A trilha da floresta ainda ecoava o som dos passos de Lucien e Dália. Nenhum dos dois falava — o silêncio entre eles era quase tão espesso quanto a neblina baixa que cobria o chão. Dália segurava firme a cesta com as comidas que preparara para Fenrir, tentando não olhar para o lado. Lucien, por sua vez, caminhava com as mãos nos bolsos, o maxilar travado e o olhar cravado no chão. Ele não entendia por que aquilo o afetava tanto. Era só um agradecimento. Só comida. Mas, dentro dele, algo queimava — algo que há séculos ele não sentia. Era ciúmes. Um sentimento tão humano quanto o sangue que costumava beber. Lucien não entende o motivo dela ter que ficar entregando cestas de comida a Fenrir, pois é a segunda vez desde ontem, pois se ela já agradeceu uma vez não precisa agradecer novamente.

