O relógio marcava quase meia-noite quando Elle entrou no laboratório vazio. As luzes fluorescentes lançavam um brilho frio sobre as bancadas repletas de livros e frascos abandonados. Aquele lugar sempre foi seu refúgio, mas agora parecia carregado de eletricidade. E não era por causa dos fios expostos. Era ele. Théo estava encostado na bancada do fundo, os braços cruzados, os olhos cravados nela como se a despisse só com o olhar. — Você veio. — A voz dele era uma promessa rasgada, densa, como uma corda prestes a estourar. — Não deveria. — Elle respondeu, mas seu corpo já gritava o contrário. Ela trancou a porta atrás de si. Um gesto silencioso de rendição. Théo caminhou devagar até ela. O som das botas no piso ecoava como batidas de tambor no peito de Elle. Ele parou tão perto que ela

