OTÁVIO
Eu sempre fui a pessoa mais confiante possível. Eu confiava tanto no meu taco que para mim tudo o que eu fazia estava certo e f**a-se o que os outros pensam. E mesmo assim eu adorava saber que os outros pensavam que eu era o fodão.
Eu sempre tive muito dinheiro. A minha família é rica e pude deleitar esse privilégio e montar mais ainda a minha pose de playboy.
Eu estudei também e comecei a trabalhar, mas eu queria mesmo era saber de festas, mulheres e confusão.
Eu fiz muita merda com a Bárbara. Quando nos envolvemos, ela era uma garota ingênua e eu a fiz de gato e sapato. Eu acabei com a sanidade dela a ponto de ela tremer quando eu chegava perto.
Hoje eu reconheço o péssimo namorado que fui.
Mas mesmo assim ela não deveria ter mentido sobre o nosso filho.
Ela estava grávida de um filho meu e o que fez enquanto eu estava preso foi se casar com o donzelo do meu irmão!
Não consigo perdoar isso.
E sobre a prisão... Os caras armaram por causa de 150 mil reais! p***a, que acharam r**m perder a grana, chegava em mim e me contava. 150 mil para mim não vai fazer falta.
Se bem que eu não daria 150 mil para dois idiotas metidos a valentões.
Eu sou um valentão e não tenho medo de outros.
No momento eu não estou mais me preocupando com isso.
No momento o meu plano principal é continuar longe da minha família e viver a minha vida em paz. De preferência, longe de compromissos amorosos.
Ando fodendo uma e outra, mas nada de repetir, muito menos ficar de papinho depois do caso.
A última coisa que quero é uma mulher na minha vida.
E quem eu encontro?
Lis.
A peste que tornou a minha vida uma verdadeira palhaçada depois que descobri sobre o meu filho.
Ela nunca escondeu sua opinião negativa de mim e falava muita coisa. Agora eu imagino que tudo o que ela dizia era só pra reafirmar que esconder o meu filho de mim era o certo a fazer mesmo. Como se eu merecesse passar o resto da vida sem saber da criança.
Revê-la me lembrou de tudo isso. Toda a decepção e raiva que passei há meses atrás e impulsivamente eu fui atrás dela.
Assim que ela chamou o meu nome, eu me arrependi de ter ido até ela.
Estava muito melhor com essas coisas no passado.
— O que você faz aqui?
— Estou comprando roupas. O que uma pessoa vem fazer numa boate?
Continua a cavala de sempre.
Ou melhor, pônei.
— Nesse lado da cidade? — estranhei.
— Não é só você que pode ir pra onde quer, sumir por meses ou fazer qualquer merda dessas.
— Eu estava feliz com o meu sumiço.
— Eu também. — ela cruzou os braços, segurando uma caneca de chopp.
— Então por que apareceu aqui?
— Porque eu vou aonde eu quero. Estou aqui a trabalho.
— A trabalho numa boate?! Virou p**a?
Ela descruzou os braços e me acertou um tapa na cara.
Dedos finos e ossudos. Ardeu para um c****e.
— Peste! Você se acha no direito de me bater?! — fiquei furioso com isso.
— Eu lá tenho cara de p**a?!
— Tem!
É óbvio que tem!
Ela levantou a mão pra me bater de novo, mas eu segurei seu braço. — Nem ouse.
— Se eu soubesse que você estaria aqui, não teria aparecido. Se fizer o favor de continuar sumido, eu agradeço. As nossas vidas estão bem melhores sem você.
— Você não foi convidada para participar da minha vida. Se intrometeu, como sempre. Uma grande intrometida. Corroborando com as mentiras da sua prima e os golpes da sua família.
— Não diga o que você não sabe e também não queira se fazer de vítima quando você sabe muito bem que era o vilão. Se me insultar de novo eu vou usar o meu joelho e aí você não vai precisar mais se preocupar se enfiou mais um filho em alguém. — ela me encarou com o nariz empinado, sem piscar os olhos e puxou seu braço. — Suma da minha vida, Otávio.
— Com prazer. Faça o mesmo você também. Presença desagradável. — dei meia volta para encontrar os meus amigos.
Essa garota tirou a minha paz. Eu quero que ela se f**a!
Uma peste dessas aparece e do nada tudo que estava no passado volta à tona.
Maldita hora que fui atrás dela.
Voltei para os meus amigos e a garota que trouxe para a festa veio ficar do meu lado.
Ela é gostosa. É loira, tem um sorriso doce e um corpo muito bonito. Silicone nos p****s e b***a, cintura fina e a boca bem carnuda. Parece uma coelhinha da Playboy.
Hoje eu a levo pra cama.
Não a minha. É óbvio. Mas a cama de algum hotel.
— Arg! Tô doido pra fumar um baseado. — um dos meus amigos resmungou.
— Eu também.
— Eu tenho. — um cara que chegou aqui agora tirou um pacote do bolso. — Tenho craque, cigarro de maconha, LSD...
Ele está vendendo?
— Me dá um cigarro.
— Tem pó? — a loira que estava comigo perguntou.
— Tem sim, gata. — ele colocou a mão no outro bolso e puxou um pacotinho.
Peguei o cigarro e ele mesmo acendeu.
Eu precisava de algo pra me deixar relaxado, não doido.
O pessoal foi no mais pesado e ficamos ali no canto.
Quando a loira puxou o pó, ficou doida. As amigas dela também. Trouxe as amigas para os meus amigos.
Elas começaram a dançar. Eu fiquei assistindo, sentado num banco.
Estavam como a maioria do pessoal ali na boate. Quase todo mundo estava chapado.
Elas dançaram juntas e depois começaram a se beijar.
Eu estava gostando do que via. Até fiquei e******o, de p*u duro.
O cigarro me ajudou a relaxar. O estresse do encontro com a peste passou, mas eu sabia que ela ainda estava por ali.
— Otávio! Vem dançar! — a loira balançou o braço para mim.
Deixei a bebida de lado e levantei para fazer o que ela queria.
Dancei com a garota. Beijei a sua boca e ainda peguei a amiga dela.
— Ei! Não beije ela não! Você não está comigo?!
Ah meu pai. Ficante de um dia só com ciúmes.
Era só o que me faltava.
— Eu posso dormir com as duas. f***r com as duas de boa. — puxei a outra pela cintura e pelo sorriso em seu rosto, ela estava gostando.
— Larissa! — a loira empurrou a garota em meus braços. — Você é minha amiga! Não pode fazer isso comigo!
Eu larguei a garota e deixei as duas se resolvendo.
Estava de boa demais para ficar me importando com isso.
Voltei para o balcão e peguei o meu copo. Quando sentei para ver se a discussão tinha acabado, elas estavam numa briga de puxão de cabelo e tapas.
— Que p***a é essa? — meu amigo perguntou, muito chapado.
— Sei lá. — dei um gole na bebida e vi uma balinha no fundo do copo. — Foi você quem jogou essa merda na minha bebida?!
— O que?
Mostrei o copo.
Ele riu. — É só uma balinha.
— Uma balinha que faz estrago, né!
Mas eu não vou deixar de tomar a minha bebida.
LIS
A festa estava boa demais. Já tinha mais de uma hora que eu não via o embuste e isso me deixou mais tranquila. O seu jeito me estressa.
— Tira uma foto comigo. — uma menina chegou com o celular na mão.
— Claro. — aceitei animada.
Ela abriu a câmera e tiramos algumas fotos.
— Eu adoro ver os seus stories. Você é maravilhosa. — ela segurou a minha mão.
— Obrigada. — fiquei rindo boba. Eu fico bem feliz quando alguém aparece me elogiando assim.
— Amiga! — um garoto apareceu e segurou o braço da menina. — Cê não sabe a treta que tá rolando do outro lado.
— O que?
— Umas meninas brigando, uns caras também brigando. Tá um babado! Lis! — ele me notou. — Adoro você, menina!
— Obrigada. — fiquei sorrindo, mas estava preocupada com a briga.
Eu tenho medo de a segurança não ser boa o suficiente para barrar armas.
Morro de medo disso.
Ele disse que as garotas estavam brigando de puxão de cabelo e que era para a amiga ir lá ver.
Impressionante como todo mundo gosta de ver briga entre mulheres.
— Mas e os caras brigando? — eu perguntei.
— Estão todos drogados. Vem com a gente ver. — ele segurou a minha mão e eu acabei indo com eles.
Quando chegamos do outro lado, tinha muita gente ao redor da briga e pelo visto ninguém estava tentando separar. Eu fui atrás do segurança para alertar sobre aquilo. Fiquei bem preocupada.
Ele voltou comigo pelo outro lado e então eu vi o Otávio praticamente desmaiado, quase caindo do banco.
Arg!
Eu finjo que não vi?