Muitas vezes na minha vida já me peguei pensando em como vim parar em determinado lugar. Isso aconteceu quando estava em um trabalho exaustivo em dois períodos de uma lanchonete pequena em Minessota. Papai sofreu o acidente na usina e teve que passar alguns meses recuperando sua coluna em casa, Tom tinha meses de vida, então tive que assumir as despesas de casa.
Logo depois veio a descoberta da sua deficiência auditiva, consequência de uma grave inflamação que comprometeu seu tímpano, e praticamente toda sua audição. Dediquei todo meu tempo e esforço a ajudar mamãe nos afazeres de casa, conciliando entre trabalhar, estudar e cuidar do Tom, até que meu pai pudesse andar novamente e tocar a oficina.
Quando as coisas finalmente começaram a fluir, recebi a notícia de que tinha sido aceita na universidade de Seattle, e fui praticamente chantageada emocionalmente pelo meu pai, que disse que jamais se perdoaria se eu não viesse. Me comprometi com um emprego temporário para custear meus próprios gastos, e claro, tudo o que sobrava eu mandava para casa.
Eu estava na hora certa e no lugar exato, quando o reitor da agência foi requisitado para enviar uma substituta à Cohen imediatamente. Ele apenas me deu o endereço desejou-me boa sorte.
Então chego a conclusão que tudo na minha vida é baseado em consequência. Minha única escolha realmente, foi ter levantado minha voz diante de todos para defender uma causa que prometia acessibilidade para uma minoria, minoria essa que não incluía meu pequeno Tom. Tudo depois disso foi consequência.
Chegar em um Pub abarrotado de rostos conhecidos ao lado de Cohen Archer, era uma delas!
Preferi ignorar os olhares surpresos, intrigados, e até mesmo descrentes. Segui Casper que fazia questão de se esgueirar pelos lugares mais concentrados de pessoas, como se quisesse provocar Cohen.
— Eu disse que esse não era seu ambiente. — Comentou olhando por cima dos ombros em um sorriso debochado para o seu irmão. Cohen estava apenas um passo atrás de mim, e bufou, ignorando Casper.
Eu não sei o que era mais inusitado naquela cena. Casper e Cohen saindo juntos; Cohen em um pub frequentado pelos funcionários; Ou eu, frequentando um pub ao lado de Cohen e Casper juntos.
— Cas! — Ouvi Hannah gritar quando nos aproximamos da mesa, ela ainda não tinha me visto. E quando seus olhos caíram em mim, ela se levantou empolgada. — Anya, você veio!
Ela passou direto enquanto Casper esperou por um cumprimento, ri da sua reação ao olhá-la de costas como se não acreditasse que foi ignorado.
— Por pura espontânea pressão. — Só agora ela olhou em volta boquiaberta, se dando conta de que Cohen estava junto.
— Gente, acho que eu bebi demais. Há quanto tempo estou aqui? — Hannah perguntou a Ruby, que riu de fundo ao lado de Andrea. A mesa em que elas estavam sentadas estava repleta de subordinados, com suas gravatas frouxas, mangas arregaçaas e os primeiros botões abertos. Eu não sei como reagiriam ao ver Cohen e Casper se juntarem a eles, mas pelo teor alcoólico evidente nas risadas altas, presumi que eles já não estavam muito confiantes no que viam mesmo.
— Ainda consigo enxergar os números no relógio, então não muito. — Respondeu Andrea.
— Hum, então é bom esclarecer as coisas por aqui, Cohen, ninguém aqui trabalha pra você. — Disse Ruby vindo até nós com duas doses de aguardente, uma para mim, e outra para Cohen, que riu aceitando.
Após ele ingerir a bebida, seus olhos pararam em um canto do pub. Acompanhei seu olhar de testa franzida e encontrei uma capa de revista com a sua foto servindo de tiro ao alvo. Não segurei a risada, me contendo em tampar a boca para abafar o barulho, e quando olhei para Cohen, ele reprimia um olhar desafiador.
— Já estava ali quando chegamos. — Alguém disse. Casper gargalhou, tirando seu paletó para também afrouxar a gravata.
— Se acertar, Cohen bebe mais uma. — Disse o irmão traiçoeiro, arregaçando as mangas enquanto me chamava com o olhar.
— Se errar você bebe! — Cohen disse para minha surpresa, nos acompanhando até tirar os dardos presos na parede. A maioria ali se empolgou e urrou comemorando. Ele me entregou os dardos com uma sobrancelha arqueada e se distanciou, para observar de longe.
— Ele quer mesmo te surpreender. — Comentou Casper antes de fazer seu primeiro arremeço, acertando o alvo na orelha. Hannah imediatamente entregou uma dose ao Cohen, aguardando meu lançamento.
— Se redimir é a palavra certa. — Falei, mirando na figura do Cohen e jogando o dardo que acertou seu queixo. Comemorei olhando para ele, que se rendeu em tomar uma dose.
— Uma pessoa não se redime cancelando todos os seus compromissos para ir em uma feira estudantil. Nem frequentando lugares que nunca frequentaria. Eu chamo isso de tentar surpreender. — Atirou um dardo que pegou fora do alvo finalizando em uma careta, ao ter que beber sua primeira dose.
Pensei nos motivos que ele teria para mobilizar toda uma equipe de acionistas com a desculpa de que uma feira publicitária pudesse ajudá-los em algo, e não, ter feito isso somente porque eu estaria lá, estava longe de ser uma possibilidade. Muito embora, conheço Cohen há um bom tempo para saber que como o CEO que todos conhecem, ele faria isso sim, se quisesse me provar alguma coisa.
— Cohen não gosta de ser desafiado, apenas isso. — Arranquei outra risada enfadonha de Casper, atirando e acertando a bochecha de Cohen colada na parede.
— Ele não gosta de ser desafiado por pessoas que o intimidam. — Disse curvando sua cabeça, antes de tomar mais uma dose graças ao meu lançamento. — O único que podia fazer isso era meu pai, mas agora, qualquer um que tente te tirar dele.
Foi minha vez de rir, pois Casper provavelmente não faz ideia de que minha aproximação excessiva com Cohen era graças a Dama de Prata, no qual nós dois estávamos trabalhando juntos para encontrar.
— Não é nada do que parece. — Falei na sua vez de jogar, acertando o alvo.
— Eu sei que não, por isso está tão divertido. — Baixou o tom de voz quando mirei em Cohen. — E vai ser ainda mais, quando ele descobrir que era você naquela festa.
Errei o alvo vergonhosamente.
A voz de Casper arranhou arrastadamente próximo a mim, com um sarcasmo evidente no seu sorriso de lado.
— Errou. — Disse Cohen chegando até mim com uma dose de bebida e um sorriso no canto dos lábios.
— Sua vez de jogar, preciso de uma bebida de verdade. — Resmungou Casper entregando os dardos ao irmão, saindo ao me lançar um olhar vitorioso e cheio de promessas, que eu ainda não sabia dizer se estava disfarçado de ameaça.
Somente as batidas do meu coração me entregavam, eu estava em um completo estado de nervosismo interno.
Engoli seco tentando não demonstrar isso ao Cohen, pois ele já estava bem do meu lado e desconfiaria se percebesse que eu estava tão amedrontada.
— Mais uma rodada e vou pedir um aumento sem você perceber. — Brinquei virando o copo sem cerimônia. Quase não senti a queimação na minha garganta, talvez eu também estivesse precisando de uma bebida mais forte. Cohen tirou os dardos da parede e os acumulou na mesa de tripé alto, assim como também arrancou a capa de revista colada no tabuleiro de tiro ao alvo, e o jogou de lado em uma careta.
— Mais uma rodada e você pode pedir o que quiser. — Falou inclinando-se para frente, apoiando os cotovelos na mesa. Travamos uma batalha visual com sua voz agora mais risonha e engrossada ecoando em meus pensamentos.
Endireitei os ombros e engoli seco para disfarçar, e atirar pela primeira vez acertando, para então encher uma dose e entregá-lo. Olhei para trás e vi Hannah de costas quando Casper a alcançou e a abraçou por trás, beijando seu pescoço em livre acesso. A mesma olhou para trás insinuando algo em uma piscadela.
Algo que me dava a entender que ambos sabiam. A pergunta era, por que Casper não contou nada ao Cohen? E se estava guardando isso, era para provavelmente usar. E uma segunda questão era levantada: contra mim ou contra o irmão?
Cohen acertou seu alvo, e comemorou com um sorriso ao encher meu copo. Sua postura estava relaxada, seu cabelo já nem estava mais tão alinhado e alguns fios se curvavam na testa, um charme desgrenhado que o deixava ainda mais atraente.
A sombra do divertimento não deixava seus olhos, serrados em um brilho intenso. Não percebi em que momento ele também tirou seu blazer, mas percebi as veias saltadas no seu antebraço e me peguei engolindo minha própria saliva ao lembrar do mesmo bem ao lado da minha cabeça enquanto segurava minhas mãos na parede.
— Então você admite que não tem intenção de sair da Archer? — Perguntou, trazendo minha atenção de volta para nosso jogo. Suspirei ao entender que ele levou minha brincadeira como uma garantia.
— Tem tanto medo que eu saia da Archer assim? — Inquiri com as apalavras de Casper me atormentando mentalmente.
— Está mudando de assunto, eu perguntei primeiro. — Foi minha vez de atirar, e acertei em cheio, comemorando mais do que o necessário, mostrando o copo para Cohen logo em seguida, que virou olhando em meus olhos.
— Não pretendo sair da Archer até me formar. — Respondi com sinceridade, me dando conta de que as coisas poderiam não sair como eu pretendo, não mais.
De repente minha vida tão estável parecia estar nas mãos de Casper, e eu ainda não sabia o que isso custaria.
— E depois?
— Voltar para Minessota, trabalhar a distância como publicitária ou em alguma agência, futuramente eu posso até pensar em ter uma, mas este é um sonho bem distante. Tenho que cuidar da minha família primeiro. — Sua expressão endureceu, como se algo em meus planos futuros não o agradasse.
— Você nunca me disse isso.
Uma parte profunda do meu consciente, sabia que boa parte da minha língua solta, era por consequência da bebida.
Nunca que eu falaria da minha vida pessoal tão abertamente com Cohen.
Eu só não sabia se ao fundo, quem eu estava vendo entrar no pub também era consequência da bebida.
Joe entrava acompanhado da ruiva balconista, com sorriso solto e uma aparência bem diferente do que eu conhecia como barista.
— Ah d***a! — Murmurei usando o corpo de Cohen para me esconder.
— O que foi? — Perguntou imediatamente olhando para trás.
— Joe está aqui.
— Qual o problema? — Cohen não se moveu enquanto eu segurava seu braço, em um misto de receio pelo Joe estar aqui e dejá vù, ao sentir a dureza do seu músculo.
— Qual o problema? O problema é que eu estava com raiva e despejei tudo nele. Disse o quanto eu o odiava e o quanto aquela conversa barata não colou comigo. — Tentei explicar mesmo sabendo que provavelmente ele não entenderia nada. E sua expressão não me dizia o contrário, o rosto todo franzido me fazendo parecer ainda mais i****a. — Eu literalmente acabei com ele sem motivo algum. As meninas me ajudaram é claro, e o que era para ser só um desabafo de raiva se tornou uma enxurrada de ofensas. Eu não tenho coragem de ficar de frente pra ele depois disso.
Cohen ficou inexpressivo por um momento, me encarava como se eu fosse a personificação da loucura. Seu olhar estava vago, e a boca semiaberta me dizia que ele estava se dando conta de algo. Sua mandíbula afrouxou, e a cor fugiu-lhe do rosto.
— Então aquilo não era…. — Deixou suas próprias palavras morrerem, fitando o chão rapidamente, como se estivesse colocando seus pensamentos em ordem. — Eu cometi um grande erro.
— Erro maior do que dizer para um barista que o café dele é h******l? — No momento em que falei isso, o olhar de Joe se encontrou com o meu, o reconhecimento despontou em seu rosto, e antes de qualquer emoção tomar sua face, ele se mostrou intrigado, surpreso por me ver. — Cohen, faz alguma coisa!
Quando pedi isso, eu não estava esperando de fato que ele fizesse algo, mas sem que meus reflexos fossem avisados, e sem que eu pudesse ter qualquer reação para impedir, senti os lábios de Cohen nos meus.
Uma pressão avassaladora, dentro e fora tomou conta de mim.
Por dentro eu parecia que iria explodir, meus sentimentos estavam em um completo turbilhão, meus pensamentos sequer eram ordenados, e tudo se intensificava com o efeito da bebida, pulsando nas minhas veias, aquecendo toda minha pele e acelerando as batidas do meu coração, que eu podia ouvir.
Por fora eu estava imóvel, sentindo sua mão na minha bochecha e a pressão dos seus lábios nos meus me tirando de órbita. De repente esse toque foi para minha nuca, debaixo do meu cabelo, segurando-me contra sua boca em um gesto possessivo.
Eu sentia seus lábios como na noite em que eles me levaram à loucura. As lembranças me invadiram junto com seu perfume, a sensação era tão intensa que eu tive a impressão de estarmos lembrando das mesmas coisas.
Inconfundível era o beijo do Cohen. Embora o toque suave nada se parecia com o beijo selvagem daquela noite, eu torcia para que ele não estivesse sentindo o mesmo, pois ainda que estivéssemos na frente de todos, naquele momento, com olhos fechados, eu sentia como se estivéssemos sozinhos.
Na frente de todos…
Me dar conta disso me fez interromper o beijo, encontrando duas íris inebriadas olhando tão fixamente para mim, que a sensação era de que minha alma estava sendo conectada à dele.
Cohen parecia estar tão surpreso quanto eu, seu peito subia e descia intensamente, e os lábios entreabertos pareciam duvidar do que aconteceu.
Enquanto uma linha invisível nos unia, meus pensamentos vagavam pelo momento que o tive tão próximo quanto estava agora. Sua respiração era como um mantra hipnótico. Um delírio fantasioso e real ao mesmo tempo, e o endurecimento na sua face me deu a impressão de que mais um segundo compartilhando do mesmo ar que ele, Cohen saberia.
Sai dali o mais rápido que pude. Cohen parecia paralisado, perdido em pensamentos. Passei pelas meninas e depois por Joe. Não parei nem mesmo quando ouvi Ruby me chamando, continuei até atravessar a porta do bar e ser atingida pela noite gelada. Minhas pernas estavam amolecidas, pura adrenalina e nervosismo tomava conta de mim, e sem me importar com mais nada apenas me permiti respirar fundo, antes de surtar de uma vez por todas.
Eu estava ferrada, fodida e com meus dias contados.
— Anya! — Arfei ao ouvir a voz de Cohen se aproximando de mim.
— Não! — Vociferei apontando minha mão no ar para que ele parasse. Cohen estava ofegante, tanto quanto eu. — Temos limites, Cohen, e você ultrapassou todos eles.
— Você pediu pra eu fazer alguma coisa. — Ri nervosamente, pois pra mim isso estava longe de ser uma justificativa.
— Qualquer coisa menos… — Apontei para o lado de dentro sem conseguir verbalizar o beijo que eu ainda sentia formigar de tão recente. — Isso!
Eu só queria entender o tamanho do meu desespero agora, porque tudo parecia partir de um medo do que eu podia perder, quando na verdade esse beijo só me mostrou que eu estava com medo do que poderia acontecer.
— Está com raiva porque sentiu o mesmo que eu. — Deduziu ignorando meu pedido e caminhando na minha direção. Meus músculos começaram a tensionar com sua proximidade.
Eu estava com raiva pois sabia o que estava envolvido. O que eu senti nem podia ser colocado à mesa, e mesmo sem conseguir pensar de fato nas consequências agora, eu sabia que elas existiam. E é disso que eu tenho medo. Que o que eu estou sentindo fale mais alto, que eu dance sem prestar atenção na música, assinando uma sentença como uma falsa inocente que finge não haver consequência.
Contos de fadas estavam bem longe de existir, e o que me impede de simplesmente me entregar ao Cohen agora é o mesmo que me impediu naquela noite, com um peso ainda mais decisivo.
— O que eu senti foi a bebida confundindo seus pensamentos, aquilo foi erro, e amanhã quando você estiver em sã consciência vai se arrepender e nada, nada vai mudar isso. — Disse a ele o que eu queria dizer a mim mesma, como se pudesse me convencer.
— Não estou bêbado.
— Você está… obcecado! — Na minha cabeça ele sabia exatamente do que eu estava falando. Logo, por um instante de clareza eu enxerguei que o que ele acha que sentiu podia não ser desejo, mas seus instintos se recordando de uma sensação que já viveu. — E eu só peço que saiba separar as coisas porque, Cohen eu tenho uma família que depende de mim, eu tenho responsabilidades que vão muito além do seu entendimento e, fazer parte desse seu joguinho não é uma opção pra mim. Não entende que eu só estou tentando fugir de você?
— Por que? — Perguntou exasperado. — É pela Dama de Prata? É por ter pedido sua ajuda? Podemos parar com isso agora mesmo, acha que isso me confundiu de alguma forma? Não Anya! Eu sei muito bem o que senti e posso afirmar que foi por você, foi você quem eu beijei essa noite.
Cada palavra tinha um duplo sentido, a minha vontade era de gritar para que ele fosse claro no que estava tentando dizer, pois nesse momento, eu já não tinha certeza, e queria gritar nem que fosse para chamá-lo de lerdo.
— Pelo que disse! — Isso pareceu desarma-lo. — Eu entendo meu lugar na sua vida, sempre entendi. Quem ultrapassou essa linha foi você, ao me envolver nessa busca obsessiva como se fossemos íntimos. Quem veio com essa ideia de amizade e ajuda mútua foi você, e quero que lembre que na primeira oportunidade você me colocou no lugar novamente e eu nunca mais vou passar por isso. Nunca mais vou permitir que me trate, como se eu estivesse invadindo seu espaço pessoal, como se eu estivesse confundindo as coisas.
— Não percebe que estou há dias tentando pedir desculpas?
— E isso muda o quê? — Um silêncio perdurou por quase um minuto inteiro. — Um pedido de desculpas não apaga o que aconteceu, não apaga o que você me disse, tampouco o que eu disse ao Joe.
— Nós dois temos alguém responsável por esse beijo então. — Falou se aproximando ainda mais, permitindo estar no mesmo metro quadrado que o meu, intercalando nossos olhos, fitando minha boca em um desejo evidente.
No fundo ele sabe, no fundo esse desejo parte do mesmo princípio. Já o meu desde o primeiro momento pertenceu a ele, e talvez o que o atrai em mim agora, esteja ligado a mulher naquela noite, nas suas lembranças mais distantes, e nos comparar deve ser inevitável, e isso vai durar até ele ter a mais absoluta certeza de que o beijo é o mesmo, o toque, os gemidos e tudo o vivemos as escondidas. Permitir isso seria questão de tempo.
Eu até poderia deixar de ser a Dama de Prata para ser apenas, Anya. Mas, ele jamais deixaria de ser o Cohen, sempre foi, e sempre vai ser a pessoa que pode acabar com meu futuro, e ainda que não exista vingança no seu coração agora, ela surgirá quando ele cogitar que foi proposital, pois ninguém sabe mais sobre sua empresa senão a pessoa que tem acesso a todos os seus planos de negócios e decisões.
Eu passaria a ser sim, uma ameaça e isso bastaria para ele me mandar para bem longe. Eu não quis admitir ali, e agora, mas ao chamar um táxi ignorando o que meu coração e desejos primitivos realmente pediam, foi que tomei uma decisão inconscientemente.
— Anya! — Urrou tentando segurar meu pulso, mas me livrei rapidamente.
— Boa noite, senhor Cohen.
Ele se agitou ao me ver entrando no carro, e xingou vociferando para o vento. Seria com certeza a noite mais longa da minha vida, e a mais decisiva.