Capítulo 8 - Bianca

860 Palavras
Viajei para a casa da minha mãe em Belo Horizonte e resolvi esquecer os últimos acontecimentos da minha vida, pelo menos naquele fim de semana. O Guilherme me ligou e não ficou nada satisfeito por eu ter viajado sem falar com ele, mas eu inventei uma desculpa qualquer e não prolonguei muito a conversa. Ele mandou uma centena de mensagens como sempre fazíamos em outros momentos. Era muito comum a gente se falar pelo Watzap o dia inteiro, mas depois de termos ficado juntos o assunto sempre parecia voltar para o mesmo ponto. O que faríamos dali para a frente? Dona Luísa, no entanto, me conhecia muito bem e logo adivinhou que minha ida até lá tinha outros motivos. Acariciou meus cabelos deitada no colo dela no sofá da sala do enorme apartamento que ela dividia com os gatos no centro de BH. - O que aconteceu pra você vim me pedir colo? Não adiantava esconder nada dela. - Eu precisava sair um pouco de São Paulo. - Hum... tudo bem com você e o Guilherme? Ela não deveria perguntar se estava tudo bem entre eu e o Marcos? - Por que O Guilherme? Meu namorado é o Marcos. Luísa deu uma risada baixa, meio que para si mesma. - Mas o seu amor é do Guilherme, eu já te falei isso. Sentei no sofá e a encarei. Minha mãe era uma pessoa fora de série. Sempre enxergava coisas onde ninguém via e talvez fosse por isso que ela não conseguia ficar com ninguém. Era difícil enganar aquele mulher. - Nós transamos mãe, e foi tão bom, tão certo que eu agora acho que estou traindo é ele e não o Marcos. Ela pensou um pouco antes de falar. - Lembra quando vocês vieram aqui no Natal? Afirmei com a cabeça. - Foi ali que eu vi o quanto ele gostava de você, filha. Quem deixaria a família e até mesmo a namorada para viajar com uma amiga para ver a mãe dela em pleno natal? Minha mãe tinha razão. No Natal passado o Guilherme tinha insistido em vim comigo ver minha mãe em BH e nós passamos um final de semana maravilhoso apenas nós três   em um sítio que minha tem fora da cidade. Lembro que naquela ocasião tivemos uma discussão séria porque ele mentiu para a Larissa que ia ver uma tia doente e o Marcos tinha ficado chateado por que eu não fui com ele para Portugal para um curso de especialização que ele estava fazendo. Um sorriso desenhou meus lábios ao lembrar aqueles dias de isolamento onde ele tinha conquistado de vez o coração da minha mãe. Guilherme era assim, amoroso, simpático e todos gostavam dele. - Verdade, aquele fim de semana foi perfeito. Luísa era um hippie cheia de ideias românticas. - Ele ficava horas te olhando, você que não deu muita bola para o coitado na época. Respirei fundo. - Pois é agora estamos nesse impasse, sem saber o que fazer. - Ora, não faz nada, pega seu homem pra você. Arregalei os olhos surpresa. - Mãe! Isso é jeito de falar? Ele tem namorada e eu também! Ela encolheu os ombros despretensiosa. - Namorados que não se amam, termina! Tudo para ela sempre foi assim, fácil. Se não dava certo terminava, se não gostava não fazia... Eu não conseguia ser tão decidida assim. No fundo eu sabia que ela tinha razão, mas quando a coisa é conosco não é tão fácil decidir. - Eu... vou falar com o Marcos sim, mesmo que eu  e  o Guilherme não fiquemos juntos, depois de tudo que vivemos eu não conseguiria ficar mais com o Marcos. - Eu sou da Torcida do Guilherme. Tive que ri do jeito que ela falava. Parecia que era uma competição e ela estava torcendo pelo vencedor. - Tá vendo que acertei em vim aqui, a senhora sempre me anima. Ela levantou sacudindo o longo vestido floral que vestia. - Bom, então vamos sair e tomar aquela cervejinha gelada e bater perna no shopping.   E assim passamos o sábado e o domingo. Almoçamos com umas amigas dela em um restaurante caríssimo e passamos o resto da tarde fazendo compras em um shopping. Não resistir e acabei comprando um presente para o Guilherme. Comprei uma camiseta da banda de rock que ele gostava e uma pulseira de prata bem no estilo dele. Ele também gostava de me dar presentes quando voltava de viagem e não era porque tínhamos transado que íamos esquecer do quanto somos amigos. No domingo à tarde minha mãe me levou ao aeroporto e me fez prometer que não continuaria fugindo do Guilherme. - Não sei mãe, afinal eu não sei bem o que ele está pensando de tudo isso. Ela sacudiu a cabeça. - Sabe sim, ele é doido por você. - Mas tem a Larissa. O Marcos eu resolvo e ele? - Ele resolve. Não perca o amor da sua vida. Abracei-a fortemente já sentido falta do carinho e das palavras de incentivo dela. - Da próxima vez, quero os dois aqui combinado? Sorri para ela achando graça na jeito que ela falava. - Está bem dona Luísa.
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