Minutos se passaram depois que deixei a figura do homem familiar para trás, quando me deparei com a cena de quatro adolescentes conversando em libras. Um grupo pequeno no canto do salão ao lado de um palco e um gigantesco telão. Foi inevitável não me lembrar do meu irmão, Tom.
Me vi ali, presa naquela cena reconhecendo suas conversas em gestos íntimos do grupo alheio a tudo. Eles estavam comentando sobre a frequência do som, e as diferentes ondas sentidas por cada um. Foi então que as luzes de todo ambiente abaixaram, colocando o palco em evidência e seu gigantesco telão, onde segundos depois o nome do CEO Cohen Archer foi anunciado.
Meu celular vibrou na bolsa de mão, e não precisei abrir a mensagem para ler na barra de notificação, Joe, perguntando aonde eu estava.
"Perto do palco"
Respondi. E aguardando pela sua resposta foi que as luzes de todo salão se apagaram de vez, e uma frequência sonora vibrou dentro de mim.
Uma onda proposital, emocionante, sentida e entorpecente. Um misto de sensações com a pouca visão e somente aquela frequência vibrando no peito, quando uma voz ecoou, seguido de uma presença no palco com luz limitada a sua silhueta masculina.
— Para alguns, isso é tudo! — Reconheci a voz de Cohen, calando todos os comentários e atraindo a atenção para o palco, onde a luz sobre ele se intensificava. — Isso que vocês estão sentindo é somente a frequência sonora de uma música que tocou há pouco. Falar de tecnologia e desenvolvimento é arcaico, quando tanto poder em nossas mãos não é acessível para todos. Nos limitamos quando o que conhecemos por desenvolvimento, não opera com igualdade e acessibilidade.
Me arrepiei dos pés a cabeça quando aos poucos o som foi voltando. Entendendo que ele havia começado seu discurso de lançamento.
— Vocês devem estar achando tudo bem diferente do que a Archer já proporcionou em lançamentos anteriores. Luxo, avanços... Mas, o evento da Archer esse ano não é um lançamento, mas sim o fim de uma era arcaica e banalizada. É o nascimento de uma era acessível a todos.
O telão atrás dele se ascendeu como em um clarão, surpreendendo todos os convidados com o novo logotipo da Archer. Um teaser com mais frequências sonoras do que sons, ondulações futuristas formando pontos em Braille no cinza espacial e as novas funções sendo reveladas ao público, com um guia de libras e salientações de acessibilidade que se uniram formando diversos aparelhos. Celulares, Notebooks, Tabletes... todos se unindo em um único buraco n***o, atravessando a luz como uma explosão do big bang, simbolizando o nascimento de tudo, tal como a nova corporação Archer, e seus sistemas de acessibilidade.
Esse sistema de integração, assim como os outros que a Archer desenvolvia seria vendido a grandes empresas que associadas a Archer, iniciariam uma nova era para usuários com algum tipo de portabilidade, visual e auditiva.
Os aplausos era incessantes a cada fala, até que um dos representantes dessas empresas que já adquiriram esse sistema e plano operacional, anunciaram seu preço final. Os sensores auditíveis que essa empresa produziria para trabalhar junto com o sistema de inteligência da Archer, tinham números exorbitantes no telão e, em meio ao silêncio atencioso para ouvir o homem ao lado de Cohen, eu ecoei minha indignação em um murmuro irônico.
Quando notei que minha voz interrompeu a fala do homem, e que nesse momento todas as cabeças se empertigavam para procurar o protesto involuntário - Em minha defesa sincero e incontrolável - , foi que os olhos de Cohen caíram sobre mim, e seguindo seu olhar intrigado, todos os convidados torceram seu pescoço e atenção para onde eu estava.
— Desculpe, senhorita. — Disse o homem sem reação.
Senhorita...
Eu não era Anya, eu não era a secretária do Cohen. Eu era, debaixo de uma máscara e alta costura, uma convidada com voz ativa e opinião respeitada, e que seria ouvida. Sem temer ou hesitar, caminhei em passos lentos, surgindo na parte iluminada como uma protestante enviada, causando cada vez mais um silencio ensurdecedor e eximia atenção.
— Desculpe, senhor Archer. — Falei diretamente com ele. — Mas se você acha esses números acessíveis, então sugiro que encerre esse evento e volte as suas práticas futuristas e generalizadas de desenvolvimento para uma massa predominantemente maior.
Cohen tirou a máscara, e em completo estado de ultraje e indignação, aquele vinco no meio das sobrancelhas se fizeram presentes.
— Não entendi! — Entendeu sim, mas desafiou-me a seguir com meu protesto.
Eu não seguiria adiante, se não tivesse protegida pela evidencia do seu desconhecimento acerca da minha identidade. Mas, depois disso uma coisa era certa, ele jamais poderá saber quem sou eu.
— Falar de acessibilidade, é falar de uma minoria injustiçada pela infeliz falta de interesse que as grandes marcas tem de introduzi-los numa sociedade com proporções, não iguais, mas minimamente semelhantes, pois, para oferecer o que nós temos a eles, é preciso entender que avanços particulares precisam ser implantados. Cada deficiência necessita de um estudo próprio e soluções práticas para o mesmo direito.
— E não é exatamente o que eu estou fazendo? — Inquiriu Cohen, aproximando-se em passos lentos de onde eu estava. Quando dei por mim, uma luz reluzia sobre meu corpo, dando-me ainda mais importância. A essa altura, dezenas de fotógrafos apontavam suas câmeras para mim, como se aquilo fosse realmente uma represália.
Ri com nervosismo da sua ignorância diante da desigualdade social.
— Acessibilidade deveria ser um direito de todos, senhor Archer. Olhe para esses números, acha mesmo que isso é acessível? Pode até ser para alguns, mas uma minoria, dentro de uma parcela já pequena de pessoas. Isso... — Apontei para o telão. — É afunilar ainda mais a desigualdade entre elas, é dizer para uma criança que está há anos na fila de um aparelho auditivo que custa milhares de dólares, que ela precisa escolher entre ter a chance de escutar novamente ou comprar um celular inteligente. Facilitar a vida dessas pessoas deveria ser um dever, com o que já é possível, não fazer disso mais um produto. Do que adianta ter tecnologia inclusiva, se ela é acessível apenas pela minoria? Então ela não é inclusiva. Volte atrás nos seus conceitos, desenterre a Archer e lance isso como um produto, visando lucrar e não incluir. É mil vezes melhor que vender uma nova era. Afinal, o que tem de novo ao escancarar que somente quem tem poder pode usufruir de certas regalias?
Um murmuro uníssono foi manifestado, e o que não poderia ficar pior, ficou, pois palmas foram ovassionas até se misturarem com os murmúrios de indignação. Detendo seu olhar em brasa e chamas sobre mim, Cohen entregou o microfone para o homem ao seu lado e pediu para que continuasse de onde parou.
Acreditei que aquilo era somente um ato de superioridade, ignorando minha manifestação, até vê-lo descer pelo outro lado do palco. Meu coração disparou.
Aproveitando a vantagem que eu tinha estando do outro lado do salão, me esgueirei pelas pessoas e sumi na multidão adentro, fugindo descaradamente pela segunda vez de Cohen. Olhei para trás uma ou duas vezes respirando aliviada por não vê-lo atrás de mim, mas uma única vez que olhei para o ponto onde eu o confrontei, avistei-o chegar no mesmo momento, deixando claro que estava me procurando.
Não pude me controlar, foi mais forte do que eu. Vendo aquele valor no telão eu só consegui pensar no meu irmão que jamais poderia ter um se dependesse das nossas condições, e ele não precisava se sentir ainda mais inferior por isso, pois tudo o que pregamos ao Tom, é que ele não tem nada de diferente de nós. Sua condição o torna apenas especial.
Meu pequeno Tom merece o mundo, e me corrói saber que o mundo custa muito caro.
Caro demais para ambiciosos como Cohen encarecer ainda mais, em nome de uma nova era a qual pessoas como minha família e especialmente Tom, não podem ter acesso.
Meu celular vibrou na minha mão e ansiosa, procurando pela saída mais próxima, foi que lembrei de Joe e somente por isso parei em um canto, abrindo sua mensagem atrás de uma vidraça.
"Aonde você está? O que foi aquilo???"
Ele me viu! Joe sabia que eu estava ali, me reconheceu muito provavelmente pelo fato de eu ter descrito a cor do vestido que eu estava usando aquela noite, e deve estar espantado com o modo com que confrontei Cohen.
"Perdi o controle, estou indo embora."
"Não!" Chegou imediatamente. "Me diga aonde você está!"
Encarando aquela mensagem, decidi que não acabaria com minha noite por causa de Cohen, eu tinha uma promessa para cumprir. Especifiquei a ele para onde eu estava indo, e ele garantiu que me encontraria, mas mais rápido do que meus dedos foram de responder, dedos ávidos envolveram meu braço, puxando-me para um canto escuro do salão, escondido entre uma pilastra e outra. E outra. E outra.
Somente quando minhas costas se chocaram com a parede gelada, é que encontrei os olhos de Cohen na baixa luz, colocando-se na minha frente, me impedindo de sair.
Meu coração tamborilava contra as costelas, meu peito subia e descia, e uma agitação no meu ventre se fez presente. Minha vida já era. Todos os meus sonhos foram reduzidos a **, quando encarei seu maxilar retesado e os braços fortes prendendo-me ali.
Os olhos estavam ainda mais escuros, quase não consigo vê-los na baixa luz, seu corpo não passava de uma silhueta endurecida e cheia de raiva, escancarando nossas diferenças corporais. Lutei contra a vontade de me encolher, estufando meu peito em uma tentativa de não demonstrar medo. Uma tentativa inútil já que minha própria respiração me entregava.
— Não tenho problema em ouvir opiniões, mas me expor ao ridículo para ganhar manchetes pela manhã não vai pagar esse vestido! — Sua voz rouca e potente arranhou meus sentidos. Só então me dei conta de quão próximo ele estava.
Não respondi, apenas esperei que ele aliviasse o toque no meu braço.
— Se minha intenção fosse ser capa de manchete, eu teria subido no palco e dado minha cara a t**a. — Respondi com os dentes trincados.
— Então o que você quer?
— Que gananciosos da alta sociedade fiquem no seu lugar de fala.
— Eu até consideraria sua represália como um ato de indignação se estivesse em maltrapilhas, mas dentro desse vestido você se iguala a mim, então este, também não é o seu lugar de fala. A menos que quem pagou por esse vestido esteja aqui.
Num impulso no ápice do meu ofendimento, tentei acerta-lo com um t**a, mas Cohen foi rápido e capturou meu pulso ainda no ar, imprensando-o na parede acima dos meus ombros.
— Não banque a ofendida, pois sei que está gostando desse jogo. E se eu não estivesse gostando tanto quanto você, não estaria aqui. — Sua voz não passou de um sussurro rouco, cada vez mais próximo, até que seu hálito quente acariciasse minha face, me dando a noção exata do perigo. Cohen estava muito perto.
Seu corpo começava a tocar o meu. Tentei afasta-lo com a mão livre, mas ela também foi pega e levada acima da minha cabeça, deixando completamente a seu dispor.
— Só vou perguntar mais uma vez. — Disse, com os lábios roçando o lóbulo da minha orelha. Um arrepio violento ouriçou meus pelos da nuca, subindo pela minha espinha e aclamando por luxúria. Meu ventre se contorcia e uma parte de mim, começava a pulsar em expectativa. Uma tensão excitante, movida pelo medo, sobretudo, pelo corpo quente e duro imprensando-me ali. — Quem mandou você aqui?
Estreitei meus olhos com a confusão. A essa altura eu jurava que Cohen já sabia que era eu. Mas sua pergunta me mostrou que não, e se eu soubesse disso desde que ele me trouxe para esse canto escuro, onde ele provavelmente enxergava tão pouco quanto eu, não teria sequer aberto minha boca.
Pois era isso que eu iria fazer, não dizer mais nada para não correr o risco de ser reconhecida. Não iria me mover se não fosse preciso, mas foi, e nesse gesto Cohen entendeu que precisava se proteger.
Quando o agarre dos seus dedos nos meus pulsos relaxaram, tentei me desvencilhar, mas meu corpo foi erguido e sustentado pelo seu quadril pressionando uma única perna entre as minhas. O movimento que fiz para tentar sair fez friccionar minha i********e em sua coxa, e o que senti pulsando arrancou-me um ofego lascivo de prazer.
— Eu vi você chegando. — Falou com a voz perto de mim, não sabia que podia ficar ainda mais arrepiada, até sentir meus m*****s enrijecidos e meus s***s pesados, com seu tórax também os pressionando, fazendo meu colo ganhar uma saliência ainda maior. Eu estava sem sutiã. Isso foi lembrado quando senti o calor do seu corpo nos mesmos, tendo somente duas finas camadas de tecido entre nós, eu os sentia doer cada vez mais. — Vi você descendo as escadas e eu vi, todos aqueles olhares sobre você. Muitos desejariam tirar esse vestido do seu corpo hoje, e eu me incluo nisso, mas então você me provocou. E se tem uma coisa que eu não resisto é um jogo.
Seus lábios tocaram a pele do meu pescoço, e instintivamente meus quadris se moveram, buscando por mais daquele toque no meu íntimo.
— Acaba logo com isso! — Implorei, na esperança de que ele me soltasse para fugir enquanto ainda me restava sanidade mental. — Ou eu vou gritar.
— Você vai gritar uma hora ou outra. — Ele mesmo roçou seu corpo no meu. Cohen cruzou meus pulsos acima da minha cabeça e segurou os dois com mínimo esforço em apenas uma mão. A outra, desceu acariciando meu braço com as pontas dos dedos, desenhando minha silhueta, passando meu pescoço até chegar na linha do meu decote. Seu peito afastou-se do meu, e logo meus s***s pesaram. Não precisei olhar para saber que meus m*****s estavam duros e acesos, ansiando por aquele toque tão perto. — Vai gritar o meu nome...
Seus dedos finalmente desenharam no contorno dos meus m*****s, e uma onda de prazer eletrizou cada centímetro do meu ser. Circundando-os com o polegar, nunca imaginei sentir tanto em um único ponto. Nunca imaginei que estaria tão entregue a quem eu menos esperava.
— E quando eu parar... — Disse parando o toque, me levando ao limite do desespero. — Você vai gritar por mais.
— Cohen! — Resmunguei, estufando meu peito como se eles pudessem se tocar sozinhos.
Me prometa que após a meia noite, você estará nua na cama de alguém.
Por Deus, esse alguém não poderia ser o Cohen!
Sua mão que antes tocava meu seio circundou minha cintura, trazendo meu quadril para si, me levando ao ápice da loucura, pois passei a sentir seu m****o duro e viril tocar em mim.
Eu não aguentaria por muito mais tempo, em breve eu estaria pedindo para que ele me dominasse bem aqui, sem me importar com mais nada. Mas algo dentro de mim gritava para que eu não deixasse isso acontecer.
O agarre nos meus pulsos sumiram. Meus braços caíram sobre os ombros de Cohen, então senti sua mão agora livre, tocar a minha coxa, obrigando meu quadril enlaçar o seu. Não resisti ao toque firme na lateral da minha coxa, e deliberadamente me movi. Foi quando arranquei pela primeira vez um gemido grosso de Cohen.
Sua voz no meu ouvido pareceu ser o estopim. Um incentivo inebriante de prazer, querendo exercer cada vez mais poder. Me movi, atiçando sua virilidade, arranhando sua nuca, causando nele um desespero visível, apertando-me cada vez mais, trazendo ainda mais para si, como se isso fosse possível.
Em um ato impensado, movido pela luxúria, Cohen procurou meus lábios com os seus, e me tomou em um beijo enlouquecedor. Poderia ter sido o fim, minha bandeira branca, minha vontade era a de arrancar essa máscara e faze-lo me possuir, mas então lembrei que Cohen só estava fazendo isso por não saber quem sou.
Mas a verdade é que nós sabemos que ele só não se envolve com a ralé. E com ralé eu quero dizer, nós... ratinhas secretárias.
Eu não estava pensando direito. Não estava pensando em p***a nenhuma! Precisava sair daqui o mais rápido possível e usaria esse momento contra ele mesmo. Decidi isso interrompendo o beijo.
— Eu não devia estar aqui.
— Mas está! — Disse mordendo meu lábio inferior. Chupando meu sabor e cada gota de sanidade.
Ali eu declarei para mim mesma que não tinha chances. Minha vontade se tornou quase uma necessidade primitiva e sem pensar em mais nada eu apenas aceitei o fato de que hoje, eu me entregaria ao Cohen.
Quando por uma infeliz sorte, ouvimos um segurança reverberar algo que foi impossível ignorar ao passar pelo corredor das pilastras que nos escondia.
— Eu não entendo o que você quer dizer, só me acompanhe!
Algo em mim, parecido com o sentimento que tive de defender os direitos do meu pequeno Tom na frente de todos, despertou como um instinto de p******o, me fazendo parar o beijo.
— Garota para de gesticular eu não te entendo, apenas me acompanhe para fora daqui! — Disse a voz masculina com ainda mais imposição.
Imediatamente me desprendi do quadril de Cohen, e empurrei seu peito para sair dali. Ele não dificultou quando percebeu que eu estava preocupada com o que estava acontecendo. Soltou um longo suspiro e me seguiu.
Encontrei uma dos adolescentes que antes conversava por libras, tentando se comunicar com um garçom e um segurança, ela parecia agitada e com pressa, mas o maldito não a entendia, eu sim.
— Me espera aqui. — Pedi, tentando me livrar de Cohen, mas ele apertou minha mão, até perceber que eu estava inquieta e olhando para aquela situação. Então cedeu.
Andei em passos largos a tempo de entender que a garota precisava de um toalete urgente, pois se sentia enjoada e queria vomitar ali mesmo.
"Por aqui" Eu disse em libras, tentando guiar a garota.
— Graças a Deus, senhorita, essa garota é penetra e estou tentando dizer a ela que precisa sair daqui antes de causar algum problema.
— Tentando dizer? — Inquiri com uma raiva crescente a sua ignorância.
"Eu estou passando muito m*l"
Disse a garota desesperada.
— "Vem" — A chamei por voz e gestos.
— Precisamos guiá-la para fora do evento.
— Ela precisa de um banheiro! — Praticamente gritei.
— Deixem a garota! — A voz de Cohen rasgou o ambiente. Os dois funcionários se aquietaram e assentiram saindo de perto.
Toquei o ombro da garota, que realmente estava bem diferente em questão de vestimenta dos outros convidados e a guiei sem olhar para trás, procurando por um banheiro, até que ela entrou em uma saída de emergência.
"O que está fazendo?" Perguntei parando na sua frente.
"Não estou passando m*l, vi aquele homem te puxando e atrai a atenção do segurança, agora só não quero me meter em encrenca. Obrigado pela ajuda, mas só preciso cair fora daqui".
Um sorriso amplo ocupou minha face com sua inocência, se eu quisesse acreditar em conto de fadas, a hora era agora.
Minha consciência do que estava prestes a acontecer minutos atrás me açoitou, e eu só poderia agradecer a garota por ter evitado o pior erro de toda minha vida.
"Obrigado! Também preciso cair fora daqui, posso te seguir?"
Intrigada, ela olhou para os dois lados daquele corredor vazio, ainda atrás da porta corta-fogo, para então dar os ombros e tocar meu braço para segui-la. Subimos uma escadaria interna, até estar de frente para uma segunda porta, que deu direto na saída do hotel, onde me esgueirei até o manobrista pedindo para anunciar meu motorista.
"Precisa de carona?" Perguntei antes de me despedir da garota.
"Não seria r**m". Respondeu em um sorriso desacreditado.
— "Entra". — Pedi em desespero. Nós duas pulamos para dentro do carro e eu finalizei aquele dia, rindo sem acreditar em absolutamente nada do que fiz.
E sem me dar conta de que tinha perdido algo.