Cecília Gonçalves
— Você tem certeza de que esta bem mesmo? Pode subir, eu me viro aqui — minha mãe pergunta pela milésima vez e eu dou risada revirando os olhos enquanto fechava o caixa e olho para a Heloísa sentada no balcão rindo da minha cara
— Eu tô bem, mãe, fica tranquila pelo amor de Deus — falo bufando
Eu até estava achando estranho, eu estar bem, tipo bem pra c*****o. Nem parecia que ontem de tarde eu estava com uma p**a crise de ansiedade.
Zeus me acalma de uma forma que eu nem sei como explicar isso, ele chegou e deixou tudo tão calmo que parecia que eu já tinha fumado uns três beck de tão tranquila que eu estava.
O mais estranho também é que ninguém estava me olhando mais, e nem falando nada sobre. O que era bem estranho, por sempre que havia algum tipo de fofoca rolando na favela, alguém passava rindo e ainda apontava o dedo, debochando da sua cara.
E eu confesso que eu fiquei até com medo de sair na rua hoje e isso acontecer, até decidir não abrir a loja hoje, mas literalmente nada aconteceu, nenhum olhar estranho, nenhum sorriso debochado, nada não tinha absolutamente nada.
Eu não era i****a também, e sabia muito bem que tinha dedo do Zeus nisso. Suspiro fundo sorrindo de leve me lembrando de ontem a noite, ele havia ido embora bem tarde, por que sempre que ele começava a falar sobre ir embora ele começava a me beijar, e nós arrumavamos mais algum assunto para conversar.
Era tao incrível, surgia assunto do nada, era um negócio completamente natural sabe, a gente não se esforçava para arrumar assunto. Sinto até um arrepio gostoso passar pela minha coluna quando me lembro dos nossos beijos, das mãos dele no meu corpo, me apertando, os beijos dele no meu pescoço.
— Deus é mais — estremeço de leve me desencostando da bancada e indo até o caixa para procurar o que fazer, vejo a Heloísa me olhar rindo fazendo eu revirar os olhos.
— Cecília, Cecília, controle os seus pensamentos pecaminosos — ela tira onda com a minha cara e eu dou risada olhando no relógio vendo se já estava na hora de ir buscar o Arthur.
E faltava muito tempo ainda. Escuto um barulho no piso e então olho para a entrada vendo a velha que mexia comigo desde criança, e eu respiro fundo.
— Estava bom demais pra ser verdade — Murmuro baixo vendi ela vir até o bar me olhando.
E essa veia era a minha atormentação desde criança, a mulher nunca foi com a minha cara, e só começou com isso por que eu andava pra cima e pra baixo com o Heitor, ela me xingava de tudo quanto é nome, mas eu nem ligava muito, mas ainda assim ficava p**a da vida quando ela xingava o Heitor.
Eu ficava bem triste quando via ela xingando ele de marginal, trombadinha, e mais um monte de coisa. Claro que o Heitor não ligava para as coisas que ela falava.
E tudo só piorou pois agora eu tenho amizade com alguns vapores de patente alta, como o MT e o morte.Ela vive falando m*l de mim por aí, mas pelo menos eu trabalho para ganhar o meu e não fico cuidando da vida de ninguém.
Ela é a minha mãe não se bicam, vivem trocando farpas, mas nunca chegaram a sair no tapa por conta do José, por que era uma briguinha no meio da rua, e se fizesse escândalo ia direto para a vala.
— Precisa de alguma coisa dona Tânia ? — pergunto com toda a educação que a minha mãe havia me dado, mas vejo a minha mãe olhar da cozinha pra gente.
— Me vê um maço de cigarro aí — ela me olha toda séria da cabeça aos pés, me viro para pegar o cigarro no armário de vidro. — Ficou sabendo que o seu namoradinho deu um p*u na minha filha e que raspou a cabeça dela?
Paro aonde eu estava por alguns minutos prendendo a respiração, e logo volto a me mexer pegando o cigarro.
— É, ela está toda dolorida, gemendo de dor por que aquele traficantezinho deu uma surra nela e na Lívia, na Lívia por ter tirado a foto e na Ester por ter publicado o texto — ela debocha me olhando e quando eu me viro pra ela entrego o cigarro.
— 5.70 — falo baixo e ela tira o dinheiro do bolso e joga na bancada, eu pego e abro o caixa, vendo a minha mãe fazer menção de avançar e eu n**o com a cabeça vendo ela bufar e voltar a fazer o que estava fazendo.
— Viu, ela nem liga, é claro né, mulher de bandido tem que ficar quieta mesmo — ela ri e eu volto para a frente dela com o troco e jogo na bancada fazendo a moeda cair no chão.
Apoio minhas duas mãos na bancada e olho pra ela.
— E para a sua informação dona Tânia, eu não tenho nada haver com isso, e se ela apanhou tenho certeza que teve algum motivo, então se a senhora veio aqui para debochar da minha cara ou para me insultar, já pode sair. — eu aponto para a rua sorrindo no final vendo ela me olhar com deboche e começar a dar uma risada cínica.