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A marca do dragão

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Sinopse

Missy nasceu com uma marca que jamais deveria existir.Uma tatuagem de um dragão vermelho surgiu em seu pescoço ainda quando era bebê. Encontrada abandonada em uma vila dominada pelos Dragões Brancos, ela foi acolhida por Kim, o Senhor do Destino, um homem capaz de enxergar o futuro e os caminhos de todas as pessoas.De todas, menos o de Missy.Para protegê-la do exílio, Kim esconde sua marca com um poderoso selo. Mas, conforme os anos passam, a magia começa a perder força. E, aos vinte anos, Missy precisa encontrar um destino antes que sua verdadeira identidade seja descoberta.É então que surge uma oportunidade inesperada.Fallen, mãe do poderoso príncipe Din, o Dragão Branco, anuncia uma seleção para encontrar sua futura esposa. Vinte jovens são convocadas para enfrentar provas capazes de determinar quem é forte o bastante para permanecer ao lado do futuro rei.Missy não quer se casar com um homem que nem conhece. Muito menos com um dragão conhecido por seu coração frio e sua crueldade nas batalhas.Mas Kim acredita que aquela seleção pode ser mais do que um casamento.Pode ser o destino que Missy nunca teve.Din, por sua vez, não acredita em amor. Para ele, casamento é apenas uma obrigação para gerar um herdeiro. Ele pretende escolher uma esposa, deixá-la em seu palácio e continuar vivendo sozinho, longe de sentimentos e vínculos.Até conhecer Missy.A jovem sem destino é a única pessoa cujo caminho Din não consegue compreender.E quanto mais ele se aproxima dela, mais percebe que existe algo escondido naquela garota.Algo relacionado à marca vermelha em seu pescoço.Uma marca que pode mudar o destino dos dragões para sempre.Ela nasceu sem destino.Ele nasceu para governar.Mas talvez o destino deles sempre tenha sido o mesmo.

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Capítulo 1 — A menina sem destino
O vento daquela manhã soprava frio sobre a Vila dos Dragões Brancos, trazendo consigo o cheiro de terra úmida, madeira antiga e fumaça distante das chaminés acesas antes do amanhecer. As casas de telhado cinzento se alinhavam pelas trilhas de pedra como se tivessem sido moldadas pela própria montanha, rígidas, austeras, obedecendo ao mesmo silêncio disciplinado que regia a vida ali. Era uma vila onde cada gesto tinha peso, onde cada olhar precisava ser contido e onde o futuro de todos parecia já ter sido decidido muito antes de nascerem. Kim caminhava devagar pela praça central, com as mãos escondidas dentro das mangas largas do seu manto escuro. O tecido, bordado com fios prateados nas extremidades, denunciava sua posição mesmo quando ele desejava passar despercebido. Senhor do Destino. Um título que inspirava reverência, medo e uma fé quase irracional em qualquer um que o escutasse. Diziam que Kim podia ver os caminhos das pessoas como quem lia linhas desenhadas sobre a água. Diziam que nenhum nascimento, nenhuma morte, nenhum encontro escapava ao seu olhar. Mas havia uma verdade que ele carregava em silêncio e que jamais ousava dizer em voz alta: havia uma pessoa cujo destino ele não enxergava. Missy. Ou, ao menos, ele ainda não sabia que a chamaria assim. — Senhor Kim — chamou uma das senhoras reunidas perto do poço, inclinando a cabeça em respeito. — O senhor já ouviu as notícias? Mais um carregamento foi entregue ao portão leste. Parece que os soldados do Rei dos dragões brancos, o supremo Jeon voltaram a exigir impostos extras. Kim fez um leve movimento com a cabeça, demonstrando que ouvira, embora sua atenção estivesse em outro lugar. As mulheres conversavam em roda, com cestos de ervas e panos dobrados junto aos braços. Velhas, conhecidas de infância, todas acostumadas à presença dele como se a existência de Kim fosse tão natural quanto a neve no inverno. — O rei Jeon não terá piedade — disse outra, com a boca apertada. — Dizem que quando ele entra em batalha, o chão fica vermelho antes mesmo que o sangue toque a terra. — O Dragão Branco herdou o coração frio de sua linhagem — comentou uma terceira. E o filho dele de quase cinco anos também, o pequeno príncipe Din segue os passos do pai. Kim não respondeu. Seu olhar se perdeu por um instante na direção da floresta que cercava a vila. Havia algo no ar naquela manhã. Uma inquietação. Um chamado. Um fio invisível puxando sua atenção para além das pedras, além dos galhos, além do que seus olhos podiam ver. E então ele ouviu. Um choro. Fraco, quase engolido pelo vento, mas inconfundível. Kim franziu o cenho e virou o rosto na direção do som. Não vinha da praça. Não vinha das casas. Vinha de mais longe, da borda da vila, onde a trilha se estreitava até desaparecer entre árvores velhas e raízes tortuosas. As mulheres se entreolharam. — O que foi isso? — Um animal? Mas Kim já estava caminhando. Seu passo se tornou firme, apressado. O choro voltou, mais uma vez, agora com uma urgência que apertou algo dentro dele. As senhoras, curiosas, o seguiram por instinto, embora nenhuma ousasse fazer perguntas. A vegetação se tornava mais densa à medida que avançavam. Galhos secos arranhavam o tecido das vestes. A terra sob os pés estava úmida e coberta por folhas escuras. Quando chegaram a uma pequena clareira escondida por arbustos altos, o choro cessou por um segundo — como se a criatura ali tivesse percebido que finalmente havia sido encontrada. No centro do espaço, sobre pedras cobertas de musgo, havia um embrulho malfeito de manta cinza. Kim se ajoelhou imediatamente. As mulheres ofegaram. — Céus… Dentro da manta havia uma bebê, tão pequena que m*l parecia real. O rosto delicado estava vermelho pelo choro, os dedos minúsculos se fechavam e abriam no ar frio, como se procurassem algo para segurar. Ela tremia, abandonada, vulnerável, entregue a uma solidão que nenhuma criança deveria conhecer. Kim sentiu um aperto estranho no peito ao fitá-la. Não era apenas pena. Não era apenas indignação. Havia algo mais, uma pressão silenciosa, como se a presença daquela menina reordenasse o ar ao redor dele. Ele a ergueu com cuidado. A bebê era leve demais. Foi então que viu. No pescoço delicado, parcialmente coberta pela gola improvisada da manta, havia uma marca escarlate. As linhas sinuosas desenhavam o corpo de um dragão em movimento, as curvas vivas, como se o próprio desenho pulsasse sob a pele clara. Um dragão vermelho. Kim ficou imóvel. Por um instante, o mundo inteiro pareceu suspenso. As senhoras perceberam sua hesitação e se aproximaram. — O que foi? — perguntou uma delas. Kim reagiu rápido. Com a mão livre, tocou o selo pendente em seu anel. Uma luz suave, quase invisível, se espalhou por seus dedos e desceu até o pescoço da criança. O brilho durou apenas um segundo, o suficiente para ocultar a marca sob a pele como se ela nunca tivesse existido. As mulheres se inclinaram, mas nada viram além de uma bebê comum, suja de terra e molhada pela névoa da manhã. Mesmo assim, Kim continuou atento. O coração ainda batia com força. — Alguém abandonou uma criança aqui — disse uma das senhoras, horrorizada. — Isso é monstruoso. — Quem seria capaz de fazer isso com um bebê? — Se o Conselho souber… Kim não deixou que a frase terminasse. — Ninguém do Conselho precisa saber. As mulheres o olharam surpresas, mas ele manteve a voz serena, controlada. — Ela ficará comigo. — Com você? — repetiu uma delas. — Senhor Kim, o senhor tem certeza? Ele olhou novamente para o rosto da criança. Os olhos dela haviam se aberto. Eram escuros, atentos, estranhamente quietos para alguém tão novo. Não havia medo ali. Apenas uma curiosidade quase séria, como se a bebê também estivesse observando-o. Kim sentiu uma estranha certeza se formar dentro dele, algo que não vinha de visão alguma. Era instinto. Ou talvez destino, ainda que o destino normalmente não lhe escapasse das mãos. — Tenho. As mulheres trocavam comentários baixos, indignadas com a crueldade de quem a abandonara. Uma delas levou a mão ao peito. — Pobrezinha… sem nome, sem casa, sem família…

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