- A senhoritas tem certeza que desejam descer aqui? – O motorista do carro pergunta enquanto vai diminuindo a velocidade do carro.
- Esse é o bairro Huntridge, não é? – Eu pergunto olhando pela janela e vendo algumas casas com cercas, mesmo as cercas não sendo igual aos portões e muro do Brasil, eles me deixam um pouco aflita até porque estou acostumada a ver coisas na televisão que mostra que os Estados Unidos não é um lugar que precisa de tanta segurança assim.
- É sim, mas esse é um dos bairros o quão não aconselho mulheres a andar sozinha. – O motorista me responde, e ao olhar para Clara, eu vejo que ela está usando o Google tradutor para entender a conversa.
- Tem uma corretora nos esperando aqui, então eu irei conversar com ela sobre o bairro. – Digo educadamente. – Mas eu agradeço pelo aviso.
- De nada. – O motorista fala olhando para mim através do retrovisor, para em seguida parar o carro na frente de uma casa com a fachada cinza. – É aqui.
- Certo, obrigada novamente e tenha um bom dia de trabalho. – Agradeço abrindo a porta do carro, e como o Uber está no cartão, não me importei com o pagamento.
Assim que o Uber se afastou da gente, ao olhar para o começo da rua que entramos, eu vejo o carro preto com o Enrico e seu parceiro entrou lá no hotel, e devo dizer que fiquei agradecida ao ver que eles pararam distante.
- Que horas é agora? – Pergunto para Clara após olhar ao nosso redor atrás de alguma alma viva na rua, mas tudo o que eu vejo é alguns carros parados.
- Dez e cinco, a corretora já deveria estar aqui. – Clara me responde após olhar a hora no seu relógio de pulso. – Eu devo ligar para a imobiliária?
- Eu...- Começo a falar, mas sou interrompida com o barulho de uma porta rangido atrás da gente, e ao olhar na direção da casa cinza apagado, eu vejo uma mulher usando um terninho social preto com uma camisa branco saindo de dentro. – Não precisa.
- Bom dia, o meu nome é Abigail é eu serei a corretora que irá mostrar as casas para vocês. – A mulher se apresenta ao chegar perto da gente.
- Bom dia, eu sou Agatha e essa é a minha amiga Clara. – Nos apresento para a mulher.
- Prazer em conhecê-las. – Abigail aperta as nossas mãos, e depois aponta para casa. – Bom, vamos entrar para vocês poderem conhecer?
- Claro. – Concordo e começo a seguir a corretora junto com a Clara.
Assim como a Clara pediu, a casa já está mobiliada, porém os moveis parece já estar aqui a muito tempo. Quem olha do lado de fora imagina ser uma casa grande por causa da largura, mas ao olhar por dentro consegue ver o quanto ela é pequena e que cada cômodo fica um do lado do outro, a sala e a cozinha fica no mesmo espaço e a única coisa que os divide é um pequeno muro que dá para fazer como bancada, após passar pela cozinha tem a primeira porta do lado direito que ao abri-la consegue ver o banheiro todo branco, com uma banheira antiga e um chuveiro logo em cima, e ao invés de ter um box para impedir de molhar todo o banheiro na hora de tomar banho, tem um cortina no tom azul bem claro, e após passar o banheiro e abrir a segunda e última porta, chega no quarto que tem mais ou menos o tamanho da sala e cozinha juntos. Em cada ponta do cômodo tem uma cama de solteiro daquelas bem antigas onde a cabeceira é feita de ferro, entre as duas camas se encontra uma cômoda de madeira escuro, e na frente de ambas as camas, tem um guarda-roupa também de madeira escura e de modelo rustico.
- Eu acho que eu já vi esse filme. – Clara comenta enquanto olha para o guarda-roupa. – Eu acho que ele se chamava Invocação do m*l.
- Não para essa casa? – Eu pergunto só por perguntar, pois nem mesmo se eu fosse vizinha Henry Cavill, eu ficaria nesta casa.
- Não para essa casa. – Ela confirma.
- Ótimo. – Falo saindo do quarto sendo seguida pela mesma, e ao chegar na sala encontro a corretora mexendo no celular. – Vamos querer ver a outra casa.
- Claro, vamos lá. – A corretora pega a sua bolsa e pasta de cima do sofá. – Temos mais duas casas nesse mesmo bairro, e a próxima que veremos fica no final da rua.
- Quando chegamos aqui, o motorista do Uber falou que esse bairro não é bom para mulheres andar sozinha, isso é verdade? – Pergunto saindo para fora, e olho para a corretora que está trancando a porta.
- Infelizmente esse bairro é um pouco problemático. – Ela me responde após trancar a casa e virar de frente para a gente.
- O que você quer dizer com um pouco problemático? – Eu pergunto querendo ter mais detalhes.
- Este é um dos bairros mais baratos para morar, e ele é o que melhor que se encaixa no valor que vocês estão dispostas a pagar. – Ela começa a me responder enquanto coloca a bolsa no ombro. – Aqui fica o Huntridge Park, que acabou se tornando um ponto para venda e uso de drogas, assim como tem muitos moradores de rua, o número de roubo aqui é um pouco maior do que alguns outros bairros, mas de hora em hora uma viatura da polícia está passando nas ruas.
- Os outros bairros que você pretende nos mostra é igual a esse? – Pergunto me negando a morar em um lugar assim.
- Infelizmente com o valor que vocês estão dispostas a pagar, existe poucos bairros que sejam considerados seguros. – Ela me responde, e andes que eu possa falar alguma coisa, o seu celular começa a tocar. – Com licença, é da imobiliária eu vou atender é já volto.
- Claro. – Concordo, e quando a mulher se afasta eu uso esse momento para contar para Clara sobre a criminalidade do bairro.
- Não podemos ficar aqui. – Por sorte a minha amiga tem o mesmo pensamento que eu.
- Eu acho que podemos pagar um pouco mais no aluguel. – Suspiro passando a mão no meu rosto. – É melhor pagar mais e viver com um pouco mais de segurança, do que pagar menos e ter risco de viver menos.
- Então quando ela voltar, vamos pedir que agende novas visitas com o novo orçamento. – Clara fala balançando a cabeça em concordância.
Enquanto esperemos a Abigail voltar, os meus olhos vão para o começo da rua, e lá está o carro e os homens de preto se encontra do lado de fora encostado no capo, Enrico se encontra falando no celular e o outro está com os braços cruzado e olhando na nossa direção.
- Você também notou, não é? – Clara fala chamando a minha atenção para ela.
- O que? – Pergunto olhando para ela, e vejo que ela está olhando na direção deles.
- Esses homens estão desde ontem no hotel, quando saímos essa manhã eles também saíram, e agora eles estão aqui. – Ela fala com a voz baixa. – Eles estão nos seguindo. Será que devemos pedir ajuda?
- Na verdade eles estão me seguindo. – Digo para ela não se alarma e acabar fazendo um escândalo. – Eles trabalham para o meu cliente, e agora eles são os meus seguranças.
- Como é? – Ela me pergunta de olhos arregalados. – Você deixou essa parte de fora quando me contou o que aconteceu ontem. O seu cliente é quem? O prefeito de Las Vegas?
- Na verdade o prefeito de Las Vegas é uma mulher, que é casada com o ex-prefeito. – Digo tentando quebrar o gelo, mas ela acaba bufando para mim. – Eu não te contei isso porque hoje mesmo eu vou acabar com essa coisa de segurança.
- O seu cliente misterioso, está cada vez mais misterioso. – Clara comenta e eu tive que concorda com a cabeça.
- Desculpa pela demora, mas eu venho com uma boa notícia. – Abigail vem na nossa direção sorrindo, enquanto tira a chave de carro de dentro da bolsa. – Um apartamento acabou de entrar para o catalogo da imobiliária e eu consegui agendar uma visita agora mesmo para vocês. Eu devo dizer que esse apartamento fica em um dos lugares mais seguro de Las Vegas. Vocês desejam visitar.
Antes de dar qualquer resposta para a corretora, eu olho na direção da minha amiga que está lendo o que a mulher acabou de falar no tradutor, após a mesma ter gravado, e quando ela concorda com a cabeça, eu sei que ela está de acordo.
- Desejamos ver esse apartamento. – Respondo sorrindo para a mulher.
- Perfeito, vocês estão de carro? – Ela pergunta.
- Não, viemos de Uber. – Respondo pegando o meu celular do bolso, já que agora é a minha vez de pagar a corrida.
- Sendo assim, me permita levar vocês até o apartamento? – Abigail pergunta. – Já que estamos indo para o mesmo lugar mesmo.
- Sendo assim, a gente aceita, obrigada. – Agradeço e sendo seguida pela corretora, vamos na direção de um carro prata, e ao olhar para trás, eu vejo que os meus seguranças também estão entrando no seu carro preto.