Pré-visualização gratuita Capítulo 1
Dália
A neve caía pesada sobre a floresta, cobrindo o chão com uma camada espessa e silenciosa. Era a época mais fria do ano, quando a caça se tornava mais difícil, mas também mais urgente. Como caçadora, eu sabia que meu dever não podia esperar pelas condições. Caçar monstros era o que minha família fazia há gerações, e a obrigação de proteger os humanos era algo que carregávamos com orgulho - e, às vezes, com amargura.
Os vampiros, com seus olhos vermelhos e sorriso frio, tinham tomado as cidades grandes, escravizando os humanos que se arriscavam a viver sob seu domínio. Mas, longe das sombras da cidade, as florestas eram tomadas por outra espécie de criatura, os lobisomens, predadores implacáveis que matavam sem hesitar. E era para isso que nós, a família Nightbane, existíamos: para caçar esses monstros.
Nossos ancestrais haviam sido caçadores, mas ninguém sabia ao certo o que estava em nossas veias. Alguns diziam que éramos descendentes de guerreiros antigos, outros falavam de uma linhagem misteriosa, mas ninguém tinha provas. O que sabíamos era que, ao longo de gerações, nossa família se tornara mais forte e mais ágil do que os humanos comuns. Sabíamos caçar, sabíamos lutar. Mas o maior segredo estava em nosso sangue: nós precisávamos casar com outra família de caçadores, pois sem essa união, nossas habilidades se perderiam. E isso ninguém podia permitir.
Meu pai, Aric Nightbane, era o líder da família. Um homem de poucas palavras, mas de presença imponente. Sua face de linha rígida e olhos escuros eram o reflexo de anos de batalha. Ele não demonstrava fraqueza, não a deixava transparecer para seus filhos. Mas eu sabia o que ele carregava: o peso do dever.
Minha mãe, Saphira, era a força silenciosa ao lado dele. Linda, mas de um olhar que impunha respeito. Ela nunca hesitava em agir com firmeza, mas sua suavidade era evidente nas maneiras com que nos tratava, especialmente comigo, sua filha mais velha. Saphira sempre acreditou que eu herdaria o melhor de ambos os pais: a habilidade estratégica de Aric e a destreza implacável de caçadora de minha mãe. Às vezes, eu sentia que ela queria mais de mim, mas nunca me disse diretamente.
Meu irmão mais novo, Kieran, era impulsivo. Corajoso, mas inexperiente. Eu o protegia, mas sabia que ele um dia tomaria o meu lugar como caçador, carregando o peso da nossa linhagem e a responsabilidade de manter os humanos a salvo.
Naquela noite, estávamos em uma vila isolada, onde os lobisomens haviam matado mais de uma dúzia de pessoas nos últimos meses. Os aldeões estavam com medo, e os mais velhos não ousavam sair de suas casas depois do anoitecer. Esse tipo de m******e era comum, mas não menos doloroso para aqueles que ainda se arriscavam a viver na beira da floresta.
Aric, Saphira e eu estávamos em posição, observando a vila pela borda da floresta. A lua cheia iluminava o céu, e eu sabia que logo a b***a se manifestaria. Eu podia sentir a presença deles, os lobisomens, seus instintos selvagens reverberando na terra como um eco distante.
"Fique alerta", meu pai ordenou, a voz baixa, mas cortante.
"Sim, pai", respondi, ajustando a lâmina em minha mão, sentindo a vibração do metal. Era uma lâmina especial, forjada com ferro fundido e encantamentos antigos para garantir que fosse capaz de ferir até as criaturas mais poderosas.
Avançamos para a vila, movendo-nos com a precisão de uma sombra. Quando chegamos à primeira casa, ouvi o rosnado. Um lobo grande, de pelos escuros e olhos amarelos, estava parado na porta, observando-nos com um olhar de puro ódio. Ele queria sangue, e nós estávamos ali para garantir que não fosse o de um inocente.
Sem hesitar, atirei. O disparo foi certeiro, atingindo o lobo no ombro e fazendo-o recuar. Meu pai avançou, sua espada cortando o ar com agilidade, enquanto minha mãe usava uma adaga afiada, surpreendendo a criatura com movimentos rápidos.
Lutamos por horas, matando um lobisomem após o outro, até que o último deles caiu no chão, a vida escoando pela neve. O silêncio tomou conta da vila. Já não havia mais ninguém para ameaçar os aldeões.
A missão estava cumprida. Porém, quando voltamos para a casa da nossa família, o peso da conversa que se seguia pairava no ar.
"Vamos nos mudar", disse meu pai, as palavras pesadas e firmes.
"Para onde?", perguntei, a surpresa me atingindo. A última vez que tínhamos nos mudado foi há anos, para uma cidade distante, onde a caça era intensa e as ameaças ainda maiores.
"Para uma cidade maior", ele respondeu, sentando-se em frente à lareira. "Precisamos expandir nossas conexões, conhecer outros caçadores. Os que conhecíamos estão mortos ou se perderam para os vampiros."
Saphira olhou para mim com um sorriso triste. "A cidade é perigosa, Dália. Mas é onde podemos fazer mais."
Eu sabia o que isso significava. A vida que havíamos conhecido estava prestes a mudar de maneira que nem eu, nem minha família, poderia prever. E, em algum lugar, algo me dizia que os desafios seriam muito maiores do que qualquer lobisomem ou vampiro que já havíamos enfrentado.
A mudança era necessária, mas eu sentia que a verdadeira caça estava apenas começando.