Pré-visualização gratuita Prologo
Eu não queria ser o vilão daquela história. Não queria que isso acabasse assim. Não poderia perder aquela oportunidade. Não poderia perdê-la. Fiz uma promessa:eu seria a pessoa que a traria de volta, mesmo que ainda não soubesse como.
Quando os nossos olhares se cruzaram, toda a raiva que eu sentia, pareceu se canalizar nela. E o homem em minha frente, pálido e pequeno, não ajudava. A raiva transformou a paralisia em pura adrenalina.Meu sangue queimava como lava, mas eu sabia que não tinha tempo para explodir. Eu precisava correr e tentar explicar para Samanta o meu lado, mesmo que ela não quisesse me ouvir.
Respirei fundo e, com uma voz firme e feroz, disse para Adam que sua cabeça rolaria se aquele problema não fosse resolvido. O impacto das minhas palavras congelou todos ao redor, só que eu não me importei. Virei-me e praticamente corri para o elevador, onde Samanta estava.As portas se fecharam no exato momento em que entrei.
Ela me encarou com uma fúria que eu nunca tinha visto. O olhar dela estava completamente diferente do que eu havia presenciado no começo do dia. As palavras se formavam em minha boca, mas eu não conseguia dizê-las.
— Foi divertido me enganar? — sua voz, carregada de uma raiva misturada com decepção, atingiu-me em cheio, como uma bala no peito.
— Eu não enganei você — respondi, nervoso. — Samanta...
— Você mentiu.Me enganou como se eu fosse uma idiota.E eu acho que sou — ela se alterava mais a cada palavra.
Descíamospelos andares, e como alguém poderia nos interromper, tirei do bolso a chave àqual só eu tinha acesso. Depois que a girei, o elevador parou e nos prendeu ali. Bem, não era uma prisão para mim, e sim para ela. Eu não poderia deixá-la ir acreditando que eu era mais i****a do que normalmente era.
— O que está fazendo? — Ela arregalou os olhos, olhando para o monitor e vendo que o elevador não descia. — HARVEY!
— Não vou te deixar ir sem que me escute. — Samanta fechou as mãos e o seu rosto ficou vermelho de raiva. — Sei que ficará... decepcionada, mas...
— “Decepcionada” não chega nem perto do que estou sentindo agora.
— Eu sei.
— Não sabe de nada!
Aquele olhar para mim era doloroso e cortava o meu coração bem mais profundamente do que qualquer palavra dita por ela em um momento de ódio.
— Não menti. — Respirei fundo. — Omiti. Eu não sabia onde isso daria... Eu só...
— Você omitiu um belo detalhe, não é mesmo, chefe?