Cap. 05 Bruna

1042 Palavras
Bruna narrando Mais um dia de faculdade, está perto de acabar, mas eu sei que é só o começo também. Tô estagiando no escritório dos meus tios Brayan e Alessandra. Eu dou uns tiros legais, gosto, por diversão, mas não tenho vocação pra chefiar boca de tráfico não, deixei pro meu irmão mais novo. Porém vou estar ali a disposição buscando uma brecha na lei sempre que necessários, pelos nossos. Tô a cara da minha mãe na idade dela, dona Bianca das dores de cabeça do seu Jota. Um metro e setenta de altura, magrinha, tudo no lugar e sem exageros, p e i t o, b u n d a, nada grande demais e nem pequeno também, me acho de uma beleza natural e elegante, tenho o meu charme. Cabelos e olhos castanhos escuros, o comprimento do cabelo iluminado que vai até a altura dos s e i o s. Cresci uma princesinha nesse morro, a primeira filha do dono, ja viu né, paparicada até umas horas. Mas nada disso subiu a minha cabeça, sou muito simples e fácil de lidar, as vezes até demais. As vezes me sinto até t r o u x a, não sou a briguenta da turma, acho que as mais esquentadas são a Lara e a Eloá. De uns meses para cá, sinceramente, quase um ano, passei a ficar com o Caio, filho do tio Theus e a tia Cami. Infelizmente, o Caio puxou o genes do meu tio, segundo a minha tia Camila, e é um grande s a f a d o. Mas eu acho que ele até supera o pai e aí vocês já sabem né? Eu sofro! E por isso eu não assumo nada com ele. Confesso que já é estranho eu ser um pouco mais velha que ele, o que não seria problema se ele fosse um pouco mais maduro. Só que ele gosta da p u t a r i a e eu infelizmente gosto dele. Ouço o tempo todo que eu devia investir em alguém mais velho, com a mesma cabeça que a minha, mas explico isso pro meu coração como? Porém, eu sou filha de dona Bianca e não sou completamente o t á r i a também, e do mesmo jeito que ele sai com outras aqui eu também saio com outros na pista. Não meto o louco aqui no morro porque eu não quero confusão, que eu sei que ele é capaz de armar, e não quero problemas com o meu pai e com o meu irmão que é melhor amigo dele, além dele também ser o sub do morro. Nesse quesito ele desempenha muito bem a sua função, só peca no outro lado mesmo. Mas é um direito dele, ele não quer um compromisso agora, sabe que não é capaz de ser fiel, a t r o u x a sou eu que me submeto. Não vejo a hora da Lara voltar, eu queria ter tido a coragem que ela teve se ir assim pra longe, a minha mãe teria me apoiado totalmente e mesmo que o meu pai não quisesse que eu fosse, ele jamais teria proibido, pois não tem nada que ele negue para a minha mãe. Mas, eu não sou como a Lara. Durante esse tempo dela fora eu ameacei várias vezes ir pra lá também, mas quem disse que eu tive coragem? Sei da história da minha mãe e do quanto ela lamenta o tempo que ela passou fora, embora tenha sido uma atitude bem corajosa da parte dela. No entanto, eu disfarço bem qualquer estresse que eu passe aqui, sempre pagando de desapegada, de que nada me atinge, é melhor assim, quanto mais eu convenço os outros de que não ligo, mais eu me convenço também. Tirando essa questão, gosto muito de como é a minha vida, gosto muito da faculdade de direito, amo esse morro, a minha família e os meus amigos. E tô morta de saudade da minha amiga mais corajosa de todas. Só lamento pelo meu irmão. Sei que é difícil para ele, mas ele devia ter apoiado ela, e esperado. Mas de certa forma eu acho que ele está esperando, anda até mais estressado agora que está se aproximando o fim do prazo dos dois anos dela lá em Londres, a agonia já se instalou aqui em casa, tanto nele, quanto em mim. Se ouve muito sobre o Jotinha cachorrão, os meus olhos só faltam sair das órbitas de tanto que rolo eles quando ouço essas aspirantes de p i r a n h a falando dele. Cada dia tem um diferente saindo daquela boca, não saem de lá atrás dele e dos meninos, ranço. Ranço enorme, porque se trata do meu irmão, do i d i o t a que eu gosto e do meu primo. É um tal de passar raiva aqui por causa desses meninos, que não está escrito. Perto de acabar a última aula, o professor de direito civil está falando mais que a boca e eu já estou com a mente fervendo. Pego o meu celular e tem mensagem no grupo das meninas, eu, Lara, Eloá e Nina, e elas já estão falando que deu os 2 anos da Lara, que ela já pode voltar. Eu chamo ela no privado e pergunto se ela já está voltando. A última vez que conversamos sobre, ela disse que voltaria assim que desse o tempo, que já teria acabado as aulas dela lá e já tinha conversado para que o diploma e demais documentos fossem disponibilizados o quanto antes para que ela pudesse voltar, então eu pergunto para confirmar, né, realmente esperando que ela volte em poucos dias. Depois de mandar mensagem para ela eu saio da conversa e abro mais alguns, respondo de um carinha aqui da faculdade, ele tá no outro lado da sala me olhando, me chamando pra sair hoje, olho pra ele e ele pisca um olho para mim, me fazendo rir negando com a cabeça. Digito um 'vou pensar' e continuo a responder outras mensagens, deixando a do Caio por último, mesmo convite do Rodrigo, só que bem menos sutil, 'vamos se encontrar hoje?', já sabendo o que ele quer, eu bufo e bloqueio a tela sem responder.
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