E L E N A S T A R K
— Certo, Elena. Força total. — consegui ouvir a voz de Reed pelos alto-falantes da cabine
— Ok! — gritei de volta e me concentrei
Fechei os olhos e respirei forte, me esforçando para fritar uma armadura antiga do meu pai. Ergui as mãos na direção da Mark4 e concentrei força total. Após meio minuto, consegui desmontá-la e fritá-la inteira sem desmaiar ou acabar com a luz do edifício inteiro.
— Yeah! — gritei animada
— Isso aí, garota! — ele me elogiou — Excelente trabalho. Conseguiu reduzir bastante. — saí da ampla cabine e vi todos sorrindo e suspirarem aliviados, enquanto Reed e Sue vinham até mim
— Como se sente? — Susan botou o estetoscópio em mim
— Estou bem, sério. — sorri
— Sinais vitais ótimos. — senti algo apertar meu pulso e vi o medidor de Reed
— Pressão arterial boa. — ele concluiu — Ela tá pronta. — ele avisou
— Não totalmente. — Natasha me olhou e eu olhei de volta
— Precisa de um intensivo, para se tornar uma Vingadora.
— Ow! — Tony interfere — Ela não será uma Vingadora. — olhou sério — É um único serviço. Apenas uma ajuda.
— Sei. — ela sorriu debochada
— E se ela gostar? — Wanda o olhou
— Vamos esperar, ok?
— Certo. — murmurei — Do que disse que eu precisava, Romanoff? — a olhei e ela lançou um olhar vitorioso à Tony, para depois me olhar
— Treinamento Vingador. — ela sorriu vitoriosa
— Certo. — concordei — Quero um treinamento igual ao deles.
— E você terá. — Steve me olhou sério e saiu do laboratório
***
— Até que serviu bem. — Sue sorriu ao me ver sair do banheiro com seu uniforme antigo, sem o logo do Quarteto
— É, não tenho o seu corpo, mas está bom. — ri me olhando no espelho
— Ah, mas eu engordei bastante na gravidez. Tanto de Franklin quanto de Valéria. — ela sorriu
— Seja lá o que você tenha engordado, você perdeu. Pode acreditar. — Wanda riu
— Vai lutar de cabelo solto? — Pepper me olhou
— Sim — confirmei ainda me admirando no espelho
— E se o seu cabelo cobrir seu rosto? — Johnny me olhou
— Hm, verdade. — digo puxando o elástico preto do meu pulso e prendendo o cabelo num r**o alto
— Vamos. — Sue sorriu — Não tenha medo, você é incrível. — me encorajou
Quando cheguei no centro da sala, o tatame havia sido retirado. Agora, seria pra valer.
Steve usava seu uniforme — sem o capacete — e carregava seu escudo em punho. Nat usava um de seus macacões de couro, meu pai estava com armadura e Visão estava em transformação de batalha.
— Sério? — franzi o cenho — Eu contra Os Vingadores?
— Relaxa que vai ser um de cada vez. — Nat sorriu
— Não se esqueçam de mim. — vi Johnny aparecer uniformizado e revirei os olhos
— Ok! — suspiro — Quem vem primeiro?
Vi meu raio passar por Visão e atingir a parede isolada. Suor descia pela minha testa e eu sentia o macacão colado colar mais ainda em meu corpo.
Meu primeiro adversário já estava me dando trabalho.
Olhei para o lado e vi a mesa de Reed isolada num canto, para dar mais espaço. Pensando rápido, magnetizei a mesa e a trouxe na direção de Visão, que se distraiu e virou para desfazê-la com a Jóia Da Mente. Aproveitei esse momento e lhe acertei um soco com o punho fechado e com eletricidade, derrubando-o.
— Próximo! — gritei ao me afastar andando de costas
— Pensa rápido, Stark! — a voz firme de Steve me alcançou
Me virei, vi Cap correr em minha direção e desviei de seu escudo, vendo-o passar por mim quase raspando em minha pele. O magnetizei e o puxei, jogando contra seu dono. Ele se desviou e já chegou perto de mim me atacando com golpes firmes e precisos. Bloqueei todos e soquei a maçã de seu rosto, vendo o mesmo cambalear e me olhar. Sacudi a mão direita.
— Picolé, acho que você ainda tá congelado. — senti uma leve dor nos ossos da mão
Ele veio pra cima de novo, com seus golpes militares e precisos. Alguns passaram por meu bloqueio e, um, me jogou pra trás, fazendo-me cambalear meio tonta.
— Rogers!
Meu pai gritou para contê-lo, mas eu lhe dei uma voadora e Steve caiu de bruços no chão, ficando ali mesmo.
— O que que há, velhinho? — sorri e cuspi o sangue que saía da minha boca, graças a um pequeno corte que pude sentir com a língua
— Proteja a retaguarda, enguia elétrica!
Foi só o que ouvi antes de cair de costas no chão, piscar e sentir as pernas de Natasha envolvendo meu pescoço e imobilizando meu braço esquerdo. Comecei a me debater, tentando sair e ela sempre apertando mais. O ar já escapava das minhas narinas, dificultando a chegada até os pulmões.
Raciocinar? Fala isso pro meu cérebro, que insiste em se concentrar na dor que estou sentindo.
— Romanoff! — reconheci o grito grave de Thor
— Solte-a agora! — ouvi a voz do meu pai ecoar, por conta de sua armadura
Ela não me soltou. Muito pelo contrário. Ela me apertou ainda mais. Ouvi ordens vindas de Steve, para parar, mas isso não a parou. Deus, dê-me uma luz! Pera! Eu pensei luz? É isso! Luz! Energia!
Fechei os olhos, inspirei fundo e me concentrei. Senti meu corpo todo tremer e ouvi o grito de Natasha, mas ela não me soltou. Aumentei a carga elétrica. À essa altura, eu era um bastão de luz na ampla sala. Energia passando pelo meu corpo e jogando Romanoff contra a parede.
Ainda com o campo de energia em minha volta, me ergui sobre os joelhos e, ofegante, lancei-lhe uma rajada de energia, que foi contida por um campo de força de Sue. Acho que me concentrei demais.
— Desliga, Elena! — Sue gritou e eu relaxei no chão, completamente ofegante e cansada
— Isso foi bom. — olhei para o lado e vi Natasha sorrir para mim, com o lábio sangrando
— Valeu. — soprei a palavra e me levantei com a ajuda de Steve
— Você está bem? — ele disse segurando meu braço
— Sim. – disse apoiada a ele, já de pé — Próximo? — olhei para os heróis e vi meu pai se aproximar, com a cabeça de fora da armadura
— Não vou te bater, ok? Só quero que use seu campo eletromagnético para se defender e absorver os raios. — ele explicou e eu assenti com a cabeça, vendo Steve se afastar — Pronta? — ele colocou o capacete da armadura
— Pronta. — confirmei me posicionando
— Lá vai.
Ergui o campo de força e Tony começou a me lançar seus raios. Eu sentia um certo tremor, mas ainda permanecia intacta. Eu estava cansada. Muito cansada.
Após treinar com meu pai, foi a vez de Johnny. Ele voou em chamas na minha direção e eu ativei o campo eletromagnético, derrubando-o e eletrocutando-o.
— Eita, cabeça de fósforo! — Sam fez uma careta — Parece que você perdeu.
— Ok, por hoje, é só. Ela precisa descansar. — ouvi a voz de Reed dar um fim no treinamento e eu me joguei no chão — Elena, pode ir descansar. Sue preparou um quarto para você.
— Eu tô bem. Eu... Vou ficar por aqui. — falei exausta, já de olhos fechados, sentindo o cansaço me vencer
Senti alguém mexer em mim e me erguer nos braços, mas eu estava cansada demais para saber quem era. Apaguei no primeiro instante.
S T E V E R O G E R S
Após colocar Elena na cama, tomei um banho e saí de moto pela estrada. Eu precisava pensar e conversar com alguém. Alguém que me entenda.
Abri a porta do quarto e, lá estava ela, Peggy Carter. Um amor antigo, uma grande amiga, meu único ponto de paz ainda vivo.
— Oh, Steve! Você veio. — ela sorriu debilitada, já pela velhice que estava — Você está mesmo aqui.
— Sim. Eu disse que viria, não disse? — sorri e segurei sua mão que parecia frágil
— Achei que estivesse ocupado.
— Nunca estarei ocupado demais, para não cumprir uma promessa para a minha garota. — sorri e acariciei sua mão
— Como você está? Faz alguns dias que não aparece.
— É. — suspirei — Tive uma missão em Cuba e estou em outra, agora.
— Algo sigiloso? — franze o cenho
— Oh, não. — a tranquilizo — É que o Quarteto Fantástico precisa de ajuda. Elena vai ajudar. Imagine só, Elena é uma mutante.
— Quem? — ela me olhou
— Elena. Não se lembra dela? Eu te falei sobre ela antes de Cuba, na semana passada. — ela franziu a testa, tentando se lembrar. Suas memórias recentes, às vezes, se perdiam
— Ah, sim. A filha de Tony. — ela confirmou e fiquei feliz por ela lembrar — Mas, como assim? Como descobriram isso?
— Lembra que eu vim te ver, mas logo fui embora, porque um temporal estava por vir? — ela me olhou, mas não tive certeza se lembrava — Naquele mesmo dia, de noite, ela salvou minha vida. Um raio iria me atingir, mas ela o absorveu. Ela tem genes mutante ativo.
— Oh, minha Nossa! — ela se espantou — Na minha época, não tive contato com essas coisas. Não com muita facilidade. Eram casos isolados.
— Bom, o Doutor Destino está ameaçando a cidade e ela ajudará o Quarteto contra ele.
— Ela é só uma menina, Steve.
— Eu sei, Peggy. — me sentei na poltrona ao lado de sua cama, sem soltar sua mão — Mas, não temos escolha.
— Os Vingadores vão lutar?
— Iremos apoiar e ajudar a evacuar a área. O robô do Vondoom é grande. Algo perigoso. Nós cuidaremos para que a área seja isolada e para que nenhum civil seja atingido.
— Oh, meu Steve. — ela sorriu e acariciou meu rosto — Sempre lutando em prol de civis. — seu sorriso cessou — Precisa se aposentar, meu velho.
— Fisicamente, pareço ser seu neto. — eu sorri e ela deu uma risada fraca, suspirando
— Cadê aquele Steve que queria uma família?
— O mundo precisa de mim, Peggy. — pus minha mão em cima da sua, ainda em meu rosto e trouxe para meus lábios, beijando-a
— Me conte as novidades. — ela sorriu
— Nenhuma. — dei de ombros e suspirei
— O que é isso em seu queixo? — ela passou o dedo pelo fino e leve corte que Elena deixou no meu queixo. O corte já estava quase cicatrizado, graças ao meu soro
— Elena tem o pé pesado. — sorri
— Já brigaram? — ela ri
— Foi no treinamento. — sorri ao me lembrar do momento em que sofri o golpe
— Você sempre sorri ultimamente. — comenta — Como ela é?
— Não sei como descrevê-la. — faço uma careta pensativa — É uma adolescente.
— Uma adolescente chata? — faz careta
— Não. — n**o rindo — Ela é gentil, engraçada, sarcástica, madura. É uma ótima pessoa.
— Seus olhos brilham quando fala dela. — ela sorriu cúmplice para mim
— É. Ela nos faz bem. — completei sorrindo