Um gritava com o outro como se fossem brigar, olhei em volta e Lídia era a única mulher naquele acampamento, devia ser por isso que era brava e gritava tanto.
— Você, não fique aí parada, vamos entrar! – gritou Estevan para mim.
— Minha perna ainda doi. -constrangida por estar no meio de tanta gente desconhecida disse em tom baixo.
— De um jeito de andar e entre! – disse ele de uma forma bem insensível e autoritária..
Quando ele completou essa frase em alto e bom tom, muitos homens me olharam com sorrisos no rosto e fazendo todo o tipo de comentário sórdido e absurdo, Estevan os ignorou, e eu fiquei muito envergonhada ainda lembrando sobre como foi ficar de fato com Estevan.
— O que foi que fizeste com ela?! — gritou Lídia.
Estevan parou e pareceu suspirar, mas como ele estava de costas para nós, não pude ter certeza disso.
— Fomos atacados por bandidos, eles a derrubaram do cavalo, se estás tão preocupada ajude ela a andar! - disse ele me deixando para trás mais uma vez.
Ela passou o meu braço sobre seu ombro me dando apoio e assim entramos no acampamento e para todos os lados que eu olhasse tinha fogueiras, colchões, tendas, guardas e grupos de homens, todos nos olhavam e recebiam ordens de seu comandante recém chegado muito atarefado e pelo visto adiantado. Estevan pedia relatórios de mantimentos, invasões e sabotagens contra inimigos, eu não entendia nada e não sabia contra quem estavam tão organizados para atacar.
— Preparem água quente para dois banhos! — gritou Lídia.
— Estamos bem! - gritou Estevan, mas eu olhei para ela em súplica por um bom banho.
— Estão com cheiro de campo de batalha, por onde rolaram? - perguntou ela.
— Caímos a um hora daqui, acampamento de bandidos, havia corpos por todos os lados, provavelmente de pessoas assaltadas da estrada e jogadas em covas rasas, um m******e. — ele desviou o olhar para o lado, me parecia que essa não tinha sido a primeira vez que ele virá algo do tipo, quanto a mim, deve ter sido por isso que ele pediu que eu cobrisse o rosto.
— Pode por ela na tenda, eu também irei descansar da luta e ver se a perna dela estará melhor amanhã, pois quero partir o quanto antes. - ele complementou.
— Certo eu coloco esses desgraçados para fazer algo útil, e sobre a perna dela, só de ver por cima, acredito que levará um pouco mais do que um dia para se recuperar.
— Não! Vamos partir amanhã de noite! – ele estava irritado, eu estava começando a me sentir um peso, como uma pessoa bem inconveniente.
— Ok, vou ver se acho algum remédio que a ajude te aguentar – falou ela contrariada.
— Imagino que queira algo interessante para fazer – disse ele, parecendo querer amenizar as coisas.
— O que me propõe? – disse ela.
— Pegue 10 homens sigam para o Sul da floresta, acabe com o acampamento dos bandidos e pegue suprimentos para nós, extermínios!
— É disso que eu estou falando! Ouviram homens, quero os melhores guerreiros comigo... — Lídia saiu da nossa tenda já gritando com os homens lá fora, Estevan foi até a porta da tenda e a fechou.
— Agora, vamos ver essa perna. - disse ele parecendo até preocupado, um grande contraste com a indiferença e aspereza que usou comigo na frente de todos.
Isso foi um pouco tenso, ele se aproximou e ergueu o meu vestido, examinou por um tempo a minha perna depois me encarou, eu que até então acompanhava cada movimento seu atentamente, desviei o olhar, claramente constrangida.
— Tome um banho quente e descanse por hoje, amanhã estará dolorido, mas de resto, foi apenas uma pancada, não irás morrer.
Eles falavam de morte a todo tempo, de forma muito normal, parecia que eu estava no acampamento dos bandidos, fora isso dei um leve sorriso de agradecimento, ao qual me pareceu que ele não deu mera importância, apenas se levantou e foi até a porta. Algum tempo depois, alguns homens chegaram com baldes de ferro com a água.
— Podem deixar na porta. — Os homens saíram — Eu irei preparar um banho para nós - quanta gentileza do homem que até uns instantes havia me destratado na frente de seus homens, agora estava cheio de amorzinho.
— Um banho apenas? – não sei o que me deu, estava afim de o irritar, de alguma maneira.
— Fazes questão de ser um banho em conjunto? - ele disse em seu tom sarcástico -Eu tomarei banho depois de ti, enquanto fazes isso, pegarei uma roupa de Lídia para ti.
— Ok. – disse virando o rosto para ele.
Ele preparou meu banho e foi buscar a roupa, disse para eu esperar ele voltar, manquei até a banheira, coloquei os dedos na água limpa e não podia acreditar que tomaria um banho, aquilo me parecia muito reconfortante, finalmente uma recompensa em dias. Por fim ele chegou e eu estava quase nua, pronta para entrar na água, ele entrou tão rápido, que dei um pulo para trás, seguido de um gemido de dor.
—Isso mesmo, te enroles para entrar nessa água como fazia no seu quarto de banho, que daqui a pouco outro homem a vê assim como estás. - Ele falou em tom mais sombrio.
— Não sei onde isso seria um problema, já fui violada mesmo sem ter me casado, agora estou parecendo essas mulheres da estrada que tu conheces tão bem – retruquei, já que ele me pareceu possessivo, ele porém fez uma expressão que ia de surpreso a raiva, não sabia como ele reagiria a tal afronta, mas estava com uma raiva crescente dele, não me importando com o que ele faria.
— Estás querendo tu me provocar? Saiba que se for isso, irei responder a altura de teus insultos, não irás gostar do resultado, é melhor para ti não seguir por este caminho. – ele respondeu tão rápido e de forma tão calma, que nem parecia com raiva pelo o que eu havia acabado de dizer.
Após sua resposta ele me entregou algumas roupas diferentes, roupas masculinas, como poderia eu usar aquilo? Ele me deu um colete azul marinho com costuras grosseiras e marrons, uma camisa preta fechada, uma calça preta, também tinham um cinto de couro marrom, um par de luvas e uma bota. Eu peguei as roupas e coloquei em cima de uma "cama" de palha fui para perto da banheira novamente.
— Por favor, "Senhor" deixe eu terminar de me despir. - disse sendo irônica com a palavra senhor.
— Por que eu faria isso? És minha companheira, mas se te sentes melhor assim, eu próprio tenho muitas coisas a fazer, mas ainda descansarei um pouco contigo - ele me pareceu até mesmo sorrir de forma c***l e maliciosa, mas com minha pouca experiência não sabia dizer se foi isso - Só mais uma coisa, vista essa outra roupa mais leve aqui – colocou ele uma roupa branca em cima de uma cadeira perto da banheira, que me parecia uma camisola e continuou — Depois que sair do banho, irás descansar durante o dia, caso se sinta melhor vista essas roupas para andar pelo acampamento, assim saberemos que és uma de nós e não correrás riscos.
O que ele queria dizer com aquilo? Correr riscos? Ele se virou, sem esperar por uma resposta, sem se importar com minha cara de espanto por suas palavras e começou a tirar a sua roupa pesada, que era um sobretudo azul escuro, por baixo tinha uma armadura, tirou as botas, eu enquanto ele fazia isso, tirava minha roupa também, mas até ficar nua, então entrei na banheira e pude relaxar nas águas quentes, com meu cabelo comprido e loiro escuro, cobrindo os meus s***s e ficando mais pesados ao molhá-los, ficaria um bom tempo ali, da forma como achava merecido.