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923 Palavras
Cecília Gonçalves — Eu já sabia que você iria se tornar uma vagabunda, igual aquela sua mãe prostituta e drogada, também não tinha como não se tornar né, andando com aquele marginal desde criança. — Ela não é a minha mãe, e não fala m*l do Heitor — falo mais alto vendo ela rir me olhando. Escuto passos da minha mãe atrás de mim. — Ai dona Tânia, se você veio até o meu bar para ficar tumultuando pode ir embora, tá achando que aqui é um bordel para você vir falar dessa forma com a minha filha? Tá louca? Vai procurar o que fazer — minha mãe já começa a falar alto e a outra sai dando risada fazendo eu bufar e revirar os olhos passando a mão na cara e jogando o meu cabelo para trás. É incrível o tanto que essa mulher não para de me perturbar, eu nem entendo do por que disso, tenho mais raiva ainda quando ela coloca o Heitor no meio da conversa. Pô o Heitor pode ter ido embora, me esquecendo aqui e nunca mais apareceu, mas ainda assim foi ele que esteve do meu lado quando eu estava assustada, foi ele que me protegia do mundo. Então nunca, jamais, eu iria deixar alguém falar m*l dele, mesmo que tenha se passado anos e anos. — Veia desgraçada, vagabunda é ela que não faz nada da vida e quer vir falar dos outros. — Heloísa fala revoltada. — Como diz aquele ditado, quando o d***o não vem fazer o serviço ele manda o secretário, e está aí a secretária do d***o — minha mãe fala revirando os olhos e eu dou uma risada de leve. — Você está bem filha? — ela pergunta segurando o meu rosto entre as mãos e eu concordo sorrindo. — Tô bem mãe, essa mulher já não me atinge faz um bom tempo. — ela sorri passando o polegar pela minha bochecha e eu dou um sorriso quando ela me dá um beijo na testa. Eu sabia que ela ficava preocupada, com as crises de ansiedade e mais ainda quando a dona Tânia falava do Heitor. Eu sabia que ela ficava bem preocupada. — Eu tô bem. — dou um sorriso pra ela dando um beijo na sua bochecha — Qualquer coisa é só me chamar. — minha mãe fala e eu concordo, ela me dá outro beijo e entra na cozinha de novo, suspiro fundo fechando os olhos e olhando para a Heloísa. — Você está bem mesmo? — Heloísa pergunta me olhando e eu dou de ombros. — Eu tô né. — dou uma risada leve vendo ela reprimir os lábios me olhando. Suspiro pensando no meu cigarro, e eu tinha que fumar só um pelo menos, ou no máximo uns dois. — Vamos ali na frente comigo. — a Heloísa já se levanta sabendo o que eu iria fazer. Levanto a portinha ali e passo por ela e logo abaixo ela novamente. Fomos lá para fora e nos sentamos na primeira mesa que tinha, e eu acendo o meu cigarro enquanto conversava com a ino. — Você escutou o que ela falou? Que a Ester e a Lívia estavam todas machucadas? — pergunto baixo após um tempo dando um trago no cigarro vendo a Heloísa me olhar. — E você acha que o Zeus tem alguma coisa haver com isso? — Heloísa pergunta me olhando. — Olha para falar a verdade eu não sei, lembra que eu tentei, ontem a noite ele falou com a Érica e... — É pra dar um corretivo nelas e passar a zero, sei. — ela me interrompe falando mexendo as mãos e eu suspiro passando a mão no rosto. — Será que ele mandou espancar elas, ou foi ele quem fez isso? Pô eu me sinto m*l, por mais que elas tenham publicado aquele negócio eu não queria ser a culpada por elas estarem gemendo de dor em cima da cama. — faço uma careta dando um trago no cigarro. O pensamento de alguém se machucar por minha causa me assustava, e também me assustava saber que o Zeus fez isso ou deu a ordem para fazerem isso. — Cecília, você sabe que não foi culpa sua, elas quem publicaram o negócio na maldade mesmo, e mesmo que o Zeus tenha feito isso esse é o "trabalho" dele, mesmo que ele seja um amor de pessoa com você, um príncipe, ele ainda é um traficante, ele ainda é o dono do morro, e tem que colocar ordem no lugar, e não é querendo defender ele, mas imagina se todo mundo fizesse o que quisesse e ele não fizesse absolutamente nada para impedir? Esse lugar com certeza já tinha virado um caos. — Heloísa fala tudo me olhando e mexendo as mãos no final apontando ao redor fazendo eu suspirar. E né, ela tinha toda razão... esse ainda era o trabalho dele. E não tem como eu sair apontando o dedo e julgar, por que ele também foi exposto naquelas fotos, ele tinha que colocar ordem se não iriam tirar ele como otario. — É eu acho que você está certa, ele também estava na foto, ele tinha que fazer alguma coisa. — Falo baixo e olho para o maço de cigarro. Eu já tinha fumado dois e ainda queria mais. — É, se a Ester e a Lívia se machucaram não foi por culpa sua, elas fizeram tudo isso na maldade e tinham que ser cobradas como qualquer um nesse morro.
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