Capítulo 03 - Primeira Dança.

1695 Palavras
Cinco anos antes… Uma semana se passou depois da minha chegada aqui, e desde de então eu e Luna estamos em uma semana de aprendizados. Aprendemos a dançar no pole dance, aprendemos a ser sensuais, aprendemos a andar nos saltos, aprendemos até a forma de falar com os homens e como impor limites sem que eles percebam. E hoje a noite será a nossa primeira noite apresentando no palco, e eu fico muito aliviada em saber que só ficaremos no palco e que lá ninguém pode tocar na gente. Porém, o frio na barriga continua incomodando. — Jade, você pode fechar para mim? — Luna se aproxima de mim, para que eu fechasse uma espécie de sutiã que ela usaria hoje para dançar. Ela estava usando um sutiã vermelho, um short, estilo uma cueca box, também vermelho e com renda. Para complementar, ela também usava algumas jóias no corpo e uma maquiagem que deixava os olhos dela bem marcantes. Seu salto é estilo uma gladiadora, e também é na cor vermelha. — Pronto! Fechei! Ela agradece e se afasta. Volto a arrumar meu cabelo e me olho no espelho. Eu estou com um top preto, com um leve decote. Uma meia arrastão preta, um short bem curto, também parecido com uma cueca box, na cor preta. Uso algumas jóias no braço e no pescoço, coloco uma bota que vai até preto do joelho e não é tão alta. Arrumo meu cabelo com leves ondas e faço uma maquiagem simples, com um delineado e um batom vermelho. Apesar da ocasião não ser nem um pouco apropriada. Eu estava me sentindo extremamente bonita e sexy, pela primeira vez na minha vida. Depois que comecei as aulas com as meninas, comecei a ver o quão sensual eu consigo ser, que eu não conseguia nem imaginar. — Estamos lindas — Luna diz sorrindo — Hoje será uma ótima noite! Apenas concordo dando um pequeno sorriso. — Vamos, meninas? Está na hora! – Vejo Ivy entrando no quarto, ela arregala os olhos ao ver eu e Luna — Caralh0, vocês estão maravilhosas! Acho que os homens já estão esperando por isso, pois a casa está mais cheia que o normal! Meu estômago revira ao ouvir ela falar e sinto meu coração acelerar. Me lembro do dia que eu cheguei aqui e o tanto de homem que tinha, olhando para as dançarinas como se fossem pedaços de carne. — Vamos! Apenas sigo Ivy e a cada passo que eu dava para longe do quarto, meu coração acelerava ainda mais. Sentia as forças das minhas pernas indo embora a cada vez que eu ouvia a música ficando mais alta. Ficamos na entrada do palco e então ouço Caspian falando. — Meus queridos amigos! Está noite é ainda mais que especial, pois teremos duas novas atrações! Apresento a vocês… Joia e Lua! — Após ele terminar de falar, eu e Luna entramos no palco, fingindo naturalidade e sorrisos falsos. Os olhares pareciam que iriam fazer a gente desaparecer a qualquer momento. Os homens só faltaram subir no palco e nos agarrarem. Senti meu estômago revirando novamente e tento conter meu desconforto. Eu e Luna seguimos até nossos lugares e a música que escolhemos começou a tocar. Começamos a nossa coreografia e eu conseguia ver os homens jogando muitas notas em nossas direções. Me lembro de quando estava aprendendo no pole, que Ivy disse o segredo dela para não ficar tão nervosa ou desconfortável. Que ela sempre imaginava ela sozinha num quarto, onde ela dançava para ela mesma, na expectativa de aliviar todos os sentimentos que ela estava sentindo no momento. Então faço o que ela ensinou, fecho meus olhos e começo a imaginar no meu antigo quarto, porém sem nenhum móvel, somente com uma barra no meio do quarto. Já começo sentir meu corpo mais leve e abro um sorriso. A dança foi ficando cada vez mais divertida e ao abrir os olhos eu estava no meu quarto, um espelho estava na minha frente e eu podia ver somente a mim. Minha dança era linda, meu corpo deslizava de uma linda maneira na barra, o que me fez sorrir de uma forma sensual e satisfeita. Quando me dei conta a música acabou e eu estava de volta na boate. Agora todos os homens estavam de pé e a maioria na borda do palco, olhando para mim e para Luna. Olho para o chão perto de onde eu tava e tinham inúmeras notas, de vinte, de cinquenta e de cem dólares. Ouço vários aplausos e elogios, apenas saio de lá juntamente com Luna e vejo alguns homens que trabalham na boate indo recolher os dinheiros. — Acho que eles gostaram da gente — Luna diz sorrindo animada. — Parece que sim! Segui para meu quarto e ao entrar me assusto ao ver Caspian. — Credo! Você me assustou! Ele apenas dá um leve sorriso. Ele estava sentado na cama de Luna, sua camisa social estava com alguns botões abertos, dando um ar sexy nele. Caspian é um homem bonito, descobri que ele tem quase cinquenta anos, porém eu daria no máximo quarenta. Ele tem o corpo bem definido, é alto, tem o cabelo liso, preto com alguns fios grisalhos. Seus pelos nos braços dão um ar mais masculino para ele, percebo através dos botões abertos que ele também tinha pelos no peitoral. Ele se levanta e vem até mim, seu corpo se aproxima do meu e eu me afasto, me encostando na parede atrás de mim. — O que você está fazendo? — pergunto nervosa com sua aproximação, apesar de achar ele bonito, eu não tenho nenhum interesse nele, ele não faz o meu tipo. Principalmente por ter a idade do meu pai e ser o homem que me comprou. — Desde o dia que você chegou, ficou em minha mente! — Seu rosto se aproxima do meu pescoço — Esse seu cheiro! É hipnotizante, Jade! — Caspian, por favor! — Sinto o medo crescendo dentro de mim. Ele se afasta do meu pescoço e me encara. — Eu não vou fazer nada que você não queira, Jade! Mas eu quero que você saiba que em algum momento você vai acabar cedendo! E eu sei que serei o primeiro homem a entrar em você! — Caspian diz em um tom malicioso e possessivo, que me deixa assustada. — Mas, um beijo seu eu vou ter sim! Sem que eu tenha tempo de reagir, ele toma meus lábios com um beijo agressivo, tento me afastar, mas ele me segura forte, me puxando para mais perto. Vejo que não tinha outra opção a não ser retribuir seu beijo. Seguro ao máximo minhas lágrimas, enquanto ele passava a mão pelo meu corpo, e a cada lugar que sua mão passava, eu sentia que ia ficando cada vez mais suja, como se a mão dele estivesse contaminada e estivesse me sujando. Após ele terminar o beijo, ele aperta minha bund@, me puxando para perto e me fazendo sentir o volume entre suas pernas. — É assim que você me deixa, Jade! — Sua voz sai como um sussurro. — Você me deixa maluco, garota! O que faz uma lágrima rebelde cair, mas ele não percebe. Ele se afasta e sai do quarto, me deixando sozinha. Fecho a porta rapidamente, vou até minha cama e me deito, enquanto as lágrimas começam a cair. Não guardo nada, apenas choro tudo que eu estava sentindo, choro como se fosse a minha solução. E era, na verdade é a única coisa que eu posso fazer nesse momento. Ouço a porta ser aberta, mas não ligo para a presença da pessoa e permaneço chorando. — Ele te fez tran$ar com ele? — Ouço a voz de Ivy. Ela se senta do meu lado e começa a acariciar meus cabelos. Apenas discordo e ouço seu suspiro. — Ele te tocou de uma forma que você não gostou? Assenti. Levanto meu rosto e olho para ela. — Você acha que ele vai me forçar a tran$ar com ele? — pergunto receosa e ela respira fundo. — Eu farei de tudo para que isso não aconteça — Ivy diz e abraço ela. — Por que meu pai fez isso comigo, Ivy? Por que me vendeu pra esse monstro? Por que isso tinha que acontecer comigo? Meus soluços eram altos e minha respiração estava ofegante. — Eu não sei, princesa! As pessoas são cruéis! Mas saiba que você não está sozinha. Eu estou aqui pra você, sempre. E não importa o que aconteça, você é forte. Muito mais forte do que imagina. Me agarro ainda mais forte à Ivy, e meus soluços aos poucos vão diminuindo. — Como eu vou ser forte, Ivy? Estou aqui presa, sem nenhuma esperança. — A esperança, minha querida, ela mora dentro da gente. Ninguém pode tirá-la de você. E acredite, a vida é cheia de reviravoltas. O que parece ser o fim, muitas vezes é apenas o começo de algo novo. Ela me olha com seu olhar doce e dá um pequeno sorriso, tentando me reconfortar. — Lembre-se, a escuridão não dura para sempre. E mesmo nas noites mais escuras, a luz sempre encontra um jeito de brilhar. Você é essa luz, Jade. Ela limpa minhas lágrimas e segura minha mão. — Você é uma sobrevivente, Jade. E os sobreviventes são os mais fortes. — Ela me olhava nos olhos — Saiba que você não tem somente a mim, e tem também as outras meninas daqui! Juntas, somos mais fortes! — Obrigada por isso! Ela sorri. — Agora vai trocar essa roupa, tomar um banho e se preparar para dormir, que amanhã é nosso dia de ir ao salão de beleza! — Ivy se levanta da cama e dou um pequeno sorriso! — Luna já está vindo, disse que traria seu jantar! Fica bem! — Obrigada pelo apoio e preocupação! — Somos família agora, você é minha irmã! Fico novamente sozinha no quarto após a saída dela e me sento na cama, observo a lua através da janela do quarto. — Mãe, será que um dia as coisas vão melhorar para mim? Será que um dia eu finalmente vou ser feliz?
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