele riu pegando uma garrafa de uísque em uma mesa que parecia ser sua e encheu o copo para mim — Não, valeu. — recusei, sentindo o suor nervoso começar a brotar na minha testa — Qual, é? — faz uma careta — Só um copo. — insiste — Ou você não aguenta? Nesse instante, tive vontade de descarregar uma boa carga de energia em Johnny, mas me contive e tomei o copo de sua mão, virando com rapidez, sentindo o líquido rasgar minha garganta. Me lembrei do dia do incidente, onde Nathan curou minha ressaca e fez desse o nosso segredo, mas eu gostava. Não sei, tinha algo na minha mente que pensava em bebida toda vez que eu ficava triste. Com o passar das músicas, parei de torcer para que Nathan chegasse logo e os copos foram ficando mais cheios e se esvaziando com mais rapidez. Eu já dançava alegre com Johnny e o mesmo ria muito alto e sem parar. Um perfeito i****a. Aliás, perfeito mesmo. Seu rosto bem desenhado, olhos azuis, músculos bem desenhados sob a jaqueta de couro marrom. Um perfeito bad boy para mim e para tantas outras que o olhavam. De repente, ouvi Show Me How to Live, do Audioslave, começar a tocar e virei outro copo com rapidez. Aquela letra nunca me tocou tanto, como naquele dia. Fechei os olhos e deixei o álcool me embalar. Naquela altura, eu já não era dona dos meus atos. Mexi o corpo cantando a letra e senti a vodca, o uísque, a tequila e o martíni se misturarem em meu estômago. Por um momento, achei que vomitaria, mas não vomitei. Apenas fechei os olhos de maneira apertada e berrei a letra da música, sentindo como se um monstro se libertasse e o peso da dor da perda, saísse de mim. Berrei com todas as minhas forças, na parte final da música, sentindo a cabeça pesar e o estômago apertar. Cambaleei para frente e senti os braços de Johnny envolverem minha cintura. — Acho que você bebeu demais. — Sem essa, Storm. — ri tentando me soltar dele — Seu pai vai me m***r. — ele disse com os dentes cerrados, tentando me fazer ficar parada, o que era impossível, já que a batida de uma música agitada do AC/DC começava a me consumir — Elena! — ouvi alguém me chamar e vi Nathan ao lado de Ashley. Sorri e passei o braço pelo pescoço do Johnny, virando outro copo de tequila — Agora ferrou de vez. — ele disse enquanto tirava o copo da minha mão — O que você fez com a minha prima? — as narinas de Nathan se dilataram, conforme ele respirava forte — Olha só, ela bebeu demais e precisamos levá-la pra casa, ok? Deixa as brigas pra depois. — senti Johnny me tirar do chão e eu dei un gritinho animado — Vamos! P E P P E R     P O T T S Já se passavam das duas da manhã e nada de Elena chegar. O celular só dá caixa postal e ela nem respondeu uma mensagem minha. Eu só conseguia pensar em duas coisas: 1° – Tony vai me m***r! 2° – Onde essa garota se meteu? Fui surpreendida por um barulho de carro e, logo a porta se abriu. Sorri nervosa, achando ser Elena, mas meu sorriso deu lugar ao pânico, quando vi Tony e os Vingadores passarem pela porta aos risos. Engoli seco e tentei trocar de expressão o mais rápido possível. Que diabos está fazendo aqui? — Oh, meu amor. Acordada à essa hora? — Tony sorriu para mim e me abraçou — Ah, é. — ofeguei — Pois é. Elena e eu estávamos vendo um filme. — gaguejei ao mentir. m***a! Por que minto tão m*l? — Ótimo. — ele sorri — Cadê ela? — Foi para o quarto agora. — Quero mostrá-la o que trouxe de presente. — Wanda sorriu animada e, ela e Natasha caminharam indo ao quarto da mais nova — Não! — acabei gritando de forma aguda e nervosa — Por que não? — Nat me olhou — É... É que... — me compliquei — Pepper! O que está acontecendo? — Tony me olhou sério e eu suspirei derrotada — Ai, tá. Eu precisei ir na empresa e, quando voltei, Elena não estava. Tinha um bilhete dizendo que Ashley estava na cidade e que não demoraria, mas até agora, não voltou. — soltei tudo de uma vez, vendo todos me olharem espantados — Já tentou ligar? — Steve me olhou sério — Só dá caixa postal. — Então ligue para a amiga dela, ué. — Sam olhou para Tony, que puxava o celular do bolso e teclava duramente — Fora de área. — ele disse após cinco segundos com o celular na orelha — Mas que m***a! — ele gritou nervoso — Calma. — Sam pede — Elas não se vêem há algum tempo e Elena precisa de carinho. Devem estar batendo papo. — tentou confortá-lo Ouvimos barulho de carro e, logo, um Porsche com o teto aberto apareceu. Elena berrava uma música, de pé no banco, enquanto Johnny estacionava e a amiga tentava acalmá-la. — Storm! — Tony rugiu furioso e saiu pisando firme, fazendo todos irem atrás dele Elena estava visivelmente embriagada. O cheiro do álcool nos alcançava a cada vez que o vento soprava. Seu primo, Nathan, tinha cara de preocupação, ao ampará-la e a amiga, Ashley, parecia nervosa e com medo, ao olhar a face furiosa de Tony. — O que fizeram com minha filha? — Tony cerrou os dentes e Johnny arregalou os olhos, assim que Elena se curvou e começou a vomitar
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