11° Capitulo.

1804 Palavras
Lucas Mendes: Enquanto Lucas e Xandão discutiam seu plano no hospital, a tensão no morro só aumentava. A guerra entre as facções estava se intensificando, e os tiros ecoavam constantemente, como um som de fundo sinistro. Pitbull, no entanto, parecia mais preocupado com a traição de Beatriz e a descoberta de que Deco era um policial infiltrado. No porão, Beatriz estava sentada no chão frio, as cordas cortando seus pulsos. A escuridão era quase absoluta, exceto por uma pequena fresta de luz que entrava por uma janela alta e suja. Ela tentou se mexer, mas a dor nas costas e a fadiga a impediam. O medo era constante, mas havia uma pequena chama de esperança dentro dela: a certeza de que Lucas faria de tudo para resgatá-la. — Você ainda tá esperando por ele, né? — a voz de Pitbull ecoou no porão, me fazendo estremecer. Ele entrou, seguido por dois de seus homens, e se aproximou de mim com passos lentos e calculados. Eu tentei me afastar, mas as cordas me impediam. — Ele não vai te salvar — Pitbull continuou, agachando-se na frente dela. — Ele é um policial, Beatriz. Tudo que ele fez aqui foi mentira. — Não é verdade — eu respondi, com a voz trêmula, mas firme. — Ele me ama. E eu amo ele. Pitbull riu antes de me dar um tapa no rosto, um som frio e sem humor. — Amor? No morro, amor não põe comida na mesa nem bala na arma. Você é minha, Beatriz. Sempre foi, e sempre vai ser, você jamais será de outro homem. Ele se levantou, olhando pra mim com desprezo. — E quando eu encontrar ele, vou fazer ele assistir enquanto eu acabo com você e depois será a vez dele ir para o inferno. Eu senti uma onda de pânico, mas então ouviu um barulho vindo de fora. Era o som de gritos e tiros, mais intensos do que antes. Pitbull olhou para a janela, com uma expressão de irritação. — O que tá acontecendo agora? — ele murmurou, antes de sair do porão, me deixando sozinha. Eu fechei os olhos, tentando me concentrar. Sabia que aquela poderia ser sua única chance. ### No Hospital: O Plano em Ação Enquanto isso, Lucas e Xandão estavam finalizando os detalhes do plano. Eles sabiam que não podiam contar com a polícia, então decidiram agir por conta própria. —A gente precisa de uma distração grande o suficiente para tirar o foco de Pitbull — eu disse, olhando para um mapa do morro que Xandão havia roubado de um dos homens de Pitbull. —E como a gente faz isso? — perguntou Xandão, franzindo a testa. —A gente usa a guerra — eu respondi, apontando para o mapa. — Se a gente conseguir fazer as facções se enfrentarem perto da casa de Pitbull, ele vai ter que mandar os homens dele pra lá. Aí, a gente tem uma chance de entrar e tirar Beatriz daquele porão. Xandão pareceu hesitar, mas então assentiu. — É arriscado, mas não temos escolha. Como a gente faz isso? Eu olhei para ele, com uma expressão séria. — Você conhece alguém da facção rival? Xandão pensou por um momento, então assentiu. — Conheço um cara. Ele não gosta de mim, mas odeia o Pitbull mais ainda. — Então é isso —Eu disse, com determinação. — Você vai falar com ele e garantir que eles ataquem o morro hoje à noite. Eu vou me infiltrar e tirar Beatriz de lá. Xandão balançou a cabeça. — E se der errado? — Não pode dar errado — eu disse, com voz firme. — Beatriz e o bebê dependem de mim. Eu deixei o hospital contra as ordens médicas. O ferimento no meu ombro ainda doía, mas a dor física era insignificante comparada ao desespero que eu sentia por Beatriz. Eu sabia que não podia esperar mais. Xandão já me esperava do lado de fora, com um carro roubado e um arsenal improvisado. — Você tá louco de sair do hospital assim — disse Xandão, olhando para o ombro enfaixado de Deco. — Não tenho escolha — respondeu Deco, entrando no carro. — Se a gente não for agora, pode ser tarde demais. Xandão assentiu, sabendo que não adiantava discutir. Ele ligou o carro e acelerou em direção ao morro, onde a guerra entre as facções ainda rugia. O plano era simples: infiltrar-se na casa de Pitbull, resgatar Beatriz e fugir antes que alguém percebesse. Mas ambos sabiam que a simplicidade do plano não significava que seria fácil. Agora nós dois estávamos escondidos em um bar abandonado na periferia do morro, cercados de mapas, anotações e armas. O plano estava quase pronto, mas ambos sabiam que era arriscado. A guerra entre as facções estava em seu auge, e o morro era um campo de batalha. — A gente precisa que aquela distração seja grande o suficiente para tirar o foco de Pitbull —Eu disse, apontando para um ponto no mapa. — Se a gente conseguir fazer as facções se enfrentarem perto da casa de Pitbull, ele vai ter que mandar os homens dele pra lá. Aí, a gente tem uma chance de entrar e tirar Beatriz. Xandão assentiu, mas sua expressão era de preocupação. — E se ele já tiver mudado ela de lugar? Ele não é burro, Lucas. Sabe que a gente vai tentar algo. — Ele não vai esperar que a gente ataque no meio da guerra — Eu respondi, com determinação. — Ele tá ocupado demais lutando contra a facção rival. É agora ou nunca. Xandão suspirou. Colocamos o plano em ação, depois que o Xandão havia conseguido contato com a facção rival, convencendo-os a atacar o morro naquela noite. O caos seria total, com tiros e gritos ecoando por todos os lados. Quando a noite caiu, o morro estava em chamas. A guerra entre as facções havia chegado ao auge, e os tiros ecoavam constantemente. Pitbull estava ocupado, tentando coordenar seus homens contra o ataque surpresa da facção rival. Enquanto isso, Xandão e eu nos infiltramos no morro, usando o caos como cobertura. Nos chegaram à casa de Pitbull, que estava praticamente deserta, com apenas alguns homens guardando a entrada. — Vamos — Eu sussurrei, apontando para a porta dos fundos. Nós entramos em silêncio, evitando os guardas. Quando chegamos ao porão, eu abri a porta com cuidado, revelando Beatriz, toda machucada, e amarrada, com seus olhos cheios de medo. —Lucas! — ela sussurrou, com uma mistura de alívio e preocupação. — Shh — eu respondi, me ajoelhando ao lado dela e cortando as cordas. — Vamos sair daqui. Beatriz se levantou, mas estava fraca que desequilibrou.mas eu a segurei antes que ela caísse no chão, enquanto Xandão ficava de guarda na porta. — Temos que ir agora — disse Xandão, olhando para fora. — Eles vão perceber que a gente tá aqui. Eu assenti, segurando Beatriz com firmeza nos meus braços. — Vamos. Nós três saímos do porão, mas logo fomos interceptados por dois homens de Pitbull. — Onde você pensa que tá indo? — um deles perguntou, apontando uma arma em minha direção. E eu não hesitei quando saquei minha arma e disparou, acertando um dos homens na cabeça. Xandão lutou com o outro, derrubando-o no chão, logo em seguida ele atirou matando o outro homem também. Mas o barulho chamou a atenção de mais homens, e logo estávamos cercados. — Acabou, policial de merda — disse Pitbull, com um sorriso c***l, apontando uma arma para a minha cabeça, enquanto me fazia colocar a Beatriz no chão, para que ela fosse até onde ele estava. — Você nunca devia ter se metido com a minha mulher, mas agora vou matar os dois. O nojento disse enquanto lambia a bochecha dela, e minha vontade era cortar sua língua maldita. Eu fechei os olhos, me preparando-se para o pior. Mas antes que Pitbull pudesse fazer o que quisesse conosco, o som de tiros ecoou no ar. Os homens de Pitbull caíram um a um, atingidos por tiros precisos. Eu abri os olhos e viu homens vestidos de preto, com equipamentos pesados, avançando em sua direção. Era o BOPE. — Fica onde está! — gritou um dos comandos, apontando uma arma para a cabeça do Pitbull. Pitbull hesitou, olhando ao redor, percebendo que estava cercado. Ele soltou Beatriz e tentou fugir, mas foi rapidamente imobilizado por dois policiais do BOPE. — Não se mexa! — ordenou um dos homens, colocando algemas em Pitbull. Eu senti uma onda de alívio, mas sua preocupação imediatamente se voltou para Beatriz. Eu me levantei com dificuldade já que o ferimento do meu ombro se abriu, mesmo assim eu corri até ela, que estava chorando e tremendo. —Amor! — eu a chamei, segurando-a nos meus braços. — Você está bem? Ela acenou com a cabeça, mas estava claramente em choque. — Eu pensei que você ia morrer — ela sussurrou, abraçando-me com força. — Tudo vai ficar bem agora — Eu respondi, acariciando seu cabelo. — Você e nosso bebê estão seguros. Enquanto isso, Xandão começou a acordar, segurando a cabeça, já que tinha levado uma coronhada na cabeça. — O que aconteceu? — ele perguntou, olhando ao redor confuso. — O BOPE chegou — respondi, ajudando-o a se levantar. — A gente tá salvo. Os policiais do BOPE rapidamente tomaram controle da situação, prendendo os homens de Pitbull e garantindo que a área estivesse segura. Um dos comandos se aproximou de mim, olhando para ele com uma expressão séria. — Você é o investigador Lucas Mendes, certo? — perguntou o comandante. Eu assentiu, ainda segurando Beatriz. — Sim. E você? — Capitão Silva, do BOPE. Recebemos uma ligação do seu chefe, que nos informou sobre uma operação aqui no morro, e também sobre sua vinda pra cá para salvar sua mulher. Parece que chegamos na hora certa. Eu olhei para a Beatriz, então para Xandão, e finalmente para o capitão. — Obrigado. Vocês salvaram nossas vidas. O capitão assentiu, mas sua expressão era grave. — Ainda não acabou. Pitbull é só um dos problemas aqui. A guerra entre as facções tá fora de controle, e a gente precisa acabar com isso antes que mais gente morra. Eu concordei, mas sua prioridade era garantir que Beatriz estivesse segura. — O que vai acontecer com a gente? — eu perguntei, olhando para o capitão. —Vocês serão levados para o hospital e depois para um local seguro, que seu chefe está preparando— respondeu o capitão. — Depois, a gente vai precisar da ajuda do seu batalhão para limpar essa bagunça toda. Eu assenti, sabendo que a luta ainda não havia terminado. Mas, pelo menos, Beatriz e nosso bebê estavam a salvo, e isso era o que importava. Continua.......
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