Lucas Mendes:
O som das sirenes ecoava ao longe enquanto o helicóptero do BOPE sobrevoava o morro, iluminando o cenário caótico com holofotes potentes. Lucas segurava Beatriz com firmeza, sentindo o corpo dela tremer contra o seu. O ferimento no ombro latejava, mas ele ignorou a dor. Tudo o que importava era ela e o bebê que carregava.
— Vai ficar tudo bem — ele sussurrou, acariciando o rosto dela. — Você e nosso bebê estão seguros agora.
Beatriz olhou para ele, os olhos cheios de lágrimas. — Eu não quero perder você de novo, Lucas. Não aguento mais viver com medo daquele homem.
— Não vai perder — ele prometeu, apertando sua mão. — A gente vai sair daqui. Juntos.
Enquanto isso, Xandão, ainda atordoado pela coronhada que levara, foi ajudado por um dos comandantes do BOPE a entrar na viatura. Ele olhou para a irmã e para Lucas, um misto de alívio e preocupação no rosto. — Cuidem dela — ele disse, antes de ser levado para o hospital.
No hospital, a tensão era palpável. Beatriz foi levada às pressas para o centro obstétrico, onde os médicos descobriram que ela estava com um princípio de aborto. Lucas, mesmo ferido, recusou-se a deixar o lado dela. Ele ficou sentado ao lado da cama, segurando a mão dela enquanto os médicos trabalhavam.
— O bebê vai ficar bem — disse uma das enfermeiras, tentando acalmá-los. — Mas ela precisa de repouso absoluto. O estresse que ela passou foi muito grande.
Lucas assentiu, sentindo um peso no peito. Ele sabia que tudo aquilo era culpa dele. Se tivesse sido mais cuidadoso, se não tivesse se apaixonado por ela, talvez não tivessem chegado a esse ponto. Mas, ao mesmo tempo, não conseguia se arrepender. Beatriz era a melhor coisa que havia acontecido em sua vida.
Horas depois, o chefe de Lucas, o delegado Almeida, chegou ao hospital. Ele entrou na sala com passos firmes, o rosto sério. — Lucas — chamou, cruzando os braços. — Você sabe que poderia ter morrido lá, não sabe?
Lucas olhou para ele, sem se intimidar. — Eu não ia deixar ela lá. Você faria o mesmo se fosse a sua mulher que tivesse em perigo.
Almeida suspirou, esfregando o rosto com as mãos. — Eu sei. Por isso mandei o BOPE atrás de você. Sabia que você não ia desistir dessa loucura de voltar ao morro. Mas, Lucas, você colocou a missão em risco e principalmente se colocou em risco também. Mas ainda bem que o Pitbull está preso, porém eu acredito que ele não vai descansar até se vingar.
— Ele não vai chegar perto dela nunca mais — respondeu Lucas, com determinação. — Eu vou garantir isso. Almeida assentiu, mas sua expressão ainda era preocupada.
— Você e a Beatriz vão precisar de proteção. Já estou organizando a mudança de vocês para os EUA como você queria desde que aceitou essa missão no morro, e sei que agora a Beatriz e seu filho estão incluindo nessa nova viida. Mas, até lá, vocês vão ficar em um local seguro. E o Xandão vai ficar sob custódia da polícia até testemunhar contra o Pitbull.
Lucas concordou, sabendo que não havia outra opção. Ele olhou para Beatriz, que dormia profundamente, exausta após tudo o que passaram. — Obrigado, chefe — disse, em voz baixa. — Por tudo, mas nós dois vamos ficar no meu apartamento, quero dar um pouco de normalidade para minha mulher enquanto ficamos aqui no Rio.
-Tudo bem, mas vou colocar policiais a paisana para vigiar o predio onde fica seu apartamento. Almeida deu um tapinha no ombro dele, evitando o ferimento.
— Descansa, Lucas. A luta ainda não acabou, mas pelo menos agora vocês têm uma chance de ser felizes depois de todo inferno que viveram.
Alguns dias se passaram, e Beatriz foi liberada do hospital. Lucas a levou para seu apartamento em Niterói, um lugar bem aconchegante e de certa forma seguro. Pela primeira vez em muito tempo, eles puderam respirar fundo e curtir um momento de paz.
Beatriz estava sentada no sofá, envolta em um cobertor, enquanto Lucas preparava um chá para ela. Ela olhou para ele, um sorriso tímido nos lábios. — Você não precisa fazer tudo por mim, sabia? — disse, brincando.
Lucas sorriu, sentando ao lado dela. — Eu quero. Depois de tudo o que você passou, eu só quero te ver feliz.
Ela se encostou nele, sentindo o calor do seu corpo. — Eu já sou feliz. Estou com você.
Os dois ficaram em silêncio por um momento, aproveitando a calma. Mas, no fundo, ambos sabiam que a paz era temporária. Pitbull estava preso, mas sua ameaça ainda pairva no ar e o Rio de Janeiro não era um lugar seguro para os dois.
Enquanto isso na cela da delegacia, Pitbull estava sentado, as algemas brilhando nos seus pulsos sob a luz fraca. Ele olhou para o delegado que o interrogava, um sorriso c***l nos lábios.
— Vocês acham que agora que me prenderam aqui, tudo acabou? — ele riu. — Isso aqui é só o começo. Quando eu sair, vou acabar com aquele merdinha e levar a Beatriz de volta. Ela é minha, e será até que eu a mate.
O delegado ignorou as ameaças, mas sabia que não podiam subestimá-lo. Pitbull era perigoso demais, e sua rede de contatos ainda estava intacta. A guerra estava longe de acabar.
Enquanto isso, Lucas começou a organizar os documentos para a mudança para os EUA. Ele sabia que era a única maneira de garantir a segurança de Beatriz e do bebê. Enquanto ela descansava, ele ligou para um amigo que trabalhava no consulado, agilizando os trâmites.
— Em algumas semanas, a gente vai estar longe daqui — ele disse para Beatriz, segurando a mão dela. — Vamos começar uma nova vida. Juntos, bem longe do Brasil.
Beatriz sorriu, mas havia uma sombra de preocupação em seus olhos. — E o meu Xandão? Ele vai ficar bem?
— Ele vai — respondeu Lucas, com firmeza. — Ele está sob proteção da polícia, e assim que testemunhar contra o Pitbull, ele vai poder se juntar a nós. Eu prometo.
Beatriz assentiu, confiando nele. Ela sabia que, não importasse o que acontecesse, estariam juntos. E isso era o que importava.
Após semanas de repouso absoluto, Beatriz finalmente recebeu alta médica. O apartamento de Lucas em Niterói havia se tornado um refúgio para os dois, um lugar onde podiam se reconectar e planejar o futuro longe do caos do Rio de Janeiro. Naquela noite, o clima estava leve, e o som do mar ao longe trazia uma sensação de paz.
Lucas preparou um jantar simples, mas especial, com velas e música suave ao fundo. Beatriz entrou na sala, vestindo um vestido leve que Lucas havia comprado para ela. Ele a olhou, surpreso pela beleza dela, mesmo após tudo o que passaram.
— Você está linda — ele disse, estendendo a mão para ela.
Beatriz sorriu, corando levemente. — Você não precisava fazer tudo isso — disse, olhando para a mesa decorada.
— Eu quero — respondeu Lucas, puxando-a para perto. — Você merece isso e muito mais.
Os dois jantaram, rindo e conversando como se não houvesse ameaças ou preocupações no mundo. Era um momento raro, e ambos sabiam que precisavam aproveitar cada segundo. Quando terminaram, Lucas levou Beatriz para a varanda do apartamento, onde podiam ver as luzes da cidade refletidas no mar.
— Eu nunca imaginei que poderia ser tão feliz — disse Beatriz, encostando a cabeça no ombro dele.
— Isso é só o começo, meu amor — respondeu Lucas, abraçando-a. — A gente vai ter uma vida inteira pela frente. Juntos.
Beatriz olhou para ele, os olhos brilhando. — Eu te amo, Lucas.
— Eu te amo mais — ele respondeu, antes de se inclinar para beijá-la.
Continua............