Pré-visualização gratuita Prólogo
O cristal da taça refletia as luzes do enorme salão do Centro Internacional de Convenções,
Como se carregasse pequenos diamantes líquidos.
Bianca Berg Montmorency
Ela sorriu para os fotógrafos enquanto os flashes iluminavam o seu vestido prateado,
Os seus cabelos loiros naturais realçando os seus lindos e brilhantes olhos azuis.
Com a sua aura quase angelical.
Ela sabia o impacto que a sua beleza causava nas pessoas
E principalmente nos fotógrafos.
Ela sempre foi amada pelas câmeras fotográficas.
E vista como um símbolo de beleza, elegância e riqueza europeia.
Aos olhos da imprensa, aquela era apenas mais uma noite histórica para o mercado mundial de pedras preciosas.
E Bianca não sabia que aquela noite mudaria o destino da sua vida
E de mais três famílias.
No centro do palco
Três homens apertavam as mãos.
Diante de centenas de
Empresários
Investidores
Jornalistas.
Otto Montmorency — seu pai.
Ricardo Lancaster — a quem Bianca desejava, em breve, chamar de sogro.
Augusto Alcântara — amigo e sócio de seu pai.
Donos de impérios construídos em diferentes etapas do mesmo sonho.
Os Montmorency extraíam as pedras mais raras das minas africanas.
Franceses e ricos desde a Antiguidade.
Eles não conheciam o significado da palavra não.
Bianca sempre teve tudo o que quis, na hora que quis e do jeito que quis.
Filha mais nova de dois filhos, sendo a única menina, cresceu rodeada de mimo, zelo e cuidado.
E isso refletia na sua vida adulta.
Apesar de ser herdeira de uma fortuna, ela quis se arriscar no mundo da moda.
Aos vinte e seis anos, era uma das modelos de joias e maquiagem mais bem pagas da França e do mundo.
— Papai.
Bianca se aproximou do trio que dominava metade da economia brasileira.
Ela recebeu do pai um beijo carinhoso na testa.
— Oh, minha pedra preciosa, como sempre, uma perfeição.
Otto sempre elogiava a filha e a esposa em público, aparentava ser um homem dedicado à família.
— Tio Ricardo.
A moça voltou-se para aquele que ela julgava que um dia se tornaria o seu sogro.
Os Lancaster transformavam pedras brutas em joias desejadas
Pela realeza
Por celebridades
E pelos homens mais ricos do planeta.
Ricardo Lancaster não só vendia joias, ele vendia poder e exclusividade em forma de joias.
O grupo Lancaster escolhia seus clientes a dedo.
Somente a nata da nata usava seus produtos.
E isso dava aos super-ricos a sensação de superioridade que somente quem nasceu nesse mundo conhece.
— Olá, Bibi.
Os olhos da jovem brilharam com o apelido carinhoso.
— Você se tornou uma jovem perfeita.
Ela sorriu.
— Será uma esposa de peso para algum jovem afortunado.
Todos riram
Enquanto eles se abraçavam em um abraço cheio de promessas.
— Obrigada, tio.
— Sr. Alcântara.
Ela estendeu a mão ao terceiro senhor do grupo, que segurou com delicadeza.
— Como tem passado, senhorita Bianca?
O contato foi rápido.
— Os ares da França fizeram bem à sua pessoa.
Ela sorriu, aquele sorriso polido e elegante, mas que não chegava aos olhos.
— Obrigada.
Os Alcântara dominavam a maior malha logística privada do país
Transportando riquezas no país todo.
Augusto Alcântara, na sua juventude, travou a maior batalha da sua vida
Ao se apaixonar pela filha n***a de uma das empregadas de sua fazenda.
Eliana da Silva Alencar.
Pai branco
Mãe n***a.
A jovem, na época, conquistou o filho dos patrões sem fazer esforço.
Ele, destemido.
Bisneto de coronel.
Neto de fazendeiros donos de gado e ricos há gerações.
Lutou pelo que queria.
E ele quis Eliana.
Isso o colocou em desvantagem por um tempo.
Mas um jovem que nasceu em berço de ouro
Soube recuperar-se, e fez a si mesmo e à sua família serem respeitados no seu novo meio.
Apesar das adversidades.
Hoje, ele marcava mais um avanço para alcançar de novo o patamar que um dia foi seu por nascença.
O topo.
— Foi uma longa temporada dessa vez.
Otto disse, acariciando as costas nuas da filha.
— Sim, seis meses.
Ela respondeu, vasculhando o salão com o olhar
Buscando por algo.
Ou alguém.
Mas seus olhos não encontraram o que queriam.
E isso causou nela uma leve irritação.
As três famílias, separadas, eram gigantes.
Juntas, tornavam-se praticamente imbatíveis.
O acordo firmado naquela noite
Prometia redefinir o mercado internacional de pedras preciosas pelas próximas décadas.
Os três foram chamados ao centro do palco pelo apresentador da noite.
Aplausos ecoaram pelo salão.
Otto iniciou o discurso.
Ricardo propôs um brinde.
As taças se ergueram.
Os sorrisos pareciam sinceros.
Naquele ambiente, dinheiro comprava quase tudo.
Respeito.
Influência.
Silêncio.
Lealdade.
Quase tudo.
Do palco, Ricardo ergueu a taça para a entrada do Centro de Convenções.
— Arthur, meu filho.
Bianca virou o rosto imediatamente.
Seu coração acelerou antes mesmo de encontrá-lo entre os convidados.
Ele atravessava o salão usando um elegante smoking preto
Cumprimentando empresários e políticos com a naturalidade de quem nascera naquele mundo.
Ele também ergueu a taça em direção ao palco,
Ao seu pai.
Seu herói.
Os olhos de Bianca encontraram o homem que amava há mais de dez anos.
Ele continuava exatamente como ela se lembrava.
Bonito.
Seguro.
Sexy.
Inacessível para a maioria das pessoas daquele lugar.
Então ela viu.
Ao lado dele caminhava uma mulher.
Alta.
Elegante.
Pele n***a iluminada pelas luzes do salão.
E linda.
Simplesmente deslumbrante, em um vestido azul-celeste.
Os cabelos presos num coque com alguns cachos soltos
Revelavam um rosto sereno, um sorriso discreto e um olhar firme.
De quem conquistou tudo.
O vestido azul-celeste parecia ter sido desenhado especialmente para ela
Marcava de forma elegante as curvas da mulher, que parecia ter sido esculpida pelos anjos.
Bianca franziu levemente a testa, mas manteve o sorriso no rosto.
Aquela mulher não era uma acompanhante qualquer
Já que Arthur dava o braço para ela, que segurava com delicadeza
Com orgulho.
Como se quisesse dizer algo ao mundo inteiro
Mas dizer o quê?
Bianca pensou.
A voz de Augusto, surpreso e até assustado, interrompeu os seus pensamentos.
— Helena, querida?
A moça soltou-se de Arthur e abraçou o senhor à sua frente
Com carinho e respeito.
— Papai, desculpe o atraso.
Ele beijou-a no rosto
E via-se no olhar do homem
Orgulho
Amor
E dúvida?
— Perdi o seu discurso?
A jovem perguntou.
— Sim, mas confesso que isso não foi o que mais me surpreendeu nessa noite.
O senhor encarou Arthur, que sorriu de forma nervosa.
Bianca notou, conhecia bem demais aquele homem.
Por que Arthur estava nervoso?
Ela pensou.
— Papai...
Helena começou a falar
Mas foi interrompida pelas mãos de Arthur em sua cintura.
— Sr. Augusto, quero me apresentar
Como oficialmente o namorado da sua filha.
O ar parou por um segundo.
Bianca podia ouvir o seu coração bater em câmera lenta nesse momento.
Helena sorriu.
Bianca tremeu.
As duas mulheres frente a frente
Enquanto Helena se alegrava
Ao ver a mão do pai segurar a mão de Arthur.
Bianca travava uma guerra interna
Ela tinha de manter a pose angelical, diante de tudo que sentia.
— Oh, isso é sério, meu filho?
Ricardo sorria abertamente e abraçava o filho, com tapinhas nas costas.
— Sim, pai, foi difícil manter sigilo até hoje.
Arthur sorria de boca aberta e dentes à mostra, coisa rara vindo dele.
Ele estava de fato feliz.
— Queríamos fazer uma surpresa.
Helena disse, recebendo também um abraço de Ricardo.
— Conseguiram.
Meu pai respondeu
Bebendo o seu whisky antes de cumprimentar o mais novo casal.
Otto não gostou da novidade e Bianca sentiu.
— Oi, Bianca.
Arthur a olhou, o seu sorriso era gentil
Enquanto a envolvia em um abraço.
— Quero que conheça Helena.
Minha namorada.
Helena a olhou.
Seu olhar era confiante.
Bianca apertou aquela mão com a mesma elegância que aprendera desde criança.
— Bianca Montmorency.
— É um prazer.
Mentiu com perfeição.
— Arthur me falou sobre você.
Disse Bianca, vendo Helena arquear levemente a sobrancelha.
— Espero que apenas coisas boas.
Todos ao redor sorriram.
Os fotógrafos registraram o encontro
E o anúncio do novo casal
Que se beijaram rapidamente.
Na manhã seguinte
Aquela fotografia ocuparia as capas das principais revistas de negócios do mundo.
Três famílias.
Um casal.
Um império recém-formado.
Pareciam indestrutíveis.
Naquele instante, Bianca compreendeu duas coisas.
A primeira era que Arthur Lancaster nunca havia a amado.
A segunda...
Era que algumas mulheres entram na nossa vida para serem admiradas.
Outras...
Para serem derrotadas.
E Helena acabou de se tornar uma delas.