Capítulo 08

3402 Palavras
Uma onda de calor eletrizante estava aprisionada no meu ventre enquanto a garota do meu lado ainda olhava para trás, enquanto o carro se afastava do hotel. "Por que estava fugindo?" Perguntei, quando ela finalmente retirou sua máscara de Carnaval e a deixou pendurada no seu pescoço. O cabelo cacheado preso no alto da cabeça, e a aparência simples da penetra evidenciava seu medo por estar onde não deveria. "Eu não podia ser pega. Vi o que você fez, fiz leitura labial. Você acabou com eles. É por isso que está fugindo também?". Também perguntou em linguagem de sinais. "Eu também não podia ser pega, trabalho para ele. Só falei aquelas coisas porque fiquei com raiva". "Você não parece ter muito o que perder". "Mas eu tenho! E você apareceu na hora certa". "Não posso dizer o mesmo. Invadi a festa para tentar falar com o Cohen, e talvez teria conseguido se ele não tivesse ido atrás de você depois do discurso". Ela sorriu sem graça. Me desculpei em um meio sorriso, interessada pela coragem da garota. "O que você queria com o Cohen?" "Fui convidada pela escola, mas cancelaram a participação dos alunos, quem me ajudou a entrar foi um amigo que o pai trabalha na Archer. Eu acredito que Cohen nem saiba disso, tinha esperanças em conseguir participar como convidada, mas como você mesma disse, esse projeto está longe de ser acessível." Lembro rapidamente de quando Cohen recebeu uma assistente social na sua sala, em uma reunião sobre o projeto envolvendo os alunos de uma escola. "Eu trabalho diretamente para o Cohen, posso fazer você falar com ele, mas... Em hipótese alguma ele pode saber que sou eu". "Moça, eu não sei quem você é". Disse rindo. Concordei assentindo e prossegui, verbalizando para o motorista o caminho que ela tinha me explicado. Anotei meu número em seu celular e garanti que ela poderia me ligar para que eu pudesse ajuda-la como forma de retribuição, e pela vontade de fazer por ela, o mesmo que eu gostaria de estar fazendo pelo meu irmão. Não diria a ela que eu sou tão próxima de Cohen. Se os dois iriam conversar, tudo o que ele supostamente podia saber, é que a mulher que fugiu com ela essa noite, foi quem a ajudou. "Obrigado pela carona". Agradeceu quando o carro parou de frente para um prédio simples, em um bairro afastado da cidade. "Não tem de quê". Ela sorriu, correndo para dentro do prédio como se não pudesse ser vista, então me lembrei que eu sequer perguntei seu nome. Pensei na garota o caminho todo de volta para casa, sorri pela noite mais insana da minha vida, e só quando adentrei meu apartamento é que a dura realidade me atingiu. Eu havia me esquecido do Joe. Eu havia exposto Cohen, confrontado e contestado seu discurso de lançamento. E por último, mas não menos importante, eu me entreguei deliberadamente ao meu chefe. Provei do seu beijo, senti seu sabor e permiti que ele me tocasse. Não, eu não tinha cumprido minha promessa de terminar essa noite nua em uma cama, e agradeci o fato da Holly não estar em casa para me perguntar o porquê de ter voltado cedo. Mas uma coisa eu não podia dizer que não fiz, foi ter feito coisas que a Anya jamais faria. Ri sozinha levando minha mão a boca, estava incrédula. As sensações ainda estavam vivas na minha pele, o toque lascivo de Cohen queimava como se eu ainda os sentisse. O medo por trás de todas as minha atitudes impensadas foi esquecido, e reduzidos a nada, sem importância, já que está noite, eu não passei de uma desconhecida desejada. Eu não passei de um símbolo de poder e feminilidade sem temor ao grande Cohen Archer, que minutos depois me proporcionava prazer e uma das sensações mais inesquecíveis em sua forma mais primitiva. De frente para o espelho do meu quarto, tirei a máscara e meu cabelo caiu em cascata. Foi como se a magia tivesse acabado. O vestido caiu sobre meus pés, e me olhando no espelho, encontrei marcas suaves do toque viril de Cohen, nas coxas e b***a. Meus s***s no mesmo momento pesaram. Tomei um banho demorado, livrando-me dos vestígios de uma noite memorável. Coloquei um pijama confortável, abracei todos os travesseiros da minha cama, e busquei ainda com um sorriso no rosto, o meu sono mais pesado, admirando até o último segundo, meus olhos pesados sob o vestido na cadeira onde eu geralmente estudava. ⚜ Acordei em um sobressalto, como se alguém estivesse invadindo minha casa. A porta foi escancarada de tal forma que causou um estrondo, antes do meu nome ser gritado. — Anya! — Vociferou Holly com desespero. Seus pés batiam no assoalho. — Anya!!! Gritou invadindo meu quarto, ela estava ofegante, segurando um par de saltos em uma mão e o celular aceso em outra. Seu cabelo preso de qualquer jeito no alto da cabeça, e o vestido de balada preto em lantejoulas parecia aberto, como se ela nem tivesse se preocupado em fechá-lo. — O que foi? — Preocupei-me principalmente quando vi o seu estado. A maquiagem borrada, o batom sujo em volta da boca. Eu pensei no pior, e por isso saltei da cama com o coração na boca, mesmo bêbada de sono, minha alma ainda estava na cama. — Olha isso! — Ordenou apontando com o salto para o celular. — É você aqui... Minha visão ainda embaçada, brigou com o brilho do celular, até reconhecer minha foto, com o título de uma manchete. "Dama de Prata desbanca lançamento da Archer" E não era a única. Quanto mais Holly dedilhava a tela do celular, mais notícias iam surgindo. Foto minha por todas as partes. Ângulos e títulos diferentes. Dentre eles o sucesso do vestido, sabia que tinha dedo da Stella nisso. Para promover a própria marca ela contratou um fotógrafo de passarela, que espalhou seu trabalho por todos os perfis de fofoca. Todavia, minha afronta ao Cohen no meio do seu discurso era o assunto principal, estampando minha foto como a polêmica da noite. — Isso não é nada bom! — grunhi, pegando o celular da mão da Holly, passando de notícia em notícia. — Isso é ótimo! — Afirmou Holly. — A Stella me acordou comemorando. Disse que eu tinha razão. Não param de ligar no ateliê em busca de informações sobre a Dama de Prata. — Não, não, não, não, Holly! — Me desesperei. — Isso pode custar o meu emprego. — Você não pensou nisso ao falar aquelas coisas. Você causou rebuliço no mercado da moda, mas muito mais no mercado publicitário. Fez o maior evento de lançamento da Archer, parecer uma piada. Estava difícil manter um diálogo sério com a Holly em um estado deplorável. Eu posso imaginar que sua noite foi regada a bebidas, pista de dança e um pós-party com idade classificatória. — E agora estão todos querendo saber quem é essa louca. — Falei, levando Holly a uma gargalhada forçada. — Sempre achei que você não estava na área certa, mas, Anya, você nasceu para o marketing. — Irritada, joguei um travesseiro na minha amiga que não cessou as risadas. — Eu vou ser demitida! — Essa era a única certeza da minha vida. — Não, não vai. Cohen não faz ideia de que era você. A verdade me açoitou como um t**a na cara. De repente me vi estática relembrando cada segundo naquele espaço pequeno e escuro escondido por pilastras. Ele só aconteceu, porque naquele momento, para o Cohen, aquela não era eu. Não contei a Holly o que aconteceu, não tive coragem. Sequer me olhei no espelho o restante do dia, sofrendo antecipadamente por uma ansiedade arrebatadora esperando pelo dia seguinte, como se fosse o dia da minha condenação. Holly ria a cada nova noticia, gargalhava a cada comentário, muito deles, concordando com minha atitude e usando minhas palavras para levantar pautas. E foi no meio da tarde, quando minha amiga estava preparando o vestido para devolver ao Ateliê, que ela me interrogou sobre a promessa. Eu disse que tinha cumprido em partes. Não fiquei nua, tampouco em uma cama, e o motivo era óbvio, estava estampado em todos os lugares. Disse a ela que depois do acontecido, eu tive que sair vazada, e de certa forma eu não estava mentindo. E na manhã seguinte, jurei que minhas tripas tinham virado um grande emaranhado de nós, de tanto que meu ventre se revirava. Um calafrio incessante, e um suadouro nas mãos que não acabava. Ele se intensificou quando pisei meus pés naquele edifício. Não se falava em outra coisa, o assunto principal era a mulher que confrontou Cohen. A essa altura eu já tinha ouvido de tudo, e o nervosismo só aumentava. No momento eu não era ninguém, passava pelas pessoas sem atrair atenção, completamente diferente da noite retrasada. Não demorou muito tempo para descobrir que o teto sob minha cabeça estava quase desmoronando. Grupos pequenos se aglomeravam para fofocar sobre os efeitos das notícias, outros ainda não tinham superado a tal Dama de Prata, e o que mais se falava é que a represália parecia ter sido mandada, e o maior suspeito foi visto conversando com ela na festa. Casper Archer. Quando ouvi isso meu queixo foi ao chão. A informação veio de duas mulheres que passaram sem notar que eu estava ali, e eu me sentia tão invisível que sequer se preocuparam quando esbarraram em mim. Muito embora o indivíduo não tenha culpa, já que foi eu quem parou no meio do hall próximo a grande recepção. Só então percebi o quanto estava atordoada, enquanto as lembranças da noite que eu denominei como a mais inesquecível da minha vida, se tornaram as mais pavorosas. Eu queria esquecer tudo o que aconteceu. Queria passar uma grande e definitiva borracha. Casper, o irmão que vivia em pé de guerra com Cohen, o que desde que me entendo por gente tenta ocupar o lugar dele, e que sem muito esforço me veio em mente como o rapaz que me esbarrei. Eu sabia que já o conhecia. Só não sabia que ele estava mais perto do que eu imaginava, pois, como gerente, coordenador e correspondente da Archer, Casper estava apenas um andar abaixo do meu, e vivia fazendo visitas inesperadas ao Cohen. Ele é, inclusive, um dos brutamontes que já tive que barrar passagem. "Quando se lembrar, você vai saber aonde me encontrar" Adentrei o café secando a palma da minha mão na roupa, enquanto a outra segurava a alça da bolsa. A cafeteria estava cheia. Como sempre Joe estava no canto do balcão, mas minha vergonha por tê-lo deixado esperando chegou primeiro. Pigarreei vendo-o trabalhar de costas, e quando ele notou que eu estava do outro lado do balcão, veio até mim com pressa. — Viu como esse lugar está pegando fogo hoje? — Indagou antes mesmo do "bom dia". — Vi. — Despejei enjoada. Meu estômago estava embrulhado, eu definitivamente não queria mais vir trabalhar. Eu queria esquecer aquela noite, queria esquecer que estive com Cohen e principalmente, queria esquecer que abandonei os dois lá. — Joe... Tentei começar com minha desculpa ensaiada, muito embora ele sabia o que estava acontecendo, mesmo assim não anulava nem izentava meu pedido de desculpas. — Cohen esteve aqui. — Disse de repente. — E já levou seu café. Pude jurar que minha alma saiu do corpo e não garanto se voltou. — Como é? — Perguntei me escorando no balcão, para ver se ouvi direito. — Foi uma surpresa pra mim também, aliás, para o café inteiro. Ele entrou como um demônio pela porta e pediu pelos dois cafés. Você sabe que eu sempre deixo pronto, nem tive como dizer não, estava bem na frente dele. Acho melhor você correr. — Vou ser demitida! — Declarei convicta. — Qualquer um que ficar no caminho dele hoje vai ser. — Franzi minha testa contrariada. Esperava ouvir palavras de conforto. — E-ele, ele falou alguma coisa? — Joe deu ombros. — Apenas pediu o café e mandou você subir o mais rápido que puder. — Acho que eu preferia ouvir que ele mandou eu voltar pra casa daqui mesmo. — Disse deixando meus ombros cair. — Eu só posso te desejar boa sorte. Mas, me prometa uma coisa. — Pediu com olhar aflito. — Nunca mais permita que ele fique tão zangado a ponto de vir buscar seu próprio café, porque Anya, aquele cara me olhou como se eu fosse a causa dos problemas dele. Pude jurar que Joe espantou um calafrio de medo. Eu sorri sem conseguir me conter. — Imagine quando ele me ver. — Eu não tinha o que esconder dele. Joe era o único que sabia o que eu fiz. — Sério, aquela promessa que eu te fiz sobre não passar a receita do café, esqueça, se ele me olhar daquele jeito novamente eu batizo a bebida com o nome dele se quiser. — Agradeci internamente por mais uma risada. — É, eu não tenho dúvidas de que era o Cohen. — Afinal, ele consegue o que quiser com aquele olhar. Meu caminho até o elevador foi tortuoso. Pela primeira vez eu não carregava nas mãos o par de copos térmicos para o último andar. Cada andar que o elevador subia correspondia ao meu nível de nervosismo que só aumentava. De frente para a porta de Cohen, percebi que eu nem respirava, e quando fiz foi em um lufar de coragem único, usado para também bater na mesma, batidas receosas que entregavam meu estado. — Entra! — Sua voz chegou abafada como se estivesse embalada a vácuo. Meu coração parece que se trincou ao meio, enquanto acelerava cada vez mais. Engoli seco abrindo a porta sem pressa, meus dedos tremiam ao tocar na maçaneta. O ar estava pesado naquela sala. Cohen estava de frente para a vidraça atrás da sua mesa, olhando para além dos prédios altos com os braços cruzados frente ao peito. Eu não conseguia ver seu rosto, mas percebi seu semblante endurecido ao virar levemente seu queixo por cima dos ombros, como se estivesse reconhecendo meus passos com sua audição. — Bom dia. — Disse me aproximando devagar. A porta se fechou sozinha atrás de mim ecoando um estalo, foi somente o tempo de olhar para trás conferindo a mesma, quando voltei, Cohen já estava com seus olhos em mim. Senti cada terminação nervosa paralisar. Eu entendi o que Joe quis dizer, nesse momento ele também me olhava como se eu fosse a causa dos seus problemas. Apenas uma coisa diferenciava o medo do Joe, do meu. Eu realmente era a causa dos problemas dele. — Está atrasada! — anunciou, arrancando-me do mais profundo torpor. — Como? — Olhei em meu relógio de pulso o desmentindo. — Estou no meu horário. — Não, não está! Está atrasada, se não estivesse, saberia que a última coisa que deveria me desejar hoje, é um bom dia. Eu fiquei completamente sem reação. Não sabia o que dizer, não sabia como agir. Eu não sabia sequer se Cohen já sabia que a Dama de Prata era eu, e ao lembrar disso, decidi que agiria como se eu não fosse. Cohen nunca descontou em mim algum problema pessoal dele. Cohen nunca passou por mim despejando seu mau humor como até eu mesma fazia. Eu sabia quando ele não estava em um bom dia, e eu mesma o evitava, sobretudo respeitava, principalmente por saber que eu não tinha nada a ver com seus problemas, portanto forcei minha mente a viajar pelos seus piores dias, buscando uma reação mais coerente de ser, diante de uma situação que expondo meu cinismo, não era eu, então não podia permitir que ele me tratasse como se fosse. Se ele souber da verdade, minha demissão é certa, mas enquanto ela não for anunciada, Cohen estava diante da sua secretária. Nada mais que isso. — Desculpe. — Juntei minhas mãos lentamente em frente ao corpo. Cohen respirava pesadamente. Ele descruzou seus braços e enfiou as mãos no bolso da calça, e andou friamente sem tirar seus olhos de mim. Tentei controlar meu peito que agora subia com mais afinco. Minha pele parecia sentir sua proximidade, e meus olhos não conseguiam desviar do azul intenso e tenebroso que contornava sua íris. O maxilar nunca esteve tão desenhado, evidenciando o quanto ele o tencionava. Cohen passou por mim, deixando-me cada vez mais aflita. Meu nervosismo estava tão bem guardado que quando engoli seco mais uma vez, tive a impressão que poderia explodir, se ficasse mais um segundo encarando seus olhos. Senti seus passos se afastarem de mim, olhei por cima dos ombros e o vi servindo do seu próprio café, misturando uma colher do meu para ingerir. — O lançamento da Archer foi um fiasco. — Despejou, mas longe de esperar por uma resposta, ele parecia estar só começando. — Fui pego de surpresa e tive que lidar com um protesto inesperado. Apenas me diga que você sabe do que estou falando. Anui, cravando minhas unhas na palma das mãos. Afinal, qualquer um a essa altura já estava sabendo. — Sim. — Ótimo. — Disse apenas, atiçando a minha curiosidade, me obrigando a procura-lo com os olhos. Cohen estava recostado no balcão do bar, bebericando seu café enquanto me encarava. — Então você compreende meu mau humor, pois você sabe o que fiz para fazer esse lançamento dar certo. O que não é uma surpresa, eu geralmente consigo o que quero, você é prova disso. Meu coração parecia que a qualquer momento saltaria do peito. O calor e o suadouro nas mãos, beiravam os sintomas de um infarto. Eu só não sabia se isso era uma ansiedade inquietante ou medo. Não medo dele em si, ou do seu olhar sobre mim, não era medo do meu futuro nem do que poderia acontecer comigo dali em diante... Eu tinha medo do poder que ele exercia sobre mim, pois, olhando fixamente em seus olhos, minha mente viaja para o momento em que ele me tinha em seu domínio de prazer, então atribui o calor que crescia dentro de mim, a excitação. A mesma que senti naquela noite. Disse a mim mesma que tudo voltaria a ser como era antes, eu só não sabia que ao vê-lo novamente, meu corpo reagiria tão intensamente. Me perguntei se a mesma tensão que crescia dentro de mim era sentida por ele, se esse olhar lascivo era o mesmo que ele lançava a Dama de Prata, se o desejo era incontestável e avassalador como o que eu estava sentindo, pois se for... aquilo bastava, Cohen sabia que era eu. — Sou? — Um sorriso cínico surgiu no canto dos seus lábios. — Eu te demiti, e a contratei de novo, só para garantir que estivesse presente na festa. — Relembrou. — Ah, Anya, se eu pudesse voltar no passado, eu não teria feito isso. Eu não tinha dúvidas que ele nesse momento escutava as batidas do meu coração, a pele do meu rosto queimava. Eu só queria ouvir que estava demitida e que podia nunca mais voltar aqui, mas antes disso eu entendi que teria que lidar com a ira de Cohen. — Está arrependido? — Outra vez ele sorriu, mas não continha felicidade. Sua expressão era apenas raiva e um sarcasmo ácido. — Eu não disse que estava arrependido. Eu disse que não teria feito isso, da forma que foi. — Ele olhou para o meu café ao lado do seu corpo, como se eu não o tivesse notado ali. Buscando agir naturalmente, mesmo que por dentro eu esteja uma tremedeira vergonhosa fundida ao desespero, eu fui até ele e peguei meu copo, sentindo a pele da minha bochecha queimar ao perceber seu olhar em mim. Concentrei-me na bebida quente entre meus dedos, livre de qualquer rabisco pela primeira vez. Conclui que se eu tivesse me encontrado com Joe desde o início, tudo teria sido diferente. — Eu não teria pedido a presença de todos os funcionários, teria tido menos repercussão. E se era na sua presença que eu estava interessado, deveria ter pedido pessoalmente, pois, mesmo fazendo tudo o que fiz... Você não foi! Por pouco não deixei o copo térmico escapar da minha mão, uma confusão se fez dentro de mim. Eu tentava compreender a raiva do Cohen, e mais do que nunca, sua última declaração.
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