Bryan Thompson:
O avião pousou em Boston sob um céu cinzento, típico do outono nos EUA. Bryan apertou a mão de Debby, que estava sentada ao seu lado, e sentiu o peso da jornada que os trouxe até ali. Apesar da ansiedade que ainda os consumia, havia um vislumbre de esperança no ar. Eles estavam longe do Rio de Janeiro, longe do morro, longe de Pitbull. Pelo menos, era o que queriam acreditar.
Enquanto caminhavam pelo aeroporto, Bryan notou como Debby parecia um pouco mais leve, como se uma parte do fardo que carregava tivesse sido deixado para trás. Ela usava um casaco largo que escondia levemente a pequena barriga de três meses, e ele não conseguia evitar um sorriso ao pensar no futuro que os aguardava. Mas, no fundo, ele sabia que o passado ainda os perseguia e que a paz veria somente com a condenação definitiva do Pitbull.
— Vou pegar as malas e encontrar o motorista — disse Bryan, tentando manter o tom otimista. — A casa já está pronta para a gente morar.
Debby assentiu, mas seus olhos ainda carregavam uma sombra de preocupação e dor pela perda do seu irmão. — Você acha que ele vai conseguir nos encontrar aqui? — perguntou, quase em um sussurro.
Bryan hesitou por um momento antes de responder. — Não, Debby. Estamos seguros aqui, poucas pessoas sabem o nosso destino. Pitbull está preso, e o julgamento está prestes a começar. Ele não vai nos alcançar.
Mas, mesmo enquanto dizia essas palavras, Bryan sentia um frio na espinha. Ele sabia que Pitbull era imprevisível e que sua rede de influência era vasta. Ainda assim, ele precisava ser forte por Debby e pelo bebê que estava a caminho.
A casa em Boston era aconchegante, um sobrado de tijolos vermelhos em um bairro tranquilo. Bryan havia escolhido o local cuidadosamente, longe do centro da cidade, onde poderiam viver sem chamar atenção. Ele e Debby agora tinham novos nomes e sobrenome s: Bryan e Debby Thompson. A mudança de identidade havia sido parte do acordo com a polícia, uma tentativa de garantir sua segurança.
— O que você acha? — perguntou agora Bryan, enquanto abriam a porta da casa.
Debby olhou ao redor, seus olhos brilhando com uma mistura de alívio e tristeza pela perda do irmão. — É lindo, Bryan. Parece... seguro.
Ele a abraçou, sentindo o calor do corpo dela contra o seu. — Vai ser nosso lar, Beatriz. Um lugar onde podemos começar de novo.
Mas, mesmo enquanto desfaziam as malas e se acomodavam, o passado não os deixava em paz. As notícias do julgamento de Pitbull chegavam diariamente pela internet, e cada atualização era um lembrete do perigo que ainda os cercava.
Enquanto isso no Rio de Janeiro, o julgamento de Pitbull era o assunto principal dos noticiários. O traficante, conhecido por sua crueldade e influência, estava finalmente enfrentando a justiça. O tribunal estava lotado, e a tensão no ar era palpável.
Bryan e Debby acompanhavam o julgamento à distância, através de transmissões ao vivo e relatórios enviados pelo delegado. As provas contra Pitbull eram esmagadoras: desde tráfico de drogas até homicídios, incluindo por ser mandante do ataque que matou Xandão e dois policiais. O depoimento gravado de Bryan e Debby havia sido crucial, e agora o destino de Pitbull estava nas mãos do juiz.
No último dia do julgamento, o veredito foi anunciado: Pitbull foi condenado a pena máxima, sem possibilidade de liberdade condicional. A notícia trouxe um alívio momentâneo para Bryan e Debby, mas a sensação de vitória foi ofuscada pelo medo de que ele ainda pudesse representar uma ameaça.
— Ele foi condenado, meu amor. — disse Bryan, tentando convencer a si mesmo tanto quanto a ela. — Ele não pode nos machucar mais.
Mas Debby não parecia convencida. — Ele ainda tem aliados, Bryan. E ele nunca vai desistir.
Enquanto Bryan e Debby tentavam se ajustar à nova vida em Boston, o pesadelo que pensavam ter deixado para trás estava prestes a se tornar realidade. Pitbull, mesmo preso, ainda tinha influência e dinheiro o suficiente para orquestrar seu plano de vingança.
No caminho para o presídio de segurança máxima, onde ele cumpriria sua sentença, o comboio foi atacado. Homens armados, leais a Pitbull, emboscaram os veículos, resultando em uma troca de tiros violenta. Quando a poeira baixou, Pitbull havia desaparecido.
A notícia da fuga chegou a Bryan na forma de uma ligação do delegado Almeida. — Bryan, temos um problema — disse a voz grave do outro lado da linha. — Pitbull escapou. Ele está solto.
Bryan sentiu o coração parar. — Como isso aconteceu? Ele estava sob custódia máxima!
— Ele tinha ajuda de dentro, Lucas. Alguém da polícia deu informações sobre vocês. E agora ele sabe onde estão, vou ligar para meu contato no FBI e irei pedir que policiais vigiem a casa de vocês e os escoltem aonde forem, até que Pitbull seja capturado, além disso já mandei homem vigiarem os aeroportos e portos caso ele tente fugir para onde vocês então.
A ligação terminou, e Bryan olhou para Debby, que estava sentada no sofá, segurando uma xícara de chá. Ele sabia que não poderia esconder a verdade dela.
— Beatriz, temos que ficar em alerta — disse ele, a voz firme, mas carregada de urgência. — Pitbull escapou. Ele sabe onde estamos morando e provavelmente a troca de nomes..
Ela olhou para ele, os olhos cheios lágrimas, ela estava morrendo de medo. — O que faremos, Bryan, esse homem vai fazer o d***o para fugir do Brasil e pegar a gente. O que vamos fazer, teremos que desaparecer de novo?
Naquela noite, Bryan e Debby foram dormir muito preocupados, Bryan até carregou sua arma e a colocou em uma gaveta, pois ele sabia que não podiam confiar em quase ninguém, nem mesmo em alguns policiais. A traição de dentro do departamento havia deixado claro que eles estavam por conta própria.
Enquanto estavam abraçados na cama, Bryan olhou para Debby, que estava calada, mas com os olhos fixos na janela do quarto. Ele sabia que a luta estava longe de acabar, mas também sabia que faria qualquer coisa para proteger ela e o bebê.
— Vamos ficar bem, Debby — disse ele, tentando transmitir uma confiança que não sentia completamente. — Eu prometo.
Ela colocou a mão sobre a dele, e por um momento, parecia que tudo ficaria bem. Mas, no fundo, ambos sabiam que o pesadelo estava longe de terminar. Pitbull estava por aí, e ele não descansaria até encontrá-los.
Continua........