Mariana narrando Eu não queria estar ali. Eu não queria estar viva, pra ser sincera. Desde que o Dadinho morreu, parece que arrancaram um pedaço do meu peito e deixaram um buraco que não fecha, não importa o quanto eu tente enfiar qualquer coisa ali dentro. Dor, raiva, bebida… nada tapa o buraco. Só que o mundo não para porque eu sofri. E a vida continua esfregando na minha cara a felicidade dos outros. Principalmente da Manuella. Só de ouvir o nome daquela sonsa meu sangue ferve. Não entra na minha cabeça como é que uma pessoa que matou o próprio marido —amor da vida, segundo ela—consegue viver como se nada tivesse acontecido. Consegue baile, consegue camarote, consegue ficar rodeada de gente que trata ela como se fosse rainha. Rainha. De quê? De ser falsa? De enganar geral?

