Capítulo 6 - Bianca

1319 Palavras
Depois daquela conversa sobre eu escolher entre ele e o Guilherme, o Marcos estava muito diferente, parecia outra pessoa. Apareceu no Studio com um buquê de flores e me convidou para jantar. Disse que tinha se precipitado e que entendia que minha relação com o Guilherme era só de amizade. Fomos jantar em um restaurante caríssimo ele se desdobrou em carinho e atenção para mim. Mas porque de repente aquilo não me parecia mais tão importante? Durante todo aquele ano de namoro o que eu mais queria era que o Marcos demostrasse um pouco mais de afetividade comigo e fosse menos sério e controlado. Agora que ele demonstrava um comportamento mais aberto e amoroso eu é que não me sentia à vontade para retribuir. Não parecia que ele tivesse fazendo aquilo de coração. Mas talvez ele tivesse com medo de me perder e resolvera me agradar de alguma forma, então talvez eu devesse dar um voto de confiança para ele. Era até uma forma de afastar minha mente do Guilherme. Desde o dia que ele tinha me beijado que minha cabeça não conseguia articular um único pensamento com coerência. E agora? Como beijar o Marcos depois de ter conhecido a delícia de beijar o Guilherme?  A quem eu estaria traindo na verdade? Voltei minha atenção para a pergunta que o Marcos tinha feito. -Ah... você disse o que? Ele me olhou curioso. - Não me ouviu? - Não. Desculpe, estava pensando no trabalho. - Sei, essa campanha nova ai que você me falou não é? - Sim. Vamos começar a filmar semana que vem. Algumas fotos será em meu Studio mesmo. - Que bom pra você, esse trabalho parece muito bom. - Sim, a agência vai faturar muito e eu também é claro. Ele chamou o garçom e pagou a conta. - Vamos, estou louco pra ficar sozinho com você. E agora? Como me livrar do Marcos? - Eu... você se importa se a gente ficar juntos amanhã, preciso ir encontrar a Michele, ela quer falar comigo com urgência. Ele pareceu não gostar muito, mas deu uma risadinha compreensiva. - Tudo bem, eu entendo. Fica para amanhã então. - Quer dizer, amanhã terá uma festa no apartamento do Guilherme. É aniversário dele, podemos ir? O olhar dele pareceu endurecer um pouco, mas concordou. - Claro, vamos sim.                              ***   Algo não ia sair bem naquela festa. Quando cheguei por volta das oito horas, já tinha uma boa quantidade de pessoas no apartamento. A maioria eram colegas da agência e amigos em comum, mas também estavam alguns familiares do Guilherme. Ele nos recebeu na porta e pela cara não gostou muito do Marcos está comigo. Dessa vez ele nem procurou disfarçar como eu tinha pedido. Me abraçou calorosamente e estalou um beijo em minha bochecha. Cumprimentou friamente o Marcos e me puxou pela mão em direção à mãe dele. - Venha dar um beijo na dona Laura, ela já perguntou por você umas dez vezes. Abracei aquela mulher simpática que sempre fazia questão de me chamar de filha. - Oi Dona Laura, como vai? - Bem minha querida e você? - Estou ótima. - Vejo que trouxe seu namorado. O Marcos tinha se aproximado silenciosamente. - Sim. - Fiquem a vontade, você já é de casa então sirva bem seu namorado. Fiquei meio em graça quando ela disse que eu era de casa, mas na verdade ela já tinha me visto tantas vezes ali que em uma determinada ocasião ela tinha me perguntado por que o Guilherme namorava com a Larissa se eu frequentava a casa dele mais que a própria namorada. E por falar em Larissa, ela tinha acabado de chegar. Estava chamativa como sempre. Muito bem vestida e maquiada e foi direto grudar no braço do Guilherme. - Não sei o que ela está fazendo aqui. Nem namora mais com meu filho. Virei a cabeça surpresa. - Como?! - Eles terminaram. Você não sabia? Olhei para o Guilherme conversando com a Larissa e ele parecia querer se afastar dela, mas ela não desgrudava a mão do braço dele. - Não sabia não. O Marcos resolveu interferir. - Vamos tomar uma bebida Bianca. Me afastei com o coração aos pulos. Quando ele tinha terminado com a Larissa? Por que não tinha falado nada comigo? Aceitei o copo de cerveja que o Marcos colocou na minha frente e virei todo de uma vez. O resto da noite foi um pesadelo. O Marcos não desgrudou de mim e o Guilherme virava um copo atrás do outro. Em dado momento eu estava sozinha na cozinha e ele entrou. Não estava com cara de muitos amigos e se aproximou de mim me puxando pelo braço em direção ao quarto dele. - Vem aqui! Tentei me soltar, mas ele estava decidido e só parou quando fechou a porta do quarto. - O que está fazendo? Ele me encostou na parede e segurou meu queixo com força. - Que p***a você ta fazendo com esse cara aqui na minha casa? - Para Guilherme, ele é meu namorado e você sabe disso! - Que namorado Bianca? você esqueceu o que aconteceu aqui outro dia? - Não. Não esqueci. E posso saber porque não me falou que tinha terminado com a Larissa? Ele se afastou. - Não estava na hora de falar. - Terminou por que? Ele riu nervosamente e passou a mão nos cabelos. - Ora Bia, você é inteligente, sabe a resposta. Eu estava ficando nervosa de estar ali trancada com ele dentro do quarto. O que as pessoas não estariam pensando ao ver que não estávamos na sala? - Vamos sair daqui, por favor. Ele se aproximou de novo e me encostou na parede pressionando o corpo no meu. - Quero te beijar de novo, quero você comigo! Como encontrar forças para dizer não a ele? - Gui.. Ele segurou meu rosto e acariciou meus lábios lentamente. - Não faz isso... A boca dele cobriu a minha e não deixou nenhuma chance para que eu pudesse resistir. A língua dela já me tocava procurando reposta e eu não consegui me conter. Me entreguei nos braços dele, retribuindo o beijo e procurando forças no fundo das minha alma para empurrá-lo quando ele tentou abrir os botões da minha blusa. - Desculpe Bia...  Toquei o rosto dele com carinho, afinal a culpa não era só dele. - Tudo bem, esquece isso. Preciso ir embora. Ele não abriu a porta de imediato. Olhou firme para mim e falou sério. - Não quero que você volte com ele para casa. - Guilherme... - Vou pedir pra minha mãe dizer para você levá-la em casa e você manda ele ir embora.  Eu nunca tinha visto o Guilherme alterado daquele jeito. Ele estava possesso de ciúmes, mas no fundo eu  agradecia por ele ter adivinhado que eu não queria ir com o Marcos para casa. - Tudo bem.   Lógico que o Marcos odiou a ideia, mas ficou calado. Eu precisava conversar com ele. Não podia mais adiar aquela decisão. Eu não podia continuar namorando um cara e beijando outro. Naquele momento porém não tinha como fazer nada. A Larissa que tinha presenciado a conversa sobre levar Dona Laura em casa se aproximou e se dirigiu ao Marcos.  - Já que a Bianca vai levar Dona Laura, você bem que poderia me dar um carona Marcos, eu vim de táxi. Ele virou-se para Larissa. - Claro Larissa, vamos eu te levo sim. Guilherme se aproximou e estendeu a chave do carro dele para mim. - Tome, vá com meu carro. Amanhã você leva para a agência. Foi com certo alívio que sai daquela festa e me afastei do Marcos. Deixei Dona Laura em casa e na volta ao invés de ir para meu apartamento resolvi que devolveria logo o carro do Guilherme. E mesmo sabendo que era brincar com fogo voltar lá depois do que tinha acontecido, eu ignorei o bom senso.
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