Pré-visualização gratuita Cap. 01 Jotinha
Jotinha narrando
* lembrança on *
Fui num corre pro meu pai cedo. Só dar um giro no galpão de armas.
Tô com 16 anos, chegou a hora de aprender os macetes pra herdar o morro.
Bruna é a mais velha, mas decidiu seguir os passos do tio Brayan e foi fazer faculdade de direito, o que não é completamente dispensável no nosso meio e dona Bianca agradece um filho a menos no crime do Rio de Janeiro.
Tô focadão, aparecendo mais, fazendo os treinos, atirando pra c a r a l h o já. Aprendendo os bagulho de contabilidade. Continuar a frequentar a escola, isso aí nem minha mãe e nem o meu pai abrem mão.
As meninas mais atiradas já estão caindo matando e até às mais tímidas também já estão dando duas brechas. Como diz a minha mãe, eu herdei 'toda a beleza e o molho do meu pai'. Me pareço muito com ele fisicamente, eu sei, sempre vejo nas fotos. Eles começaram a namorar novinhos.
Por enquanto eu só dou uns beijos em umas aqui e em outras ali.
Meu pai até me dá uns conselhos pra não me apegar tão novo, embora ele não se arrependa nenhum pouco da experiência dele, ao contrário, ele é romântico pra caramba com a minha mãe, faz de um tudo e ela é outra romântica também.
Nossa relação é muito aberta e conversamos sobre tudo.
Cheguei em casa, depois de passar no galpão e a Lara já estava lá, já já tem resenha com os amigos. Ela é da Rocinha, mas tá sempre aqui na Babilônia porque nossos pais são amigos e aliados.
Jotinha: - E aee..
Lara: - Oii.
Vendo só ela aqui por enquanto já arrastei ela pro meu quarto.
A gente se pega. Dá uns beijos, uns amassos, rola umas mãos bobas... O fogo sobe, mas tô ligado que ela é nova. Nós dois somos, temos a mesma idade, mas pra mina é sempre mais pá, minha mãe sempre fala adoidado na minha orelha, e eu não vou avançar o sinal, até que ela sinalize que deseja, porque eu tô desejando pra c a r a l h o, papo reto mesmo.
Ela é meio insegura com o corpo, mas tudo paranóia da cabeça dela, novinha e já é a maior gostosa, p e i t o pequeno, cintura fina, b u n d ã o, coxas grossas, perfeita, mas a neura dela é justamente os s e i o s.
Subimos tranquilos um do lado do outro, mas quando passamos pela porta do meu quarto eu já empurro ela sobre a cama e eu sobre ela.
Seguro o seu rosto dando um beijo faminto, papo dez, ela me deixa desnorteado e às vezes bate uma insegurança, não podia me emocionar tão novo assim.
Beijo o seu pescoço, mordo a sua orelha, minha mão passeia pela lateral do seu corpo.
Lara: - Jotinhaa.. - sua voz sai manhosa de um jeito que humm, melhor parar por aqui
Depois de vários beijos e muito esfrega esfrega, tô durão, e vazo pro banheiro, jogar uma água na cara, acalmar os ânimos.
Jotinha: - Fala aí o que tu queria falar. - me se joga na cama ao seu lado que está toda corada
Lara: - Decidi uma coisa importante.. - olho atentamente para ela, o coração já acelerando de leve, um frio na barriga, pô, será que é o que eu tô pensando? Já fico ansiosão, encarando ela, que parece apreensiva - Eu vou ir estudar em Londres. - ela me solta o balde de água gelada em meio ao inverno, sem dó nenhuma
Jotinha: - Oi? O que? Não entendi. - pergunto pra confirmar, porque não é possível que eu entendi que ela vai pra p u t a que pariu
Lara: - Londres, na Inglaterra, Europa...
Jotinha: - P o r r a, eu não sou b u r r o, eu sei onde fica Londres. - me irrito - Tá brincando comigo, Lara?
C a r a l h o!
Eu pensando que a gente tava avançando, que p o r r a é essa?
Lara: - Como assim? - pergunta se fazendo de desentendida e eu fico encarando ela
Não significava nada pra ela? Nadinha?
Era só pegação adolescente mesmo.
Jotinha: - Não, nada, Deixa pra lá. - digo seco
Lara: - Eu quero fazer alguma coisa da minha vida, sabe? Ser alguém, me encontrar, sentir que eu tenho um lugar no mundo..
Fico olhando ela, incrédulo, pois quantas vezes eu disse a ela que o lugar dela é aqui?
Porque ela sempre dizia que se sentia um peixe fora d'água na Rocinha.
Dei até papo de futuro pra ela, depois da escola e tals vim morar pra cá, quem sabe até abrir uma filial da sorveteria da mãe dela, já que ela se amarra em números e sempre fala que quer fazer algo, ser alguém.
P o r r a, precisa ir pra p u t a que pariu, pra ser alguém?
Jotinha: - 'Sentir que tem um lugar no mundo'.. - repito a sua fala pensativo, descrente que ouvi essas coisas - Se tu não sente que tem um lugar, quem sou eu pra falar algo? Tá certo, boa viagem. - eu que não vou insistir nessa p o r r a, ela não tá decidida? Só comunicando? Então...
Lara: - São só dois anos.. - eu arregalo os olhos
Jotinha: - Dois anos? - falo em choque e não aguento segurar a risada amargurada - Boa viagem Lara, tudo de bom. O que mais eu posso dizer? Você já decidiu, não é? Ou você está pedindo uma opinião? - dependendo do que ela falar...
Lara: - Não. Eu já decidi sim. - fala de nariz em pé, como quando quer passar uma soberba que ela sabe que não tem
Mas é isso, então.
Jotinha: - Então é tudo o que eu tenho a dizer. - digo de forma simples querendo encerrar o assunto
Lara: - Não entendo por que você está reagindo assim. - ela soa confusa
Jotinha: - Não tem nada pra entender. - dou de ombros
Por fora fingindo fingindo normalidade, por dentro ódio purinho.
Lara: - Eu não tô indo agora, ainda tem alguns meses.
Jotinha: - Tá bom. - respondo pensando que preciso sair fora daqui - Eu tenho que ir fazer algumas coisas pro meu pai, depois a gente se fala. - nem olho pra ela, só vazo largando ela no meu quarto mesmo
Nem tenho nada pra fazer não, mas saio indo pro galpão de volta, dar um tempo longe de casa.
Quando eu ter a visão que o pessoal tá lá em casa eu colo de volta.
Encosto um tempo aqui, pego uma carabina, dou uns tiros ao alvo..
Quando chega mensagem do Caio perguntando por onde eu a Lara estamos, eu estranho e resolvo voltar pra casa.
Chego e está lotado, com todos os nossos amigos, som já está estralando e o pessoal pulando na piscina, olho em volta da área de lazer, dentro de casa, subo até o meu quarto, mas a Lara não está mais aqui.
* lembranças off *