Pré-visualização gratuita 1. CAPÍTULO
•DYANA BELL•
Eu sempre me senti deslocada em meio aos amigos da minha irmã mais velha.
Não conseguia me identificar ou até mesmo elaborar uma conversa de que eles iriam se
interessar.
Mas, ainda assim, continuava indo aos encontros no meio do nada, na floresta mais escura de Starfall, minha cidade natal.
Aos sábados, todos eles se reuniam e faziam uma fogueira na parte mais afastada do centro urbano, enquanto ouviam músicas de banda metal.
Eu não era careta, mas, sinceramente, quem e que aguentava ouvir esses gritos o tempo inteiro? Lorena gostava de estar no meio de tudo aquilo, contudo, eu só comecei a participar do seu ritual de saideira depois do meu aniversário de 16 anos ordens dos nossos religiosos pais rígidos desde então, já fazia mais de um ano que era arrastada
para lá e para cá.
Minha irmã sempre foi atenciosa e protetora.
Eu acho que ela tinha medo de que eu não
soubesse ficar sozinha, mesmo que isso nunca tenha sido um problema para mim.
No mundo dela, querer ficar sozinha era quase o mesmo que gritar: "Eu tenho depressão e quero cortar os meus pulsos", quando, na verdade, tudo o que eu queria era ser uma antissocial em paz.
Só que não dava para explicar isso para uma festeira de primeira mão igual a ela. Então eu ia às festas, pelo bem do seu lado materno para comigo e, também, para garantir que a minha adolescência não se resumisse a brigar na internet, mandar memes e ler livros de romance com protagonistas perfeitos.
Os olhos da minha irmã brilhavam toda vez que ela conseguia me arrastar para fora do meu quarto com o destino a outra de suas "reuniões" de amigos.
Porém, hoje em particular, me arrependi de ter vindo antes mesmo de ter posto os pés aqui, tentar me adaptar à moda não funcionava muito bem quando se estava presenciando uma temperatura impiedosa vestida em uma minissaia jeans e uma regata branca tão fina que m*l cobria o meu sutiã.
O céu estava tomada pela cor rubro e a brisa gelada debandava todas as partes do ambiente, indicando uma grande tempestade.
Por esta razão, tentei manter-me o mais aquecida possível e me sentei no tronco em volta da fogueira.
Arrepios percorreram a minha pele à medida que as rajadas de vento atingia as minhas costas não cobertas pelo calor do fogo.
Havia, pelo menos, umas vinte pessoas nessa festa, e nenhuma delas parecia estar com tanto frio quanto eu.
De fato, a maioria estava mais vestida se comparados a mim, porém, ainda assim.
Não tendo muitas opções de agasalho, joguei o meu cabelo para trás, deixando que as longas madeixas ruivas me cobrissem e encolhi os ombros.
Ouvi passos bem próximos de mim e notei um amigo de Loren se aproximando.
Tentei não deixar óbvio, o meu olhar de desagrado e cravei os olhos na fogueira.
Não que eu o odiasse, apenas era difícil suportar a sua inconveniência em ser sempre insistente.
Quer uma cerveja, Dyana? Marcos ofereceu, encurvando o seu corpo alto em minha direção, ele ergueu a garrafa diante dos meus olhos com uma expressão maliciosa em seus lábios.
Me afastei discretamente, mantendo uma certa distância entre nossos rostos, para evitar um beijo "acidental".
Não, valeu. Não curto bebidas, sorri forçada, cansada de repetir esse mesmo dilema toda vez que ele me oferecia álcool.
Tem certeza? insistiu, a voz mais baixa agora.
Seus olhos escuros passearam pelos meus s***s e desceram pelo meu corpo até pararem sobre as minhas coxas. Desconfortável com a situação, tentei me cobrir com as mãos e o olhei sério, em uma advertência que foi propositalmente ignorada por ele.
Marcos continuava tentando me embebedar para que algum dia eu o enxergasse com outros olhos.
Uma linha de raciocínio não muito sábia, pois Lorena arrancaria o seu saco antes mesmo que ele tentasse qualquer coisa comigo.
Ele era moreno, corpo esguio e magro, tinha feições que o faziam parecer uns quatro anos mais novo do que realmente era, além do mais, agia como se tivesse uns 10, apesar de ter 21.
Tenho, já disse que não estou a fim garanti desinteressada e voltei a esfregar as mãos uma na outra à procura do calor, ignorando a sua presença.
Tudo bem então cantarolou risonho, não me virei para vê-lo ir embora, retomei a minha atenção para o que eu estava fazendo e percebi que já fazia alguns bons minutos que minha irmã havia saído de perto de mim e dos seus amigos para dar uns amassos em Kaio seu mais novo amigo colorido e até o momento não voltou.
Precisava me aliviar logo ou iria mijar na roupa.
Eu não era de beber álcool, porém em troca, me abarrotava em energéticos, o que por consequência, me faziam mijar a cada quinze minutos.
Rolei os olhos em volta da floresta, mas tudo o que encontrei foi um bando de adolescentes bêbados sacudindo o corpo como se estivessem sendo eletrocutados ao som de Psychosocial do Slipknot.
Continuei à procura de um rosto conhecido, até que finalmente encontrei a amigável amiga de Lorena sentada na traseira do seu adorável Opala.
Levantei-me depressa e andei até Claire, que depois de dançar horrores, por fim, decidiu observar a festança com o seu namorado Joshua, o qual se mantinha recostado confortavelmente entre as suas pernas.
Claire era a melhor amiga de Lorea desde os seus dez anos de idade.
Aonde uma ia, a outra também, então, se minha irmã não estava por perto, era ela quem me socorria.
Apesar de possuir um lindo e delicado rosto salpicado de sardas, não se podia deixar enganar por sua aparência.
A morena adorava dar uma de Dominic Toreto com carros, e fumava como se fosse uma chaminé ambulante e, por acaso, já a peguei com a boca em Joshua em um lugar muito público.
Cena esta, que eu ainda tentava esquecer.
Claire, tem algum banheiro químico por aqui perto? gritei, para que minha voz se sobressaísse à música alta e trancei as pernas em urgência.
Seus olhos azuis me olharam com uma preocupação excessiva e ela repuxou o canto dos lábios para baixo, em desânimo.
Poxa, Dyana não tem nada por aqui por perto sua doce voz estava grogue, mas, felizmente, ela ainda se mantinha consciente o bastante para continuar acordada.
Se estiver muito apertada, sugiro a floresta Joshua se pronunciou alto, em seguida levou o seu cigarro aos lábios, deixando à vista suas tatuagens na mão.
Seu olhar era sempre duro e sério, contudo, ele era um cara atencioso e gentil, longe do que sua aparência demonstrava.
Floresta? repeti desgostosa e senti um tremor percorrer todo o meu corpo, não sei se desta vez por frio ou por medo.
Já era um pouco mais de meia-noite, entrar na floresta agora seria um ato ou de desespero, ou de loucura.
Ou, no meu caso, de xixi, foi m*l, Dyana realmente não há outro lugar aqui por perto ele confirmou pesaroso e precisei contrair as pernas novamente quando minha bexiga implorou para ser esvaziada.
Queria poder rebocar Claire dali para me fazer companhia enquanto procurava por algum lugar, mas não queria ser inconveniente e nem a obrigar a cambalear pelo mato comigo.
E, muito provavelmente, seria eu a carregá-la por todo o caminho de ida e volta.
Um trabalho duplo do qual eu não estava muito afim.
Pega, use a lanterna do meu celular, Claire o estendeu para mim, Obrigada! Não sabia o que havia acontecido com o meu, mas desconfiava que Lorena o tivesse escondido em seu carro para que eu não tivesse que atender as milhares de
ligações de nossos pais a cada cinco minutos para confirmar que ainda estávamos vivas.
Mais tarde com certeza estaríamos de castigo e seria, em grande parte, culpa da minha irmã.
A outra parcela de culpa eu assumiria por ter concordado em vir.
Eu espero não me perder, suspirei nervosa, os dois riram. Só não vá para muito longe Joshua alertou, esfregando os dedos em seu cabelo desgrenhado.
Concordei num aceno e saí com passos largos.
Os pelos dos meus braços e pernas se eriçaram e meus dedos já estavam dormentes de tanto frio.
De vez em quando eu parava em algum canto, prendia o xixi e voltava a andar.
Eu não devia ter bebido tanto líquido sem antes não ter usado o banheiro quando ainda podia.
Odiava sentir vontade de fazer necessidades em lugares que claramente não eram adaptados para isso.
Afastei-me um pouco cada vez da multidão eufórica e barulhenta, tomando o cuidado de não esbarrar em ninguém até finalmente estar de encontro com o mato aberto, longe de todos.
A floresta era extensa e larga. cheia de lindas árvores robustas.
No entanto, algumas estavam mortas e com enormes galhos desordenados que arranhavam meus tornozelos e, de vez em quando, arruinavam meu cabelo, agarrando um punhado de fios.
Parei de andar somente quando já não ouvia mais sinal de música.
Apoiei o celular de Claire em um toco qualquer, me ajeitei em um cantinho e finalmente consegui soltar o xixi que prendi por horas.
A ideia de que alguém iria, a qualquer momento, pular do mato com um machado na mão me obrigava a mijar mais rápido. Acho que por estar sempre evitando festas e pessoas, passei tempo demais vendo documentários de assassinatos.
Me assustei quando um pingo ralo de chuva atingiu meu ombro.
Assim que terminei, sacudi os quadris, empenhando-me em fazer o melhor que podia para me secar sem papel.
A garoa voltou a cair cada vez mais rápido, em um aviso furtivo para que eu me apressasse antes de presenciar o temporal que estava por vir.
Enquanto isso, as folhas de árvores arranhavam o chão conforme o tempo se transformava e um estrondoso ruído estourou no céu, fazendo-me estremecer de medo.
Meu coração acelerou e precisei lembrar-me de voltar ao que estava fazendo, mas minha atenção foi roubada quando ouvi estalos atrás de mim, como se algo esmagasse os gravetos avulsos no chão.
Ainda agachada, virei a cabeça sobre os ombros.
Fui tomada pelo pânico ao ver uma figura masculina coberta pela escuridão aproximar-se em minha direção em passos pesados e curtos, parecendo investigar-me minuciosamente.
No mesmo instante, outro trovão estrondou, coincidindo com a tensão que acabara de se formar.
Por um segundo minha visão se turvou diante da silhueta alta e robusta parada a uma curta distância de onde eu estava. Senti minhas pernas bambearem.
Ai, caramba! Soprei trêmula e desatei a levantar num pulo. Puxei a minha saia e calcinha de uma só vez, o que acabara por deixar o tecido todo embolado, entretanto, era melhor do que continuar seminua.
O sujeito continuou estagnado, tão surpreso quanto eu.
Meu sangue parecia ter evaporado do rosto e minhas mãos soavam frias.
Ofegante, meu peito subia e descia ligeiro, enquanto cada fibra do meu corpo gritava: "PERIGO", embora continuasse parada, sem conseguir mover-me do lugar.
A tensão em meus músculos doía, contudo,
repentinamente, ouvi-o rir, deixando-me ainda mais confusa.
Mas que p***a como se falasse sozinho, ele riu, o timbre rouco e forte.
Ele deu um único passo à frente e isso bastou para que eu me tremesse por inteira.Q-quem é você? minha voz vacilou.
Percebi que ele trocou o peso do corpo de uma perna para a outra, nesse instante, um leve e quase inexistente vislumbre de luz, acertou uma pequena parte do seu rosto.
Eu poderia estar apenas imaginando, mas seria capaz de jurar que em torno de seus olhos havia linhas que mais parecem raízes escuras.
Depende murmurou, a entonação tão gélida que era quase possível perfurar a minha pele...Recuei um pouco....Depende? arregalei os olhos.
O chuvisco caia continuamente, molhando de pouco em pouco o meu corpo inteiro. Meus dentes rangeram um no outro e minha camiseta branca, se tornava cada vez mais transparente.
Eu preciso sair logo daqui, em um rápido movimento, peguei o celular de Claire e apontei o flash para o desconhecido.
Mas ele agiu rápido e cobriu o rosto ao ser atingido pelos feixes de luz diretamente em seus olhos.
Tá tentando me cegar, sua doida? Está drogado? acusei, franzindo a testa.
É claro que não ele reclamou, irritado, vem cá, que merda você está fazendo no escuro? Não é da sua conta, rebato, mais rígida do que queria e me arrependo no segundo seguinte, com medo do que ele possa fazer.
Entretanto, ele ri, contrariando toda a situação.
Se ia mijar, poderia ter feito em algum lugar mais escondido, sabe? provoca, aos risos.
Ele obviamente já havia percebido o que eu estava fazendo, mas nem assim me deixou ter privacidade.
Aperto os dentes...Foi você quem apareceu aqui para me interromper, poderia só ter desviado e ido embora rebato, furiosa.
Eu vi você balançando a sua b***a, achei que precisasse de ajuda responde risonho.
Dou outro passo para trás, olhando indignada para a sua silhueta.
O garoto torna a rir sem controle algum e ergue as mãos.
Qual é!? Eu não fiz nada se defende, cínico.
Olha só, eu não te conheço e se por algum acaso eu não voltar agora mesmo, vai ser muito r**m para você ameaço, fazendo disso o meu único recurso de sobrevivência.
Mesmo com o seu corpo debaixo das sombras, consigo vê-lo balançar os ombros.
E-eu vou gritar, hein! desafio, sentindo meu estômago se revirar de medo... Grita.
Tô falando sério! Ué, então grita. Ele tomba o rosto para o lado.
Não estou brincando, garoto! Tá, tá bom. Chega disso, ele suspira e, me ignorando por completo, passa por mim, em passos descontraídos, como se só passeasse pela floresta, alheio.
O FILHO DA MÃE ME ASSUSTOU SÓ PARA TIRAR UMA COM A MINHA CARA? Viro-me para ele em um movimento brusco e cheio de irritação.
Quem é você? questiono, fria, o garoto retorna sua direção para mim e, novamente, aponto a lanterna do celular para ele, desta vez, não diretamente nos seus olhos, o que me dá a possibilidade de vê-lo com mais clareza.
Reparo melhor em sua aparência, os olhos são de um verde tão claro que se parecem mais como lentes de contato.
O rosto marcado, os olhos levemente puxados e os lábios cheios e bem desenhados.
Já em seu corpo, noto que o pescoço é completamente tatuado e que está vestindo uma camiseta branca, um enorme casaco preto com capuz e uma calça jeans escura.
As suas mãos estão postas nos bolsos, como um homem de negócios.
A sua face não está pintada como imaginei,
sequer há vestígios de que estaria.
Ele não parece ser tão velho quanto pensei que seria, porém, suas expressões são tão intensas que o fazem parecer sisudo e arrogante.
Seu olhar pesa sobre o meu e sinto-me intimidada com a violenta seriedade em que ele me encara.
Tento desviar o olhar quando noto que estou o observando demais, mas não consigo, me sinto presa em uma hipnótica visão de seu rosto absurdamente lindo.
Christopher, finalmente responde, e você é...Dyana sussurro nervosa, Dyana Bell.
Ok! Foi um prazer conhecê-la dingo Bell, mas agora eu tenho que ir, diferentemente de sua aparência fria, ele está de bom-humor.
Mas não deixa de me incomodar o apelido que me deu.
É Dyana, e não Dingo, legal, Dingo Bell responde, já de costas e andando para longe.
Tendo conseguido tirar a minha escassa paciência e mefeito de i****a durante todo esse tempo em que me assustou sem necessidade, ele ganha distância em meio as árvores.
O que esse menino é? Um sem-teto? E por que diabos ele está andando a uma hora dessas por aqui se não era para ir à festa? No momento em que seu corpo sumiu completamente de vista, a chuva começou a cair abruptamente e me vi correndo feito uma doida para voltar.