Pré-visualização gratuita 📖 Episódio 1: A Gaiola de Ouro
📖 Episódio 1: A Gaiola de Ouro
O silêncio da mansão dos Castelli sempre foi o maior inimigo de Adelina. Aos 25 anos, ela olhava para o espelho do closet luxuoso e m*l conseguia reconhecer a menina que, aos 20, fora vendida pela própria família para quitar uma dívida impagável.
Seu comprador — e atual marido — era Horácio Castelli. Hoje com 60 anos, o homem passava a maior parte dos dias trancado em seu escritório de tabaco, lidando com uma saúde frágil e um sedentarismo crônico. O casamento deles era um contrato de posse. Horácio gostava de ter Adelina como um troféu para exibir em jantares de negócios, mas a i********e real nunca existiu. Eles nunca haviam chegado às vias de fato. Para o mundo, ela era a esposa de um milionário; entre quatro paredes, era apenas uma prisioneira fantasiada de alta costura.
— Adelina? — a voz grave e cansada de Horácio ecoou quando ele abriu a porta do quarto. — Meu sobrinho deve chegar a qualquer momento. Certifique-se de que os empregados prepararam o quarto de hóspedes da ala leste.
— Sim, Horácio. Já está tudo pronto — respondeu ela, mantendo a voz suave e submissa que aprendeu a usar para evitar conflitos.
— Ótimo. O rapaz está fugindo das obrigações que o pai impôs na empresa. Quero que ele passe uma temporada aqui para se acalmar, mas não quero dor de cabeça.
Horácio tossiu levemente e se retirou, sem sequer olhar nos olhos dela. Adelina suspirou. Um garoto de 22 anos na casa. Provavelmente um riquinho mimado, pensou.
Ela desceu as escadas de mármore em direção à sala principal bem no momento em que as portas duplas da entrada foram abertas pelo mordomo. Mas quem passou por elas não parecia em nada com o tipo de homem que frequentava aquela casa.
O som das botas de couro ecoou no piso brilhante. Ele usava uma jaqueta preta surrada, calça jeans escura e trazia uma mochila jogada displicentemente sobre um dos ombros. O cabelo estava levemente bagunçado pelo capacete que ele segurava com a outra mão. Tinha um maxilar marcado, um olhar afiado e uma postura que exalava perigo e desdém pelas regras.
Luan Castelli. O bad boy da família.
Ele parou no centro do hall e seus olhos escuros varreram o lugar até encontrarem Adelina. Um sorriso de lado, meio sarcástico e completamente magnético, brotou nos lábios dele.
— Então... — Luan mediu Adelina de cima a baixo, demorando-se nas curvas que o vestido elegante tentava esconder. — Você deve ser a famosa nova tia que meu pai tanto criticava. Bem que ele disse que meu tio tinha bom gosto para decoração.
O sangue de Adelina ferveu. Aquela insinuação barata de que ela era apenas mais um objeto comprado para ornamentar a casa quebrou os anos de submissão que ela havia forçado a si mesma a engolir. A audácia daquele garoto, que nem sequer havia tirado a jaqueta de couro e já a desrespeitava sob o teto do próprio tio, foi o limite.
Antes que Luan pudesse terminar o sorriso sarcástico que brotava em seus lábios, Adelina deu um passo à frente.
ESTALO!
O som do tapa ecoou pelo hall monumental de mármore, interrompendo até o barulho dos passos dos empregados ao fundo.
A força do impacto virou o rosto de Luan para o lado. Os dedos dela ficaram marcados na pele clara da face dele. O silêncio que se seguiu na mansão foi sufocante.
Luan permaneceu imóvel por dois segundos, a mandíbula travada, assimilando o golpe. Lentamente, ele voltou o rosto para encará-la. O sorriso sarcástico havia sumido, substituído por um brilho perigoso, sombrio e intensamente focado nos olhos escuros dele. Ele passou a ponta da língua pelo canto do lábio, sentindo o ardor.
Adelina sustentou o olhar, embora seu coração parecesse uma britadeira no peito e sua mão ainda estivesse formigando pelo impacto. Ela ergueu o queixo, impecável em sua postura:
— Meça suas palavras para falar comigo nesta casa, Luan. Eu sou a esposa do seu tio, não uma das suas garotas de racha. E exijo o respeito que a sua falta de educação claramente não te ensinou.
Em vez de explodir de raiva, Luan deu um meio passo em direção a ela, diminuindo a distância entre os dois até que ela pudesse sentir o cheiro de asfalto, couro e perfume importado que vinha dele. Ele inclinou a cabeça de leve, fixando os olhos nos dela com uma intensidade que a fez estremecer por dentro.
— Você tem a mão pesada, tia... — ele sussurrou, a voz grave e perigosamente mansa. — Gostei de ver. Pelo visto, essa casa não é tão sem graça quanto meu pai falou.