Cabeça narrando Fiquei ali uma cota, encarando o teto branco daquele quarto frio, pensando nas paradas que estavam rolando na minha vida. Era estranho… depois de tanto tempo apagado, acordar parecia um bagulho meio torto, como se eu tivesse deixado metade de mim em algum lugar que eu ainda não lembrava direito. Só que nem deu tempo de eu viajar muito, porque a porta abriu devagar e uma enfermeira entrou no quarto. — A doutora já está vindo te examinar e depois o senhor pode tomar um banho, se quiser. Eu trouxe uma toalha e algumas coisas de higiene. — Ela colocou tudo numa cadeira, com um sorriso leve. — Valeu aí. — respondi, só balançando a cabeça. Ela deu outro sorriso e saiu, deixando aquele silêncio estranho. Parecia que até os aparelhos estavam apitando devagar, respeitando meu t

