CAPÍTULO 234 BRUNA NARRANDO Acordei com o barulho do bip constante do monitor e o coração disparado, igual nos outros dias. Mas dessa vez… tinha algo diferente no ar. O quarto tava calmo, a luz mais suave, e o Juninho — meu Juninho — tava lá, deitado, respirando sozinho. Sem tubo, sem máquina controlando tudo. Só ele, vivo. Me aproximei devagar, o peito apertando a cada passo. O rosto dele ainda pálido, o curativo na barriga, as olheiras fundas… mas era ele. E quando vi os olhos dele abrirem, eu juro que o chão sumiu. — Juninho...? — chamei baixinho, com medo de ser sonho. Os olhos dele me acharam, devagar, meio turvos, e por um instante ele só me olhou, sem dizer nada. Mas não precisava. Aquele olhar bastava pra me fazer desabar. — Amor... — falei, com a voz já falhando, indo até

