Ivone (Bônus) Consegui me livrar daqueles seguranças, pedindo para ir ao banheiro. Eu não corri quando saí daquele salão. Nunca corro. Correr é admitir culpa, é permitir que o medo dite o ritmo. Eu caminhei — firme, calculada — mesmo com o coração martelando tão alto que parecia ecoar nos ouvidos. Cada passo longe dali eu fazia uma promessa silenciosa: isso ainda não acabou. Entrei no elevador antes que os idiotas percebessem que eu estava demorando demais. As portas se encontraram com um estalo metálico, e o reflexo no espelho denunciou o que eu não pretendia mostrar a ninguém: o vestido amassado, o batom borrado, a marca ardendo na face onde Lila havia me acertado. Passei os dedos pelo local, não para aliviar a dor, mas para memorizá‑la. Dor também é combustível. Desci dois andares an

