LAURA: O dia seguinte amanheceu com o peso da realidade estampado no espelho. Eu me olhei e vi mais do que olheiras e preocupação. Vi fogo nos olhos. Porque agora, eu tinha um motivo maior. Meu filho. No escritório, me joguei no trabalho como se aquilo fosse minha única chance de respirar. Revisei cada linha do caso, busquei falhas, forcei argumentos, construí defesas. Eu precisava vencer. Não só os casos. Eu precisava vencer a vida. Wagner apareceu na porta da minha sala com a expressão típica de quem guarda algo importante. — Pode vir até minha sala? Preciso conversar com você. Fui. Meus passos firmes não denunciavam o turbilhão que habitava meu peito. Quando entrei, ele estava lá, de pé, observando a cidade como se pudesse dominá-la com o olhar. — A Júlia vai começar como estag

