CAPÍTULO 33 ALANNY NARRANDO O barulho do despertador cortou meu sono como uma navalha. Abri os olhos devagar, a luz da manhã entrando pelas frestas da cortina e iluminando o quarto que já não parecia meu. A mala meio pronta no canto era a lembrança viva do que me esperava. Respirei fundo, tentando engolir o aperto que não passava nunca. Levantei devagar, os pés frios encostando no chão gelado. Caminhei até o banheiro com a toalha no ombro, e cada passo parecia mais pesado que o outro. Liguei o chuveiro, a água caindo forte, enchendo o espaço com vapor. Entrei debaixo e deixei a água quente bater nas costas, escorrer pelo rosto, como se pudesse lavar a angústia que me sufocava. Fechei os olhos e pensei: É hoje. Meu pai chega daqui a pouco. É hoje que minha vida muda de vez. Passei sham

