CAPÍTULO 229 CARIOCA NARRANDO O mundo virou só o Juninho e o barulho do meu sapato batendo no chão. Puxei ele pro carro com a força que me restava — parecia que cada músculo gritava, mas eu não sentia nada além da urgência. No banco de trás, o corpo do moleque parecia menor do que eu lembrava; a camisa já encharcada, a pele pálida, os olhos semicerrados que tentavam achar foco e não encontravam. — Aguenta, porrä. Aguenta, Juninho. — Eu repetia feito mantra, apertando a mão dele até sentir os dedos tremerem contra os meus. — Respira pra mim, parceiro. Respira. A rua era um borrão de luz e sombra. Gritei pro motorista abrir caminho, empurrei a porta com o cotovelo, me joguei pra trás e ajeitei o corpo do Juninho com pressa. A cada buraco na rua, eu sentia o impacto como se fosse meu. Se

