Capítulo 05.

2119 Palavras
Já era de noite. Estava chovendo muito forte. Comecei a ouvir a um choro, mas não era do Benjamim. Parecia ser de um cachorro, um filhote. Olhei pela janela, porque talvez poderia ser do Caíque, mas o choro não vinha dali. Desci a escada, Carolina foi pra casa da mãe dela com o Ben, eu estava sozinha em casa. Fui até a parte da frente da casa, encostada no vaso imenso que meu pai ganhou do parceiro de trabalho dele, tinha um cachorrinho. Vi o Caíque saindo de dentro da casa correndo e vindo em direção a minha casa. Alexa: — O que foi? Caíque: — Ouvi um choro de cachorro vindo daqui. Alexa: — É eu também. Caíque: — O que vai fazer com ele? Alexa: — Não faço ideia. Caíque: — Ele deve estar com frio e fome. Alexa: — Ele não parece ser de ninguém daqui. Caíque: — É um vira lata, é óbvio que não é daqui. Alexa: — Que preconceito. Caíque: — Alexa, as pessoas daqui são ricas, elas são tem cachorros caros. Alexa: — Faz sentido. Caíque: — Vou levar ele pra casa. Alexa: — Por que pra sua casa? Caíque: — Você quer ficar com ele? Alexa: — Não sei, nunca tive um cachorro. Caíque: — Nem eu – rimos – Mas temos que secar ele. Alexa: — Então ele fica comigo, com certeza eu levo mais jeito. Caíque: — Você tem ração? Alexa: — É Óbvio que não. Caíque: — Tenta dar um banho e secar ele, eu já volto. Ele saiu correndo em direção a casa dele enquanto eu tentava tirar o cachorrinho de trás do vaso imenso da minha casa. Não demorou muito e ele saiu da casa dele, vestido com uma roupa de coro, impermeável, subiu na moto e saiu. Consegui tirar o cachorro, e levei ele para dentro de casa, subi com ele pro meu quarto, coloquei ele dentro do banheiro e fui procurar alguma toalha, que não fosse nova e super cara que a Carolina comprou, porque se não, ela arrancaria a minha cabeça. Achei uma toalha um pouco mais velha, vermelha que era do meu pai, ele sempre levava ela pro quartel, ia ter que ser essa mesma. Voltei pro banheiro, eu estava usando um pijama de frio, mas vi que não ia dar muito certo, coloquei um shorts de usar por baixo do vestido e continuei de sutiã mesmo. Abri o chuveiro na água morna quase quente, comecei a dar banho no pequeno que estava visivelmente assustado e perdido. Ouvi um barulho na porta do meu quarto e depois na porta do banheiro. Caíque: — To entrando. Ele entrou. Alexa: — Tudo bem, estou de roupa. Caíque: — Que pena – ele riu. Alexa: — i****a. – rimos. Caíque: — Quer ajuda? Alexa: — Não, já estou terminando. Pega a toalha vermelha pra mim. Terminei de dar banho no pequeno e ele ainda tremia de frio, tirei ele de dentro do box e enrolei ele na toalha. Caíque: — Deixa ele comigo, vai se secar. Alexa: — Tá bom. Ele saiu de dentro do banheiro, aproveitei e tomei um banho rápido. Saí do banheiro enrolada na toalha, peguei minha roupa e voltei pro banheiro, saí depois já vestida com um shorts jeans e uma regata. Caíque: — Acho que ele estava com fome. Ele sentado no chão do meu quarto, dando razão pro pequeno cão. Numa vasilha tinha um pouco de água. Caíque: — Cadê o secador? Alexa: — Vou pegar. Caíque: — Você acha que seu pai vai deixar ele ficar com você? Alexa: — Não sei, meu pai m*l fica em casa, então é mais fácil eu perguntar pra Carolina. Caíque: — Vocês se dão bem? Alexa: — Eu e meu pai? Ou eu e a Carolina? Caíque: — Sua madrasta. Alexa: — Nos damos, ela é legal, respeita meu espaço, ela não tá preocupada em disputar o amor do meu pai comigo. Caíque: — Entendi, sua mãe... Alexa: — Ela morreu, tem quase um mês. Caíque: — Nossa, desculpa...eu sinto muito. Alexa: — Tudo bem, eu também sinto... Ela me preparou pra isso, mas também não como se eu não sofresse sabe, é como se eu pudesse aguentar toda essa dor. Caíque: — Minha vó também me deixou preparado, eu não morava com os meus pais, não até os 13 anos, fui criado pela minha vó. Alexa: — Ah é por isso que você é assim. Caíque: — Revoltado? Alexa: — Eu ia dizer mimado – ele riu – Dizem mesmo que você é revoltado. Caíque: — Eu sempre tive tudo, mas parece que nunca foi o suficiente, parece tudo o que eu quis... Alexa: — Sua vó de volta – interrompi ele. Caíque: — É. Alexa: — Terapia te ajudaria. Caíque: — Meus pais sempre me encheram de coisas pra tentar tapar o buraco que ficou. Alexa: — Bem vinda ao meu mundo. Meu pai sempre comprou coisas caras pra tampar a ausência dele e agora comprou uma das melhores casa, me deu um dos melhores quartos. Caíque: — Pra tampar o buraco que sua mãe deixou... Não somos tão diferentes assim. Alexa: — Somos sim, eu não fui expulsa da escola. Caíque: — Fiz de propósito, nunca quis fazer economia, precisava de um motivo de tirar isso da cabeça dos meus pais de vez. Alexa: — Ah, claro agredir alguém ao invés de só trancar a faculdade era mais fácil. Caíque: — Quando se tem pais iguais os meus, com certeza. Os olhos dele não mentem, por baixo de toda essa capa de durão tem um menino bom, mas é bem lá no fundo que m*l dá pra vê. Ele me ajudou a secar o cachorro, depois de falar tento na minha cabeça ele levou o pequeno pra casa dele, até eu falar com a Carolina sobre ele poder ficar em casa. A noite veio de mansinho, eu jantei sozinha e depois voltei pro meu quarto, arrumei a bagunça que ficou e voltei a ler meu livro e depois coloquei meu pijama, conversei com as meninas, contei sobre hoje e elas ficaram criando histórias na cabeça delas, amanhã já é sexta e depois é sábado, o dia da festa que eu acho que vai dar o que falar. Coloquei meu celular pra carregar e deitei na cama, me arrumei e adormeci rapidamente. Acordo com o despertador tocando. Levanto da cama e faço igual todos os dias, nada diferente. (...) Desço a escada já pronta. Carolina estava lá em baixo com o Benjamim, eles estavam tomando café, me juntei a eles. Carolina: — Bom dia, desculpa por ontem, minha tia insistiu pra eu ficar por causa da chuva. Alexa: — Tudo bem, eu entendo, vocês dormiram bem? Carolina: — Sim e você? Alexa: — Apareceu um cachorrinho aqui ontem durante a chuva forte. Carolina: — Sério, cadê ele? Alexa: — Então, sabe o vizinho – ela começou a rir. – Por que você tá rindo? Carolina: — Com quem você veio embora ontem? Alexa: — Ah... Não, quem te contou? Carolina: — Ninguém, mas você acabou de cair certinho – ela começou a rir mais ainda. Caímos no riso. Carolina: — Tudo bem, continue, você parou na parte, sabe o vizinho... Alexa: — Então, sabe o Caíque, nosso vizinho, ele também ouviu o choro do cachorro e me ajudou a pegar ele, então eu dei um banho nele. Carolina: — No Caíque? Ou no cachorro? Alexa: — Para – ela riu – É claro que foi no cachorro. Continuando. Ele foi e buscou ração, aí eu não queria deixar o cachorro aqui, não antes de falar com você, então ele levou pra casa dele. Carolina: — E você quer ficar com o cachorro? Alexa: — Sim. Carolina: — Então tudo bem, depois da escola você vai e compra coisas pra ele e leva ele no veterinário pra vê se ele não tem nada e depois trás ele pra casa, e se precisar de ajuda com tudo isso, pede pro vizinho. Alexa: — Você tá parecendo minhas amigas. Carolina: — Foi m*l, vocês foram de 0 a 100 numa rapidez. Alexa: — Ele não é meu amigo, só meu vizinho que tenta ser meu amigo, ele me levou pra tomar sorvete ontem. Carolina: — Porque você se faz de difícil? Alexa: — Porque ele tá acostumado com tudo fácil e eu não sou só mais uma. Carolina: — Mas quer ser algo então. Alexa: — Não, ele não faz o meu tipo. Carolina: — Ele é um gato Alexa, ele faz o topo de todas as garotas. Alexa: — Viu, é por isso que ele se acha, todo mundo fica alimento o ego dele. Carolina: — Para com isso, antes que seja tarde demais e você perceba que deixou sair da sua vida uma pessoa incrível, pode não ser sobre relacionamentos, mas sim sobre amizade, não precisa ficar na defensiva com todos. Alexa: — Eu juro que tô tentando. Carolina: — Tudo bem, vai escovar os dentes, já vamos sair. Alexa: — Tá bom. Subi e escovei os dentes, depois desci e ela já estava no carro, sai e entrei e me sentei no banco da frente, então seguimos pra escola. Ela me deixou lá, atravessei a rua, as meninas estavam me esperando como sempre. Letícia: — Conta tudo. Bruna: — É, nos mínimos detalhes. Alexa: — Gente não foi nada demais, ele só me ajudou com o cachorrinho e depois levou ele pra casa dele. Sara: — Tá mas ele veio te buscar ontem e te levou pra tomar sorvete. Flashback on Ele parou na sorveteira. Desci da moto, mesmo relutante. Caíque: — Não fica brava comigo, é só um sorvete. Alexa: — Isso se enquadra numa denúncia de sequestro, né? Caíque: — Não quando você subiu na minha garupa por livre espontânea vontade. Alexa: — Eu subi achando que eu ia pra casa. Caíque: — E vamos, mas antes, um sorvetinho. Pedimos o sorvete, meu sabor favorito é de baunilha e creme, ou flocos e chocolate branco. Já o dele eu descobri que é chocolate preto e creme. Depois de pegarmos o nosso sorvete nos sentamos a uma mesa. Caíque: — Eu não sou tão r**m assim, sou? Alexa: — Você vai me levar pra casa se eu for sincera? Caíque: — Posso te deixar aqui se eu não gostar da resposta? – ele riu. Alexa: — Você é muito irritante. Caíque: — E você é muito mandona. Ergui a sobrancelha e fiquei encarando ele, enquanto ele comia o sorvete. Caíque: — Não adianta fazer cara f**a, quer ir embora? Termina o seu sorvete que eu te levo – ele riu. Eu queria era jogar o sorvete todo na cara dele, mas o sorvete que a propósito era uma delícia, não merecia isso. Depois de terminar o sorvete ele não me deixou pagar o meu, disse que se eu insistisse eu ia embora a pé ou ia ficar meia hora esperando um uber. Não dá pra discutir com ele, ele me chama de mandona mas é 100 vezes mais do que eu. Flashback off Contei para as meninas tudo o que aconteceu, da sorveteira até a hora do cachorrinho. Estávamos na aula de geometria, que com certeza eu odeio muito. Sara: — Será que ele vai querer te dar o cachorrinho? – disse se virando para trás. Alexa: — Eu espero que sim, se não vamos ter que brigar. Letícia: — Por que vocês não tentam uma guarda compartilhada? Não é uma má ideia. As horas voaram, e eu já estraga em casa, estava sentada na sala, já que tinha um cara mexendo no teto do meu quarto e banheiro. Não que eu seja muito ansiosa, mas não veio a hora de ficar pronto. Ele ia demorar mais algumas horas, e só depois eu ia poder subir pra trocar de roupa e ir buscar o cachorrinho, que agora vai ser meu amiguinho. (...) O moço disse que voltaria já segunda pra terminar o que faltava e então depois ia chamar o outro técnico pra me ajudar a configurar tudo e deixar do jeito que eu queria. Ainda bem que amanhã já é sábado. Subo pro meu quarto, procuro uma roupa confortável, coloco um shorts jeans lavagem clara e um cropped azul bebê e um tênis branco, amarro meu cabelo em um coque bagunçado, passo perfume, creme de corpo e pego minhas coisas. Carolina não estava em casa, acho que ela foi pro trabalho dela, em casa estava somente as moças que trabalham, Benjamim e a babá dele. Desci a escada já pensando em tudo que eu ia dizer pro Caíque, pra eu ficar com cachorro, espero que dê certo.
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