Como sai mais cedo do trabalho, resolvi passar no shopping para arejar a cabeça e comprar umas peças de roupas. Meu guarda roupa era bem eclético e eu gostava de andar bem vestida, portanto o shopping parecia meu habitat natural e aquele em Copacabana perto do meu Studio de fotografias era meu predileto. As atendentes das lojas já conheciam meu gosto e sempre recebiam com novidades e peças que combinavam com meu estilo. O Guilherme costumava dizer que eu parecia um manequim de loja, sempre impecável. Aff !! Lá estava eu novamente pensando no Guilherme. Ao passo que o Marcos me criticava dizendo que minhas roupas eram muitos extravagantes e que não combinavam com uma namorada de um advogado aspirante a juiz de paz. O que fazer namorar com o Marcos? Nós nos conhecemos na casa de uma amiga em comum e iniciamos um namoro calmo e sossegado. Ele era super atencioso, educado e sempre dizia que fingia casar comigo. Nunca disse que me amava, ou me desejava ardentemente, mas me respeitava e fazer todas as minhas vontades. O que mais uma mulher poderia querer? Uma voz maldosa dentro da minha mente dizia que eu poderia querer um homem lindo, moreno de cabelos pretos, musculoso e que quando me olhava meus ossos viravam gelatina e um tremor sacudia meu corpo. Mas ele era apenas um amigo e eu não podia pensar naquelas coisas. musculoso e que quando me olhava meus ossos viravam gelatina e um tremor sacudia meu corpo. Mas ele era apenas um amigo e eu não podia pensar naquelas coisas. musculoso e que quando me olhava meus ossos viravam gelatina e um tremor sacudia meu corpo. Mas ele era apenas um amigo e eu não podia pensar naquelas coisas.
Imersa pensamentos peguei minha sacola de compras e rumei para meu apartamento a algumas quadras dali. Eu morava sozinha desde que comai para ganhar dinheiro como fotógrafa e também ao fazer ponta em alguns comerciais sobre produtos capilares. Meus cabelos realmente eram bonitos. Pretos, longos e pesados. Tinham um brilho natural que chamava a atenção e algumas vezes fiz comerciais para xampus e cremes o que me rendeu uma boa grana e pude pagar grande parte do financiamento do meu apartamento e comprar o carro dos meus sonhos. Eu não tinha o que reclamar da vida em termos financeiros.
Quando virei a rua que dava no meu prédio senti o coração dar um salto. O carro do Guilherme estava parado em frente a uma portaria e ele estava encostado falando ao celular.
Estacionei atrás do carro dele e desci. Ele desligou o celular e em dois passos se aproximou de mim de braços abertos.
- Oi Bia!
Me deixei abraçar e graças ao monte de sacolas que eu tinha na mão não tivo como retribuir o longo abraço.
- Oi Gui.
Ele me soltou e tome minhas sacolas já andando para a entrada do prédio.
- Vamos, vou te contar como foi a semana em São Paulo.
Eu não queria que ele entrasse. Estava determinado a certos limites certos naquela amizade.
- Gui ...
Ele continuou andando em minha frente.
- Guilherme!
Ele virou-se
- Que foi?
- Eu ... não quero que você entre agora. Estou atrasada e vou me arrumar para sair com o Marcos.
Ele parou e me olhou com aqueles olhar perscrutador que parecia desnudar minha alma. Eu desviei os olhos e peguei as sacolas da mãos dele virando as costas. Ele correto que eu estava diferente.
- Bia ...
Parei, mas não olhei para trás. Ele veio até mim e parou em minha frente me pegando pelo queixo e me forçando olhar no rosto dele.
- Está tudo bem?
Engoli em seco.
- Sim.
Mas ele sabia que não estava. Ele me conhecia muito bem.
- Foi por isso que você saiu cedo? Porque tinha um compromisso com seu namorado ou por que não queria me ver?
- Nada, só estava cansada.
Cansada e fui ao shopping fazer compras. Eu não sabia nem mentir.
Ele respirou fundo e se afastou um pouco.
- Tudo bem, quer ficar sozinha então?
Assenti com a cabeça.
Ele tocou meu rosto com a palma da mão e aquilo me deixou ainda pior.
- Eu sei que você não vai sair com o Marcos, só não quer falar comigo agora.
- Guilherme ...
Ele colocou um dedo sobre meus lábios me calando.
- Não Bianca, qual é nosso trato? Não falar quando está m*l. Eu vou embora. Depois a gente se fala.
Ele era assim. Quando as coisas se complicavam ele parava e esperava.
- Tudo bem.
Ele abaixou a cabeça e me beijou no canto da boca, como já fizera inúmeras vezes, mas naquela hora pareceu queimar minha pele e só a muito custo eu não virei o rosto para sentir o toque da boca dele na minha.
- Fica bem e qualquer coisa me liga.
Entrei em casa e joguei as sacolas de qualquer jeito pelo chão, não estava com paciência para nada naquele momento. O que estava acontecendo comigo nos últimos tempos? Uma angustia no peito, uma sensação de que deveria fazer algo novo. Não estava conseguindo ver muito sentido em algumas coisas da minha vida.
Pensei no Marcos. Ele andava muito chateado comigo por causa da minha amizade com o Guilherme e eu não queria perder nenhum dos dois. Mas se eu fosse obrigada a escolher o que eu faria? E a certeza de que eu escolheria o Guilherme me assustou.
Não queria pensar no significava aquela constatação. Eu não gostava mais do Marcos? Eu estava apaixonada pelo Guilherme? Mas ele tinha namorada e eu não queria ser o pivô da separação de ninguém. Porém aquela proximidade com ele não estava me fazendo bem.
Aquela noite foi uma das piores da minha vida e no dia seguinte eu estava péssima. Graças a Deus não iria para a agencia naquele dia e portanto não veria o Guilherme. Tinha uma seção de fotos como um casal de noivos em meu Studio e aquilo serviria para ocupar minha mente durante aquele dia e não pensar em coisas proibidas. No final da tarde o Marcos foi me buscar e fomos jantar no apartamento dele.
Ele estava calado, parecia ver de longe o turbilhão de pensamentos que passavam pela minha cabeça.
- Tudo bem Bianca?
Não. Tudo péssimo.
- Sim, tudo bem.
Ele se aproximou de mim e me olhou fixamente
- Faz dias que a gente não fica juntos e você parece tão distante.
Eu virei as costas e comecei a lavar os pratos do jantar
- É... estou bem ocupada esses dias...
Ele pigarreou.
- E o Guilherme?
Estremeci.
- O que tem o Guilherme?
- Parou de ficar te cercando?
- Ele não fica me cercando. Somos amigos e trabalhamos juntos.
Ele resmungou alguma coisa baixo
- Como? O que você disse?
- Ah Bianca! Você sabe que o cara tem uma queda por você e vive por ai posando de amiguinha? Não acha um pouco demais?
Ele tinha certa razão.
- Ele tem namorada. Você precisa é parar com esse ciúmes que você tem dele.
- Eu?! Tem certeza que eu é que tenho de parar de ter ciúmes ou é você que tem de parar de andar agarrada com outro homem por ai?
Aquela conversa já estava beirando uma discursão e era melhor parar por ali. Peguei minha bolsa e me dirigi à porta.
- Não quero falar disso agora, eu vou embora.
O Marcos realmente parecia irritado.
- Tudo bem, vá embora mesmo e repense se você ta precisando de um namorado ou de um amigo.
Sai do prédio dele e fiquei alguns minutos sentada no carro, tentando colocar os pensamentos em ordem.
Não deveria fazer o que eu estava pensando mas naquela hora eu não estava conseguindo pensar com coerência. Peguei meu celular e fiz uma ligação.
- Gui? Onde você está?
Ele demorou um pouco para responder.
- Estou em casa, porque?
- Você está sozinho?
- Sim.
- Eu... posso ir ai?
- Que pergunta Bianca? Claro que pode!
Ele me esperava na porta e me recebeu com um abraço
- O que foi? Você está bem?
Tentei não olhar para ele sem camisa e apenas com uma calça moletom. Me joguei no sofá e respirei fundo.
- Estou péssima, briguei com o Marcos.
Ele não respondeu nada. Foi até o bar, pegou dois copos de vinho e voltou para perto de mim.
- Tome. E agora me conte direito essa história.
Virei o copo todo de uma vez.
- É isso. Ele está chateado comigo, com ciúmes de você e disse que eu preciso escolher entre ter um namorado ou um amigo.
Ele me olhou e pareceu ansioso pela resposta.
- E?
- E o que? Não posso ter um namorado e um amigo?
Ele riu e acariciou meu rosto.
- Se eu fosse seu namorado eu não ia aceitar que você tivesse uma amizade como a que nós temos.
- Você também? Está dizendo que devo escolher entre vocês dois?
Ele se aproximou mais e segurou meu rosto entre as mãos. Agora parecia muito sério.
- Escuta, eu não quero te prejudicar. Não quero que tenha problemas com seu namorado por minha causa.
Fechei os olhos para não ver a boca dele tão perto da minha.
Ele passou o polegar contornando meus lábios.
- Olha pra mim.
Mergulhei no fundo daqueles olhos pretos e brilhantes, que não escondiam que sentia algo a mais por mim.
- Você sabe que eu te quero muito mais do que apenas uma amiga, mas eu respeito sua decisão. Então se você quiser podemos nos afastar um pouco, pra evitar maiores problemas.
Eu não queria ficar longe dele, mas naquele momento era necessário.
- Eu quero...
- Pronto. Não precisa sofrer tanto por isso.
Sentir as lágrimas queimarem meus olhos e me joguei nos braços dele. Era tão bom sentir o calor do corpo dele. Aquele abraço sempre me acalmava.
Ficamos um longo tempo calados e abraçados e ele apenas acariciava meus cabelos.
- Agora chega de lágrimas, vamos virar essa garrafa de vinho?
Não conseguir deixar de sorrir. Aquele era o Guilherme que eu adorava. Sempre alegre, sempre conseguindo tirar o melhor de qualquer situação.
- Quero só um copo, vou dirigir de volta para casa.
- Não vai nada, vai dormir aqui! Não vamos nos despedir de amizade colorida? Então vamos dormir juntos e conversar até o dia amanhecer.
Tomamos duas garrafas de vinho e só por volta das duas horas da madrugada ele colocado um colchonete ao lado da cama e deitou no chão.
- Vai, dorme ai na minha cama que eu fico aqui.
- Não faz sentido você me dar sua cama e dormir no chão, podemos dormir aqui.
Ele riu.
- Não meu bem, para minha saúde mental eu prefiro dormir aqui.
- Tabom. Boa noite então.
- Boa noite.