Era noite. A biblioteca estava quase vazia, mas Elle e Théo ainda estavam ali. Sentados frente a frente, fingindo estudar, embora cada página virada fosse só pretexto. Os olhos se encontravam com mais frequência do que as palavras. Théo passou a língua pelos lábios e ergueu o olhar. A tensão era sutil, mas densa como fumaça. — Espero que você tenha sonhado comigo essa noite. — ele disse, com a voz baixa, rouca. Elle arqueou uma sobrancelha. — Arrogante. — Direto — ele corrigiu. — Só queria entender o que eu faço com você... porque você me bagunça inteiro. Ela mordeu o lábio, provocada. O calor subiu pelas bochechas, mas a resposta veio afiada: — E se eu disser que sonhei? Que você me acordou com a voz. Que me fez implorar no sonho o que eu ainda não deixei acontecer na vida real? O

