Dália O salão parecia girar. No início, apenas um pouco — uma tontura leve, como se eu estivesse em um barco navegando em águas calmas. Mas, com o tempo, conforme os risos se misturavam aos violinos e as luzes dançavam ao redor de mim, percebi que talvez eu tivesse bebido mais do que devia. Encostei-me na pilastra mais próxima, tentando recuperar o foco enquanto observava Lucien conversar com alguém que não reconheci. Seu perfil, como sempre, era impecável: postura ereta, ar confiante, olhos intensos. Quando ele se virou e me encontrou com o olhar, franziu levemente a testa e veio até mim. — Dália... — Sua voz foi baixa, próxima, carregada de preocupação disfarçada por um leve sorriso. — Você está bêbada? — Não sei... — respondi, rindo baixinho, apoiando minha mão em seu peito para me

