Capítulo 3

1649 Palavras
A noite foi longa, não consegui fechar os olhos a noite inteira até ver o sol nascer pela minha janela escura. Marcavam exatamente seis horas da manhã quando Madeleine entrou no quarto apressada, eu ja estava vestida, com uma calça jeans, coturno e uma blusa de frio, com certeza lá fora não tava tão frio como eu estava gelada naquele momento. — O rei te espera alteza. Madeleine dá um sorriso e lhe dou um abraço apertado e ela demora pra retribuir, não costumávamos abraçar nossos empregados, mais Madeleine era mais que isso pra mim. — Vai dar tudo certo princesa, aproveita o máximo. Me separo dela e vamos em direção ao gabinete. Meu pai e Luke já nos esperavam, minha mãe não estava lá e nem esperava que estivesse, ela me ignorou todos dias desde que decidi sair do castelo. — Se eu te olhasse por ai jamais diria que é a princesa da França. Todas as vezes que alguém menciona meu título se forma um nó em minha garganta. — Ainda bem, essa é a ideia. Meu pai fala em seguida e aproveito pra perguntar por minha mãe. — E a minha mãe porque não está aqui? Meu pai pondera em suas palavras e me olha com cautela, sabia que iria mentir. — Está indisposta meu amor, mais mandou um abraço pra você — me limitei a acenar com a cabeça e escutar como seria minha saída. Com uma farda de serviço vou em direção ao caminhão, quando pisei na grama e sentir o sol sobre minha pele meu coração acelerou, já fazia tantos anos que não sabia mais como era a sensação. Eu segurava uma sexta e junto vinha outras serviçais mais novas assim como eu, pra que ninguém desconfiasse de nada. Ao entrar no caminhão sentir um medo imenso me tomar, Madeleine ao perceber segurou em minhas mãos e o carro foi em direção aos portões reais. Meu pai continuou no gabinete, não podia se dá ao luxo de me acompanhar até a saída, ninguém jamais poderia desconfiar. Ao sair pelos enormes portões eu vi o lago que separava o castelo do resto da cidade, tantos anos só observando pela janela que nem parecia real tudo aquilo. Me permitir sentir aquela sensação de liberdade e olhava atentamente pra cidade la fora, muitas coisas estavam diferentes, mais minha cidade continuava linda como eu me lembrava. Ao chegar ao centro da cidade Madeleine segue pra dentro do mercado, lá eu deveria me desviar dela e ir pra estação de trem até a universidade. A maioria das minhas malas seriam despachadas pra lá, junto a mim iriam só uma mochila e uma mala pequena. Na grande estação se encontrava eu perdida no meio de tanta gente, ninguém me olhava e ao mesmo tempo que eu me sentia livre eu me sentia assustada. Depois de me sentar de frente a uma janela o trem começou a sair e eu logo me pus a olhar pra todos os lados, lá no fundo olhei meus seguranças, antes de sair do castelo foi me dada duas fotos dos agentes, eles eram do serviço secreto da côrte, então eu não corria o risco de alguém os conhecer. Desci na primeira estação e de la peguei um táxi, claro que passei algumas vergonhas e a minha desculpa é que eu não era da cidade. Alguns minutos e eu estava na frente da universidade. Com ajuda do taxista retirei as malas do porta mala e paguei pela corrida. — Obrigada — o motorista me devolveu o troco e acenou — Boas aulas e não se perca — ele sorriu e se foi. Perdida e confusa paro no meio do aglomerado de gente, todos parecem habituados aqui, menos eu. Ando mais um pouco e esbarro em uma garota de cabelos loiros, ela era muito bonita e quando a olho bem mais de perto meu coração perde uma batida, era a minha prima, a Princesa Odete. Alheia a situação ela me olha com cara de nojo. — Será que não está me olhando? Pisco algumas vezes e ela continua. — Você sabe com quem está falando? Ela continua olhando com cara de nojo e uma de suas amigas responde. — Deve ser alguma caipira, não sei como deixam esse tipo de gente circular por aqui. A olho incrédula e quando penso em responder Odete ela se apressa. — Quando eu me tornar rainha isso não vai mais acontecer. Ela me olha e sorrir sinicamente e só me afasto dali sem direção e meio zonza até esbarrar de novo em alguém e dessa vez indo ao chão. — Você está bem? Nossa me desculpa. Um garoto loiro e de intensos olhos azuis me encaram e meu rosto começa arder, com certeza eu estava vermelha. — Eu que peço desculpas, eu tô perdida e confusa. Minha fala já estava embargada com o choro que ameaçava vim, talvez naquele momento eu estava arrependida de ter saido do castelo, eu não sabia exatamente nada do mundo aqui fora, parecia uma grande i****a. — Ei, calma O garoto me estende a mão e aceito — Pra onde você quer ir? — ele continua me olhando. — Diretoria, eu quero saber onde fica meu dormitório — ele me olha e sorrir. — Acho que não precisa ir lá, essa informação está na sua ficha. Se eu ja me sentia uma completa i****a, agora mesmo eu me sentia pior. — Nossa, desculpa, é que eu não sou daqui meu rapaz e não entendo muita coisa. Ele sorrir. — Qual seu nome? — Eu sou Lui... Sophia, Sophia de Valois. — Tudo bem Sophia de Valois, por aqui costumamos dizer apenas nosso primeiro nome — ele sorrir de novo — Eu sou Ben, sou aluno de medicina. Depois de todo constrangimento Ben me levou até o dormitório, lá descobri que não ficaria sozinha no quarto, provavelmente eu tinha uma colega de quarto e ela não estava por aqui ainda. Depois de procurar o refeitório e não encontrar resolvi pedi informações pra alguém. No extenso corredor havia apenas uma garota, ruiva de olhos pretos e com umas tatuagens no braço. — Olá, com sua licença, poderia me dizer onde fica o refeitório? Ela tira atenção do celular e me encara por um breve momento e sorrir. — Com sua licença? — ela sorrir de novo e começo ficar constrangida. — Parece da nobreza falando desse jeito. Senti meu corpo gelar e ela sorrir de novo. — É brincadeira bobinha, só achei estranho seu jeito recatado de falar, você é de onde? Ela me olha curiosa e tomo coragem. — Sou de Reims — Ela sorrir — Sério, eu tenho primos lá, é uma cidade incrível. Ela sorrir de novo. — O refeitório. A garota parece se lembrar de algo. — A é, nossa, desculpa! O refeitório é pra lá, eu só vou deixar minhas malas no quarto, você podia me acompanhar e vamos juntas pra lá, o que acha? Penso por um breve momento e decido ir com ela, eu não tinha nenhuma amiga e essa era a chance. Andamos pelo mesmo corredor e pra minha surpresa ela era minha colega de quarto. —Desculpa, mais qual o seu nome? Ela se virou e deu um sorrisinho. — Anna, eu sou a Anna e o seu qual é nome da sua graça? — Eu sou Sophia, Sophia de Valois. Ela me pega pela mão me puxando em direção a porta. — Sophia aqui em Paris não nos apresentamos com o sobrenome, ainda mais na sua idade, fica estranho tá. Anna era uma garota divertida, bonita e muito inteligente. Depois do jantar ela me levou em uma cafeteria que tinha perto da universidade, mais quando cheguei era um barzinho, ela me enganou. O lugar era aconchegante, tinha muitos jovens ali, música baixa e muitas gargalhadas. Sentamos em uma mesa que fica do lado da janela, a vista dava pra rua onde os carros passavam e uma fina caroa insistia em cair. — Me fala um pouco sobre você Sophia , tá cursando o que? Anna olhava o cardápio e respirei fundo pra não me enrolar e estragar tudo. — Curso Ciências Políticas. Ela me olha com a sobrancelha arqueada. — Sério? Pensei que cursava algo como literatura, medicina, mais ciências políticas? Pretendendo trabalhar em algum parlamento por aqui? Anna sorri. — É um bom curso, antes não gostava, mais agora sinto que escolhi o curso certo. Ela sorri novamente, acho que Anna vivia sorrindo. — Certo, você bebe alguma coisa? — Ja bebi vinho, apenas uma vez, não gosto muito. Ela faz sinal pro garçom e em seguida um jovem se aproxima da mesa e me olha surpresa, era o menino de mais cedo, Ben. — Boa noite meninas, o que vão querer? Ele olha diretamente pra mim e abaixo a cabeça. — Quero tequila e pra Sophia traga um café bem quente. Ben anota e pede licença e se retira. — Não sabia que no bar vendia café. —Na verdade aqui não é um bar, é uma Cafeteria, só que parece mais um barzinho, mas não é. Ela repousa suas mãos sobre a mesa e me encara por um breve momento. — Sabe Sophia, você me lembra alguém, mais não sei quem. Me remexo na cadeira desconfiada. — sempre me dizem isso sabia. Sorri sem graça e a garçonete se aproxima com dois cafés. — Ué, pensei que tinha pedido tequila! Anna sorri e a olho sem entender. — Sophia já disse que aqui não é um barzinho, por isso quando falei tequila o garçom já entendeu Ela piscou e bebericou o café que soltava uma leve fumaça. O resto da noite foi tranquila e sem nenhum deslize da minha parte, Anna e eu fomos para o campus, amanhã seria meu primeiro dia de aula presencial. Sorri com o pensamento e dormi tranquila naquela noite.
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