8° Capitulo.

1684 Palavras
Lucas Mendes: Naquele dia. Ela havia aparecido no escritório do Pitbull, os olhos cheios de uma mistura de medo e desejo. Era como se ela me dissesse. "Eu não aguento mais". -É melhor eu ir embora. Eu tentei resistir. Sabia que era errado, que poderia comprometer toda a operação. Mas havia algo em Beatriz que o atraía como um ímã. Algo que ia além da beleza física. Talvez era a vulnerabilidade dela, a coragem de buscar algo mais, mesmo sabendo que estava presa em uma vida que não era sua, e além disso eu sabia que tinha me apaixonado por ela. -Por favor, não me rejeite! —Ela dissera, com a voz trêmula. "Preciso sentir algo real, mesmo que seja só por um momento." E então, nos entregamos a paixão. E foi intenso, apaixonante, e, ao mesmo tempo foi extremamente perigoso, e quando ela teve que me deixar, já que ela precisou ir embora, eu estava cheio de culpa. Pois não sabia se poderíamos repetir aquilo enquanto estivesse ali na favela, mas também sabia que não conseguiria esquecer ela de forma alguma. Os dias estavam se passando e eu não conseguia tirar a Beatriz dos meus pensamentos, precisava falar com ela, principalmente sobre o que aconteceu entre a gente naquele escritório, mas aquele maldito estava marcando em cima, era como se ele tivesse desconfiado de alguma coisa, naquele dia em que fiz amor com ela pela primeira vez, percebi algo diferente, pois o Pitbull chegou um pouco machucado, mas mesmo assim a noite deu um baile na favela, afinal ele tinha conseguido o que queria, mas o infeliz ousou machucar a minha mulher, já que ela estava com um hematoma no rosto, ela tentou esconder com maquiagem, mas eu percebi isso, e tive vontade de estrangular aquele infeliz com as minhas próprias mãos, mas tive que me segurar para não estragar o disfarce, mas preciso tirar a Bia das garras deste homem o quanto antes, mas várias vezes eu quis ir até onde ela estava com ele e arrastá-la para bem longe. Se não fosse o Xandão me impedir, era isso que eu teria feito, a única coisa que não entendi era que o Pitbull levou outra mulher para o baile também e ficou se esfregando nela na frente de todo mundo, na verdade acho que ele queria causar ciúmes na Beatriz ou humilhá-la publicamente como sempre faz. Naquela noite foi difícil dormir, pois eu só pensava na Beatriz, queria tirar ela dessa vida maldita, mas ainda não posso estragar tudo, eu só preciso reunir mais algumas provas para resolver isso o mais rápido possível. Aquele homem não merece a mulher que tem, ele é um porco chauvinista, sem contar que a obrigou a ter essa vida maldita ao seu lado por puro despeito, já que ela jamais ficaria com ele por vontade própria, ontem tive uma longa conversa com o Xandão que acabou me revelou que na verdade ele é o irmão da Beatriz e que na verdade ela foi uma moeda de troca, por conta de dívidas de drogas que ele e seu pai tinham com o Pitbull, e é claro que aquele bastardo usou isso para ter a Beatriz como mulher, claro que o Xandão também está aqui para vingar a morte do pai e também salvar a sua irmã, mas a culpa dela está vivendo esse inferno é toda dele e do pai deles, e fiz questão de jogar isso na sua cara, enquanto a socava, ele nem revidou, já que sabia que eu estava certo, mas com a sua ajuda, eu vou tirar a Beatriz dessa favela, só preciso de um plano mirabolante. 1 mês depois... O sol se punha sobre a favela, tingindo o céu de tons alaranjados e roxos. E eu estava na sala da casa do Pitbull, observando os rapazes preparando os papelotes de drogas que seriam vendidos enquanto fingia beber uma cerveja, até que vi uma cabeleireira loira esvoaçante que há pouco tempo estava enrolada na minha mão, passar por mim. Eu deveria ter saído dali já que eu sabia que cada minuto que eu continuasse ali perto dela era um risco pra nós dois, mas mesmo assim eu não conseguia tirar os olhos de Beatriz, que se sentou no sofá, com um livro nas mãos. A sala da casa do Pitbull estava um pouco escura, iluminada apenas por uma lâmpada fraca que pendia do teto, eu estava sentado à mesa, fingindo prestar atenção na conversa de Pitbull sobre os próximos "negócios". Mas sua mente estava longe dali. Toda vez que olhava para Beatriz, que estava sentada no sofá com um ar distante, ele se lembrava daquela noite. -Deco! A voz grossa de Pitbull me tirou de meus pensamentos. "Você tá me ouvindo, ou tá com a cabeça nas nuvens?" Eu forcei um sorriso e ergui a garrafa de cerveja. -Claro, chefe. Só tô pensando no que você falou. A gente tem que ser esperto. Pitbul mel encarou por um momento, seus olhos estreitos como os de um predador. -É isso aí. Esperto. Porque se eu descobrir que tem alguém aqui me traindo..." Ele não terminou a frase, mas o olhar que deu para Beatriz foi suficiente para eu ficar em alerta. Beatriz não reagiu, ela continuou imóvel, mas eu percebi o leve tremor em suas mãos. Eu queria ir até ela, confortá-la, mas sabia que não podia. Não ali. Não na frente de Pitbull. Na manhã seguinte, quando Pitbull finalmente saiu, dizendo que tinha "assuntos para resolver", o ar na casa pareceu ficar mais leve. Foi quando olhei para a Beatriz, que agora estava de pé, encostada na janela da sala, olhando para o movimento na rua. -Bia," eu a chamei, suavemente. Ela virou-se para mim, e eu vi as lágrimas em seus olhos. -Eu não sei quanto tempo mais eu aguento isso, Deco. Ela disse, a voz quebrada. "Ele tá cada vez mais desconfiado. E eu... eu não quero te colocar em perigo." Eu dei um passo à frente, mas parei antes de tocá-la. "Eu vou tirar você daqui," eu prometi, com a voz firme. -Mas você tem que confiar em mim. Beatriz olhou pra mim, os olhos cheios de dúvida. "E se ele descobrir? Ele vai nos matar, Deco. Os dois." Eu senti um frio na espinha. Pois eu sabia que ela estava certa. Pitbull era impiedoso, e a traição era algo que ele nunca perdoaria. Mas eu também sabia que não poderia continuar vivendo essa mentira. Já que eu estava apaixonado por Beatriz, e isso era algo que não podia mais ignorar. -Eu vou cuidar de tudo, meu amor. Eu disse, finalmente fechando a distância entre nós. Eu coloquei a mão no rosto dela, sentindo o calor de sua pele. -Mas você tem que me prometer uma coisa. -O quê?" ela perguntou, a voz quase um sussurro. -Prometa que, quando isso acabar, você vai começar uma nova vida ao meu lado. Longe daqui. Longe de tudo isso. Beatriz hesitou, mas então acenou com a cabeça. -Eu prometo, é tudo o que eu mais quero. Nós ficamos ali, por um momento, apenas olhando um para o outro. Eu sabia que o caminho à frente seria perigoso, mas também sabia que não havia volta. Ele tinha que proteger Beatriz, custe o que custar. Mais tarde naquele dia, o Pitbull estava com o humor do cão, percebi isso no momento que Beatriz apareceu na cozinha, e quando ela levantou os olhos e os nossos olhares se encontraram. Um sorriso triste e discreto surgiu em seus lábios carnudos, e senti um nó se formar no meu estômago, quando percebi um novo corte no seu lábio inferior um grande hematoma no seu rosto. Eu vou matar esse filho da p**a, eu pensei. Eu vou acabar com esse desgraçado. -Deco! Pitbull me chamou, interrompendo meus pensamentos assassinos. -Você tá quieto hoje. Tá com a cabeça em outro lugar? Eu forcei um sorriso e erguir a garrafa. "Só curtindo o almoço, chefe. A dona Déia é uma excelente cozinheira. Pitbull riu, mas havia algo em seu olhar que me deixou em alerta. Esse traficante maldito era imprevisível, e eu sabia que qualquer deslize poderia custar a sua vida e a minha. Mais tarde, quando ele saiu outra para resolver "negócios" sobre os novos pontos de vendas de drogas. Eu fui para o barraco do Xandão, quando Bia entrou e trancou a porta atrás dela, ela estava com um capuz na cabeça, na certa para não ser reconhecida. Ela se aproximou dele, cruzando os braços e encostando-se na parede. -Você é diferente," ela disse de repente, seus olhos fixos nos meus. -Não sei o que é, mas você não parece pertencer a esse mundo. Senti o coração acelerar. Será que ela descobriu que sou policial?Eu vou matar o irmão dela se ele tiver dado com a língua entre os dentes. Eu me levantei, tentando manter a calma, pensando no que iria dizer. -Todo mundo tem seus segredos, Bia. Ela deu um passo à frente, reduzindo a distância entre nós. "E quais são os seus, Lucas? Eu hesitei. O cheiro do perfume dela, suave e doce, me envolvendo. E eu sabia que não podia se permitir cair mais fundo, mas era tarde demais. Cada palavra, cada olhar, cada toque casual entre nós havia plantado uma semente que agora brotava contra sua vontade. -Amor. Eu comecei, a voz quase um sussurro. -Há coisas que eu gostaria de te dizer, mas não posso. Ela inclinou a cabeça, estudando-o. -Por que não?" -Porque... porque algumas verdades podem destruir tudo. Ela ficou em silêncio por um momento, e então colocou a mão no meu rosto. O toque dela era quente, real, e eu senti-me desmoronar por dentro um pouco mais. -Eu não tenho medo da verdade. Ela disse. -Tenho medo de viver em mais uma mentira. Eu fechei os olhos, lutando contra o medo e o desejo. Pois eu sabia que, em breve, teria que escolher entre o meu dever de policial e o que sentia por ela. E, não importasse a escolha, alguém sairia ferido dali, só não queria que fosse ela.. Continua...
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