Leiam o meu recado no fim do capítulo e saiba como alcançar as metas.
OTÁVIO
Estou m*l pra c****e e fico impressionado como a pessoa que me ajudou não foi nenhum dos meus amigos que estavam comigo na festa e sim a peste da Lis.
— O que os meus amigos falaram quando você me sequestrou de lá? — perguntei de olhos fechados. Estava esperando a pizza.
— Sequestrei? — ela riu de mim, sentada no outro sofá. — Os seus amigos eram aqueles que estavam brigando?
Merda.
Eu não vou sair mais com esses idiotas.
— Vai ver a pizza.
— Eu não aguento mais te ver repetindo isso. É pra ir buscar na pizzaria?
— Estou com fome.
— Eu sei. Eu também.
Ouvi seus passos e abri os olhos. Ela riu até a porta com aquela minissaia que detalhou a sua bundinha empinada.
Que peste. Eu odeio o jeito dela, mas não n**o que ela me agrada aos olhos.
— Não deveríamos estar juntos. Aquilo ali foi um adeus.
— Pra mim também foi, mas você queria ficar lá a Deus dará?
— Eu sei que não. Mas...
Eu não posso ficar perto dela.
— Mas os seus amigos são péssimos e eu sou maravilhosa. — ela olhou para mim com aquele nariz empinado.
Fechei os olhos e tentei focar em outra coisa.
Eu errei de ter tomado a bebida com droga. Mas eu faço essas coisas sempre. Nunca aconteceu isso. Nunca mais. Faz 1 mês.
— Chegou. — ela avisou e eu abri os olhos. Ela estava vendo através da janela de vidro.
Abriu a porta antes mesmo do entregador tocar a campainha e eu fui para a cozinha.
A encontrei na mesa.
— Está muito quente e cheirosa.
— Pizza. — eu observei, com o ânimo lá embaixo. Estava muito cansado por causa das bebidas e drogas. O efeito passou e me deixou como se tivesse sido atropelado. — Grande criatividade.
Ela abriu a caixa. — Eu gosto de pizza.
— Os copos estão no armário. — apontei bocejando.
Ela foi buscar então colocou em meio copo. Eu peguei uma fatia da pizza e a azeitona rolou pela mesa de vidro e caiu no chão.
— Eu também gosto de pizza. — mordi um pedaço e depois peguei o copo de refrigerante. Ela sentou na minha frente e pegou uma fatia para ela.
— A gente nem lavou as mãos.
Eu ri do seu comentário. — Ótimo momento para lembrar. Acho que ainda dá tempo. — deixei a pizza de lado e fui lavar as mãos. Ela veio para pia lavar também.
— É você quem limpa a casa? — perguntou olhando para o chão. A azeitona estava ali.
— Eu pago.
— Ah. Está explicado porque a casa é tão limpa.
Esnobe.
— Acha que eu não sei cuidar de uma casa? Nem todo dia eu tenho empregada!
— Se o seu irmão tem, você provavelmente deveria ter. Foi o que eu pensei.
— Ao contrário do donzelo, eu não dependo de ninguém. Você já comeu o churrasco que eu fiz e gostou.
— Quem não souber fazer churrasco... — ela pegou uma toalha e secou as mãos, eu tomei dela para secar as minhas.
— Eu quero ver você fazer um churrasco bom.
Ela voltou para o seu lugar e eu sentei na minha cadeira. Ficamos comendo agora de mãos limpas.
Eu já me sinto menos m*l, mas me sinto m*l.
Comi aquela fatia bem rápido, depois tomei um grande gole de refrigerante para passar para a próxima fatia.
— Você disse que estava trabalhando. Então você é o que?
— p**a.
— Estou falando sério, Lis.
— Você não sabe mesmo?
— Não. — dei de ombros. Acho que não tenho obrigação de saber disso, afinal de contas eu estava pouco me lixando para todo mundo.
— Eu sou digital influencer.
— E isso é o que mesmo? — perguntei antes de dar um gole no refrigerante.
— As pessoas me acompanham, gostam e se inspiram em mim.
Ri, engoli o refrigerante errado e engasguei.
Fiquei tossindo e rindo. — Essa piada não era pra agora.
— Não foi uma piada. — ela me olhou por cima dos cílios.
— Quem é que se inspira em você, Lis? — perguntei rindo. Era uma piada muito boa. — Que boa lição você passa?
Ela ficou séria. Acho que ficou constrangida. Eu não estava mentindo.
O que ela faz de bom pra inspirar os outros?
Ela é um péssimo exemplo a se seguir. Vive de festa, bebedeira. Ela vive como eu! Só que eu faço sexo e ela eu não sei...
— Eu simplesmente sou eu. Sou verdadeira e as pessoas gostam de quem é de verdade. Acho que isso inspira os outros a também ser assim.
— Verdadeira você diz enxerida, que dá a sua opinião onde, quando e sobre o que não deve.
Ela virou o rosto. — Você diz isso por experiência própria e eu não tenho culpa de você ser um merda.
— Eu sou um merda? Você m*l me conhece.
— Conheço muito. Muito bem.
— Aham... conhece. Eu que não te conheço. Você não sabia mesmo sobre o bebê?
— Não! Eu já disse que não. Eu desconfiava, mas não iria falar se Bárbara não me disse nada. E convenhamos, Otávio, triste dessa criança com um pai como você.
— Eu gosto de crianças. Posso ser um péssimo namorado, mas eu gosto de crianças! Elas não têm culpa do que os pais fazem.
— E você acha que ser bom com a criança e continuar maltratando a mãe dela iria fazer bem?
— Você sabe se eu iria continuar assim?
— Sei. Iria sim, porque você estava descontrolado. Só melhorou depois da cadeia, mas parece que não foi tempo o suficiente para raciocinar sobre a péssima pessoa que você era.
Ela nem sabe do que está falando.
— Eu queria ao menos ter sabido quando ela perdeu o nosso filho. Você acha justo eu ter descoberto por acaso? Acha justo todo mundo ter me afastado da Barbara quando ela estava no hospital perdendo o nosso filho? E eu nem sonhava que era o meu filho, mas eu fiquei muito triste por causa disso. Acredite ou não, eu tenho sentimentos.
Ela ficou quieta e calada.
Continuamos comendo e o clima do último assunto nos deixou em silêncio.
Eu pensei em falar alguma outra coisa, mas não queria tocar em assuntos que trouxessem o nome da minha família ou da minha ex para a nossa conversa.
— E você me trouxe pra cá... Não vai atrapalhar no seu trabalho de hoje?
— Eu não sei. Amanhã eu vou lá.
— Então você vai dormir aqui, não vai? Está tarde para ir embora. Eu não vou deixar você sair.
— Quer voltar pra cadeia por cárcere privado?
— Lis, eu tô falando sério.
Ela ficou se fazendo de difícil. Como se eu não soubesse que ela quer ficar aqui.
Se ela não quisesse ficar perto de mim, nem teria me tirado do bar. Me trouxe aqui e ainda entrou na minha casa.
— Sentiu a minha falta? — perguntei com um sorriso descarado e ela me lançou um olhar de desprezo, mas as suas bochechas ficaram coradas.
— Falta de você? Me poupe, Otávio. Falta eu sinto do dinheiro que gastei pagando os meus boletos. Na sua ausência eu senti paz.
Sempre desdenhando.
Mas eu sei que sentiu.
— Eu te vi no casamento do donzelo. Você estava bonita.
— Qual a novidade nisso? Eu sempre estou bonita.
— Aham.
Metida.
— Você me viu?
— Não.
Viu sim. Mentirosa.
— Sabe que eu pensei em te chamar naquele dia?
— Pra que
— Pra sair daquela festa i****a e ir para algum lugar comigo.
Ela riu de mim. — como se eu fosse aceitar. Você se acha demais, Otávio.
— Você ficou com medo de mim depois daquele encontro na açaiteria?
— Olha. Eu não quero conversar sobre isso. Já comi. — ela levantou. — Onde fica o quarto de hóspedes? Eu vou capotar e amanhã eu meto o pé.
É claro que ela iria fugir do assunto.
Levantei e subi as escadas junto com ela para mostrar onde era o quarto.
Mas óbvio que eu não perderia a chance de confundi-la.
— O quarto de hóspedes é esse aí. — apontei para a porta.
Ela foi lá e abriu a porta. Eu fiquei ali atrás.
— Mentira! Otávio! Esse quarto não é de hóspedes coisa nenhuma. — ela voltou pra me bater, mas eu segurei seus braços, me divertindo com ela. — Se você ousar tentar me beijar ou fazer qualquer coisa, eu acerto o seu saco.
— Terceira ameaça. Amanhã eu vou fazer o boletim de ocorrência. — soltei seus braços.
— Não ouse tentar nada. Eu já estou te dando muita confiança ficando dentro da sua casa com você.
— Eu não sou estuprador não, tá! — levantei as mãos em sinal de paz. Pelo jeito que ela fala, até parece que sou um monstro. — O quarto é o último. — apontei na direção certa e ela seguiu com seu olhar desconfiado.
Garota difícil.
Fui para o meu quarto e depois de ir ao banheiro eu caí na cama e dormi.
[•••]
Acordei no outro dia com o alarme do celular.
Ele toca até no fim de semana.
Acordei morrendo de fome e lembrei da pizza. Lembrando da pizza lembrei de Lis.
Levantei da cama e fui ao banheiro. Depois eu fui ver se ela já tinha acordado. A porta do quarto estava aberta, a cama estava feita e nem sinal da garota.
Eu tinha tomado um bom banho e estava só de bermuda.
Fiz isso propositalmente para provocar a Lis, mas ela não estava no quarto e muito menos na sala. Peguei uma fatia de pizza e fui até a porta de entrada. A chave estava no chão. Ela fechou por fora e passou a chave por debaixo da porta.
Peguei a chave e o chaveiro, então voltei para a cozinha.
Ela foi embora sem me avisar.
Depois sou eu a pessoa fria...
Mas isso serve de adeus. Vou avisar pra ela fechar o bico sobre o meu endereço e eu sei que não vamos nos encontrar mais.