Capítulo 134 BRÁULIO NARRANDO 🍆 Fiquei um tempo parado na porta. Não conseguia me mover. O som das máquinas dentro do quarto dela misturava com o barulho do meu coração batendo descompassado. Eu olhava pra minha filha deitada ali, tão pequena, tão quieta, e parecia que alguém tinha arrancado tudo de dentro de mim. Entrei devagar, como se meus passos fossem ofensa nesse silêncio pesado. Me aproximei da cama e parei ao lado dela. Cecília tava com alguns hematomas no rosto, o braço enfaixado, o lábio cortado… mas ainda assim era ela. Minha filha. A minha menina. Senti a garganta fechar. Senti tudo desmoronar por dentro. Os olhos arderam e eu não consegui segurar. Chorei. Chorei como não chorava desde que perdi meu pai. Chorei com uma dor que queimava o peitö e embaralhava os pensamentos.

