T O N Y S T A R K
Saí do quarto de Elena na ponta dos pés. A mesma dormia profundamente e, as vezes, suspirava. Foi uma cena de horror ontem, vê-la vomitar tanto. Pepper, Natasha e Wanda deram um banho frio nela e eu a fiz beber quase um litro de café, deixando-a tão agitada que ela demorou muito a dormir.
Será que isso vai sempre me perseguir? Meu pai tinha problemas com bebida, eu tinha e, agora, Elena também terá?
Entrei no quarto em silêncio, pois Pepper parecia tranquila em seu sono. Eu apenas tirei a roupa suja e fui tomar um banho. Estava exausto. Não fechei os olhos essa madrugada, com medo de que Elena passasse m*l e sufocasse no próprio vômito.
Quando voltei pro quarto com a toalha na cintura e secando o cabelo com uma toalha de mão, vi Pepper sentada na cama, ainda coberta. Parecia pensativa.
— Bom dia. — ela sorriu
— Só se for pra você. — me coloquei em frente ao espelho, para avaliar minha barba
— Fala sério, Tony. — resmunga — A menina escorregou uma vez e, se bem conheço Elena, ela vai se odiar por isso. Sim, o fato de ela ter ingerido álcool é preocupante e devemos ficar de olhos abertos, mas não precisa ficar paranóico.
— Johnny sabia o que eu faria e, ainda assim, a embebedou. — rosnei e me lembrei de ontem
— Senhor Stark, eu apenas levei minha prima para ouvir música. — Nathan se explicou — Fazíamos isso sempre e nunca houve nada disso. Elena sumiu no oub e eu a encontrei com esse b****a loiro.
Sorri fraco ao lembrar do gancho de direita de Nathan, no queixo de Johnny, mas neguei com a cabeça, afastando o pensamento e voltando à realidade.
— Tony, o erro dela só durou uma noite. — tenta me consolar — Não é como o seu que durou por anos.
— Mas começou numa noite, com meu pai. — eu a olhei sério, enquanto vestia uma camisa — Não entende, Pepper? Isso me assombra. Me perturba. Não posso nem imaginar que esse... Esse m*l Stark atinja Elena. — suspirei derrotado e Pepper se pôs ao meu lado — Ela acabou de perder a mãe e está vivendo com um bando de desconhecidos. Isso é mais que motivo pra encher a cara.
— Elena é uma jovem muito forte e vai superar essa. — Pepper sorriu para me confortar e eu virei, agarrando-a e tomando sua boca
O Complexo estava silencioso. Com certeza, o grupo todo estava dormindo, ainda, se recuperando da missão e da cena da madrugada.
Me sentei à mesa, após ajudar Pepper a arrumá-la e comecei a comer, devagar, tentando imaginar como seria quando Elena acordasse.
Nem precisei fazer muito esforço, já que passos arrastados foram ouvidos e ela apareceu pálida na cozinha. Os cabelos num nó que só e os pés descalços faziam barulho no piso, a cada vez que eram arrastados.
Olhei para Pepper e ela me lançou um olhar que dizia para que eu me mantesse calmo. Parecia que Elena não estava enxergando, passou pela sala feito um zumbi, tropeçando nas coisas e se pôs na cozinha. Abriu a geladeira e pegou uma caixa de suco, enchendo um copo grande e o virando com rapidez. As mãos estavam trêmulas e ela parecia tonta.
Se abaixou e ficou um tempo assim. Parecia pensativa. Fiquei um tempo olhando, até que ela rugiu e deu com a testa contra o balcão, com força. Repetiu o movimento algumas vezes e logo caiu no choro. Pepper me olhou e eu pigarreei ao me levantar. Havia chegado a hora de ser pai, mais uma vez.
E L E N A S T A R K
Acordei com uma dor no estômago que parecia ter fogo nele. Me levantei de olhos fechados e tropecei nos sapatos do meu pai, que me fizeram cair.
O que aquilo fazia ali?
Não tive tempo de pensar, apenas corri pro banheiro e vomitei mais uma rodada de suco gástrico.
Cheguei na cozinha me arrastando e pude notar meu pai e Pepper tomando café. Não olhei diretamente, mas pude perceber que ele estava arrumado, como se fosse sair. Aliás, ele estava sempre bem arrumado.
Tomei um copo cheio de suco de laranja e me debrucei sobre o balcão, fechando os olhos por um momento. Lembrei de algumas coisas de ontem e senti vergonha.
Nojo!
Minha mãe se envergonharia muito se me visse naquele estado. Creio que a Elena de ontem foi contra tudo de bom que minha mãe disse pra Tony que eu era.
Comecei a dar com a cabeça no mármore do balcão e as lágrimas chegaram aos meus olhos, saindo junto com soluços altos. Eu decepcionei meu pai. O único cara que me acolheu. Meu único parente vivo.
Senti braços me envolverem, me impedindo de repetir o golpe e, entre lágrimas, vi meu pai lá. O agarrei com força, forçando-o a me abraçar.
— Pai, desculpa! — peço chorando — Me perdoa, eu juro que nunca fiz isso antes. Por favor, me perdoa!
— Sh! Calma. — ele me apertou em seus braços — Vai ficar tudo bem, agora.
***
Chegamos ao edifício Baxter, após meu pai receber uma ligação de Reed. Eu não fazia ideia do motivo de também estar ali, mas eu estava. Quando o elevador se abriu, mostrando Sue, Ben e Reed, apertei minha jaqueta em meu corpo e forcei minhas pernas a andarem para frente. Eu sabia que estava podre, visualmente, com olheiras e o rosto inchado.
Thor estava ao meu lado e pareceu notar minha tensão ao colocar a mão em meu ombro, num gesto de conforto. Eu me sentia estranha no meio de tantos heróis.
— Boa tarde, Vingadores. — Reed disse com sua voz passiva um tanto trêmula
— Boa tarde. — o grupo respondeu, mas eu permaneci calada
— Isso. — ouvi uma voz familiar — O mais forte que você tiver aí. Minha ressaca está me matando. — vi Johnny vir com o telefone no ouvido — Certo. Olá, Stark. — ele me cumprimentou ao desligar
—Arg! — revirei os olhos, ignorando o cumprimento e olhando para o quadro na parede, com as mãos nos bolsos da jaqueta
— Fiquei sabendo do ocorrido. Aceite minhas desculpas. — Sue olhou para meu pai
— A culpa não é sua. — eu a olhei séria — Johnny já é um homem. Quem me deve desculpas, é ele e não você. — um silêncio se fez
— Ah, qual é? — ele ri — Você aceitou, gatinha. Não se faça de inocente.
— Vamos discutir o que temos que discutir ou ficaremos falando da insanidade do Johnny? — Steve rosnou — Sinceramente, tenho coisa melhor pra fazer.
— Certo. Chega de blá blá blá. — Ben disse e foi entrando na sala, sendo seguido por todos nós
A mesa era ampla e eu me sentei entre Thor e Wanda, vendo meu pai ficar em pé atrás de nós e Steve se sentar em minha frente, me encarando sério. Eu pisquei algumas vezes, me sentindo constrangida e passei a fitar Susan e Reed que estavam de pé na ponta da mesa, nos olhando.
— Victor está de volta. — Reed anunciou
— Esse cara não morre nunca? — ouvi Sam resmungar
— Quem é Victor? — Natasha o olhou séria
— Victor Vondoom é o inimigo do Quarteto Fantástico desde a formação. — Sue explica — Ele também foi atingido pela nuvem e se transformou no Doutor Destino.
— Ah, sim. — Rhodey diz — É aquele maluco com poderes elétricos, não é? Ouvi falar dele, uma vez.
Ergui um dedo, como se estivesse na escola, pedindo permissão pra falar.
— Ah, desculpa, mas isso não é assunto restrito? — franzi o cenho — Quero dizer, de herói para herói? O que eu faço aqui? — olhei para eles, que olharam para meu pai e eu me virei, vendo o coroa andar de um lado para o outro. Eu voltei minha atenção à eles
— Seus poderes são similares. — Reed me olhou — Achamos que...
— Ah, pera aí! — eu o interrompida incrédula — Meus o quê? Anthony! — me virei para encará-lo e ele parou — Era um segredo!
— Reed é o melhor cientista que conheço. Cho pediu ajuda a ele, para estudar seu DNA e seus genes mutantes. — ele disse me olhando
— Ah, então agora, todos sabem? — ergo uma sobrancelha
— Pera aí, ninguém me disse que nossa salvação seria a pirralha Stark. — Johnny se pronuncia
— A pirralha que você embebedou e quis beijar, lembra Johnny? — o olhei irônica — Por isso que está com o queixo quase pendurado.
— Aquele seu primo me pegou desprevenido. — se desculpa
— Podre de bêbado, você quis dizer, não é? — Sam provocou e eu o olhei, sorrindo, agradecendo mentalmente por estar do meu lado
— Qualquer um ganha dele. — Thor, com sua risada dramática
— Pera aí. Tentou beijá-la? — meu pai o olhou — Seu pedófilo, filho de uma...
— Gente! Vamos focar! — Sue disse mais alto, tentando pôr ordem na bagunça — Precisamos de ajuda. E, nossa ajuda, depende de Elena. — eu me virei rapidamente para encará-la
— Como assim de mim? — arregalei os olhos
— Ele está construindo um Destinobô gigante para lutar contra nós. Não podemos com isso, criança. — Ben explicou
— E vocês acham que eu posso? — o olhei assustada
— Ótimo! — Johnny resmungou — Nosso destino nas mãos de uma bêbada de dezessete anos.
— Isso é um absurdo. Ela é ainda é uma menina. — Steve, pela primeira vez, abriu a boca para se referir a mim
— Tá. — Rhodes pondera — Uma menina que tem poderes. E, apesar de ontem, ela mostrou ter bastante amadurecimento. — disse fazendo Steve direcionar seu olhar incrédulo a ele
— Tony, você sabia disso? — Nat o olhou e ele a olhou sem dizer nada
— Eu liguei para Tony e expliquei a situação. — Reed explicou
— Eu posso ajudar. — Wanda se pronunciou
— Nós precisamos dela para descarregá-lo e desarmá-lo. — Reed explicou mais uma vez
— Tony, vai deixar eles fazerem isso? — Natasha o olhou séria
— Ela é a única salvação deles. Mas que m***a! Não me olhem assim. — ele se referiu a Sam, Steve e Nat, que o olhavam feio
— Gente, pera aí! Vamos ser adultos e raciocinar. — esbravejei
— Olha quem fala. — ouvi Johnny resmungar e Wanda chutou o encosto de sua cadeira — Ei!
— O que você acha? — olhei para Anthony
— Acho que você tem capacidade para isso, embora esteja despreparada para batalha. Além do mais, eu estarei presente e você só terá que desarmá-lo. — ele explicou
— Fala sério, Tony. — Steve revirou os olhos
— Eu acho que ela precisa de um tempo. — Sam me olhou e eu o encarei — Nada pessoal, Lena, mas você acabou de perder sua mãe e está vivendo uma adaptação ainda. Está conosco há quinze dias e já vai se envolver em situações assim?
— Eu me envolvi numa batalha no primeiro dia com vocês. — Wanda o olhou
— É diferente, você já lutava antes. E, se bem me lembro, foi você quem começou tudo. — Steve a olhou
— Acho que sua memória de velho está afetada, porque quem começou tudo foi Tony, ao querer por uma armadura em volta do mundo. — ela retrucou
— Você poderia ter impedido. — Nat a olhou
— Chega! — ouvi a voz grave de Thor e todos se calaram — Alguém aqui se importa com o que Elena acha disso?
— Ah, obrigada. — fiz sinal de positivo com os polegares — Finalmente alguém pensou em mim.
— Sinceramente, acho que conseguimos sozinhos. — o ego de Johnny falou mais alto
— Nós não conseguimos, Johnny. — Reed o olhou
— Quer arriscar a vida da sua equipe de novo, por causa do seu ego? — Nat o olhou sério
— Victor vai atacar a cidade em 48 horas. — Reed disse com seu tablet em mãos
— O que você acha, Elena? — Sue me olhou, como quem suplicava com o olhar e eu pisquei um pouco, assimilando
— Certo. Só... Me passem as coordenadas. Eu faço qualquer coisa. — me levantei — Com licença. — caminhei para fora da sala e fui até a sacada
O edifício Baxter era alto e o vento soprava em meus ouvidos.
Precisava pensar e a vista era linda. Uma cidade toda iluminada pela pouca luz do fim da tarde.
Respirei fundo, trazendo o ar para meus pulmões.
Eu seria uma Vingadora, agora? Ou seria o Quinteto Fantástico?
Minha cabeça fervia de idéias e expectativas. Estava nervosa.
Ao mesmo tempo em que estava morrendo de medo, também sentia que precisava fazer algo pra limpar a imagem péssima que deixei ontem.
— Sinceramente, ainda acho que você não está pronta. — ouvi a voz de Steve, mas continuei olhando a cidade
— Depois de ontem, ninguém mais confia em mim. — dou de ombros
— Vai muito além disso, Elena. É que... Se te acontecesse algo... — ele suspirou — Olha pra mim. — eu revirei os olhos e virei, olhando-o — Ninguém tá aqui porque escolheu.
— Você escolheu ser um experimento, Sam escolheu continuar com as asas, Tony construiu e evoluiu a armadura para ser um herói, Wanda se ofereceu num experimento. — ele sorriu de lado
— Ok! — se rende — Talvez alguns de nós tivemos essa chance, mas você não precisa escolher isso. Elena, se te acontece alguma coisa, Tony ficaria magoado ao extremo.
— Não vai me acontecer nada, sabe por que? — cruzo os braços — Porque você estará lá e Anthony estará lá. Tenho certeza que dão conta do recado. — sorri fraco e ele deu de ombros, olhando a paisagem
— Isso não tira minha preocupação.
— Relaxa aí, velhinho. — beijei sua bochecha e voltei a olhar a paisagem
— Não pode esconder seu medo de mim. — ele comenta — Sei que está insegura, depois de ontem.
— Minha mãe sempre me disse que, se você tem a chance de fazer alguma coisa pelo próximo e não faz, então você é cúmplice das barbaridades maldosas do mundo. — murmuro — Não quero ser cúmplice do genocídio do povo de Nova York. Se eles só têm a mim, então eu me tornarei o suficiente pra eles.
— Você é mais que o suficiente. — diz me olhando e eu engulo em seco, sem jeito
***
— De novo. — ouvi a voz de Natasha e me levantei, levantando a guarda
— Você é rápida. — falei ofegante
— Você também será. — ela disse me rodeando
— Devagar com ela, Nat. — meu pai gritou do lado de fora do tatame improvisado
Senti Nat pegar meu braço e tentar me por pro chão, mas eu a puxei e, num giro, passei minhas pernas por seu pescoço, fazendo nós duas cairmos no chão. Apertei seu pescoço numa chave de braço e ela bateu na minha perna, pedindo para que eu a soltasse.
— Isso foi bom. — ela disse se levantando e me oferecendo ajuda para levantar
— Fiz jiu-jitsu quando criança. — me gabei e me levantei
— Em chamas! — ouvi Johnny gritar e vi o furacão de fogo passar por mim, me derrubando
— Nem vem, cabeça de fósforo. — gritei e lhe lancei uma carga elétrica fraca que o derrubou no chão
— É a minha garota! — meu pai disse e todos riram ao ver o chamuscado no chão
— Ok! — Nat resmungou — De novo! — ordenou dura